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21.11.20


Vídeo-chamada virou hábito por aqui. Seja pra matar a saudade da irmã, da mãe ou do pai. Quer dizer, ultimamente tem sido mais pra matarem a saudade da Sara mesmo. Ai de mim se até o fim do dia não tiver atualizado a família com uma foto ou vídeo novo. Cadê foto da minha neta? Sou cobrada sem ao menos um bom dia, pois é. 

Tudo bem, o intuito não é nem de choramingar as minhas pitangas sobre ser a mãe esquecida (já choramingando um pouco). A ideia era só divagar sobre saudade e essas novas formas de troca, apesar de ultimamente odiar colocar a palavra novo em qualquer coisa. Novo normal etc.

Acabei perdendo o hábito de filmar coisas aleatórias do meu dia a dia, aqueles videozinhos na horizontal pra depois poder transformar no meu vídeo de fragmentos que tanto gosto de rever. Lembrei de fazer isso enquanto aproveitava a soneca da Sara pra conversar com a minha irmã, que tinha acabado de acordar, e fazer qualquer outra coisa no computador. Nessa época, que parece distante mas pelo registro é apenas de Setembro, ainda não conseguia fazer muita coisa sem Sarinha estar dormindo agarrada em mim. Bendito o Sling que me salvou muitas vezes e sim, ali é a cabecinha de uma nenê desmaiadíssima. 

Aqui me perdendo e me achando de novo sobre o que eu queria falar, é desse hábito que talvez por conta das reuniões de trabalho muita gente já não aguente mais, mas que eu passei a gostar muito pra matar um pouco a saudade da família em tempos de isolamento. É saudade, é vontade de conversar, de trocar ideias, de desabafar, de dar conselhos. Todo aquele pacote de interação que a gente sente falta e tenta preencher do jeito que dá torcendo pra internet não falhar a conexão no meio das reflexões. 

Além das vídeos-chamadas, outra coisa que gostei que virou rotina, justamente por conta de todo esse afastamento sem fim e que ajuda a deixar o dia um pouco mais leve nesse ano tão amargo, foi o hábito de compartilhar por fotos coisas aleatórias do nosso dia a dia. Pai costuma mandar selfies de bom dia, o que acho muito fofo. Minha irmã costuma compartilhar registros das suas refeições elaboradas enquanto a mãe já é do time que mostra os vinhos que ganhou. Quanto a mim, por prazer de babarem na minha própria cria, costumo mantê-los atualizados com caretas, novos looks e descobertas de Sarinha. 

Agora Sarinha já quer participar das conversas, balbucia incansavelmente com todos e ainda sai distribuindo sorrisos. Depois de um tempo ainda cansa e decide acabar com a nossa brincadeira. Cansei gente, chega de vídeo-chamada por hoje.

13.11.20

FAZENDO DE CONTA QUE NÃO É UM POST SOBRE CAOS MENTAL.    

Apesar de começar o dia com o Toni empolgado falando pra Sara bom dia nenê sextou, o que geralmente já me faz começar o dia de bom humor depois de uma boa noite de sono, hoje não foi bem um daqueles dias que essa energia se manteve vibrando com o passar das horas. Por algum motivo que eu não sei qual, Sara acordou de bom humor mas se manteve o dia praticamente todo super irritadiça, chorosa, pulou alguns cochilos, teimou pra descansar em outros. Ou seja, sextei mentalmente & fisicamente exausta nessa de passar o dia tentando acalmar a cria. 

Inclusive essa semana eu já senti esse amargor por ficar adiando algo teoricamente simples mas que eu tenho pavor, que é fazer ligações. Acho que por isso essa semana ainda sonhei que fumava, algo que acontece muito (e me acalma) quando tô estressada. Já faz uns 7 anos que não fumo mas essa vontade passou a dar sinais de vida esse ano. 2020 né? Ainda bem que por enquanto engano a vontade fumando apenas nos meus sonhos-pesadelos em dias difíceis.

Enquanto comia um salgadinho pingo d'ouro, porque em dias assim a gente precisa de um pouco de droga, fiquei pensando no que me acalma, no que me centraliza. Geralmente pedir um belo junk food já dá uma amenizada, mas as vezes preciso externalizar o que incomoda ou, na tentativa de respirar um pouco mais devagar, pensar em coisas boas que aconteceram. Ai que me dei conta de uma coisa, enquanto tentava pensar em um post para a #estacaoblogagem sobre racionalidade, coisas que existem na nossa cabeça, etc. 

Durante uma conversa com as migas blogueiras sobre o burburinho da (falsa) morte dos blogs, elas falaram que eu nunca parei de blogar. Só dessa conta já são 13 anos compartilhando aleatoriedades da minha vida, praticamente todo mês. Claro, muita coisa eu já exclui mas o blog tá ai né. Foi esse o estalo que deu. Todos esses anos externalizando experiências, sentimentos, reflexões. 

Acho que no fundo é isso, aqui sempre foi parte do meu porto seguro. É onde eu vou alimentando o meu álbum de boas memórias que eu tanto gosto de rever, como também algumas das dores que, inevitavelmente ou não, fazem parte da minha vida. É aqui que organizo pensamentos e todo o caos que as vezes se instala na minha cabeça, conflitos internos, etc etc etc. É aqui que compartilho sobre coisas como o nascimento da coisinha mais preciosa da minha vida (oi nenê) e também de dias como o de hoje em que essa coisinha me deixou doida. Mas né, como uma outra amiga falou, deve ser só o mercúrio retrógado dos pequenos que ninguém nos contou que existia.

10.11.20

Essa última semana tem me feito pensar muito sobre como é ser pai e sonâmbulo como o Toni é. Obviamente compartilhando esses pensamentos como expectadora já que o cargo de pai & sonâmbulo é apenas dele. Alguns de vocês inclusive já devem ter acompanhado alguns causos na outra rede muito usada para reclamações e uma variedade imensa de rindo & chorando

Para quem não sabe, meu excelentíssimo é muito sonâmbulo e quando digo muito é por já ter uma lista considerável, ao meu ver, de histórias para contar sobre o quão sonâmbulo ele é. Muito.

Fazendo uma breve introdução a essa questão: já acordei com ele em cima de mim achando que eu era algum inimigo de guerra, a única conclusão que cheguei até o momento; já peguei ele pulando da cama para a TV, ambos sobreviveram apesar do estouro que essa manobra deu; já saiu correndo do quarto segurando uma "granada" na tentativa de salvar a minha vida, aparentemente por culpa do braço dormente; escrivaninhas já foram quebradas, livros de programação já foram parar em cima da cama, etc etc etc, a lista segue. Basicamente todos os episódios ocorrendo em semanas de muito stress por conta de trabalho, final de semestre da faculdade e por ai vai. 

Pois bem, atualizemos então esse sonâmbulo preocupado por um pai sonâmbulo ainda mais preocupado. 

Primeira semana com Sarinha em casa, ainda no processo de adaptação de quem dorme aonde nessa casa, o que dá certo e o que não dá. Nossa primeira tentativa de fazer a pequena dormir no berço (e única que deu certo até agora) e nós dois bem bonitinhos dormindo na cama (saudades). Acordo com ele choramingando meio sentado falando baixinho me ajuda, por favor, eu tô muito cansado, me ajuda a fazer ela arrotar e ele dando batidinhas nas costas do travesseiro dele enquanto Sara dormia tranquila no berço. 

Já na semana em que passei a dormir com a pequena na sala (meudeus nem sei como conseguia) e ele dormia no quarto, ele me aparece de madrugada rindo porque acordou e estava em pé ninando o travesseiro dele novamente até se dar conta de que a pequena não estava ali. 

Pula para Sarinha sendo medicada de madrugada nesses últimos dias, sono desregulado (o dela e o nosso), muito cansaço, tentativas de fazer ela dormir, tentativas de fazer ela comer, etc. Uma belíssima madrugada em que a medicamos as 2am e depois a bonita acordou as 4am faminta & revoltada. Nois que lute, obviamente. Acordei o Toni para fazer a mamadeira dela enquanto trocava fralda e tentava acalmá-la, nada dele aparecer com a mamadeira. Fui ver e ele estava escovando os dentes, oi? Tipo de coisa que acontece quando acordo só a versão sonâmbula dele. 

Pula para as 6am desse mesmo dia, exausta mas dormindo depois de demorar muito pra fazer a pequena dormir novamente. Ele simplesmente me aparece no quarto falando ei, acorda ela, tu não pediu pra fazer a mamadeira? Eu queria matá-lo mas me recusei a correr o risco de acordar a Sara. Ele acordou (de verdade dessa vez) e voltou rindo para a sala. 8am lá estávamos medicando a pequena novamente. Bom dia.

Fechamos o domingo com o Toni em pé na sala revirando os lençóis do sofá, desesperado procurando a Sara enquanto estávamos nós duas dormindo no quarto. É, não deve ser fácil ser sonâmbulo não.