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23.10.20


A maternidade tem me feito curtir ainda mais essa coisa de registrar momentos. Talvez até eu já tenha comentado isso por aqui e estou sendo repetitiva, já vou pedindo perdão por isso mas né, faz parte. Acho que é um caminho sem volta sabe? 
 

Ai quando paro pra rever as fotos ou até mesmo pra tentar organizar a bagunça que fica a galeria do meu celular é que me dou conta de que, ainda bem, tem toda essa bagunça por aqui. 


Esses registros da gengiva ainda sem dentinhos mas que não poupa esforços pra se mostrar. Ou dos pézinhos nada pequenos que tanto dão vontade de apertar.


Relembrar das sonecas de sucesso que permitiram com que Toni e eu curtíssimos uma refeição juntos. Sabe, é coisa rara por aqui.


Lembrar de sapatos que quase se perderam por serem esquecidos e essa pequena crescer tão rápido. 


Ou até da ansiedade pré-vacina e depois ver que a gente sobrevive, sofre mais que eles e que no fim muito colo e chamego resolvem. 


Eu já falei dos pézinhos? 


Ah, claro, e tem os sorrisos mais sinceros do mundo sabe? Faz a gente esquecer muitas vezes a exaustão, as refeições revezadas e todas as coisas que a gente queria fazer mas não consegue. Aquele sorriso que faz a gente se sentir bobo mesmo, faz a gente se emocionar. Esse sorriso aí.


8.10.20


Um sábado de setembro acordei meio inspirada, feliz. Ia poder tomar um banho com calma, coisa que durante a semana é meio difícil de acontecer. Aproveitei a inspiração e a necessidade de me sentir gente pra tentar vestir qualquer coisa que não fosse pijama ou roupa-confortável-para-maternar. 

Quase um mês depois de tirar essas fotos me pego rindo de todo o contexto. De como me senti gente & bonita com essa roupa, da tentativa de fazer pose instagramável e ver que o melhor registro mesmo foi quando as pernas cansaram e dei aquela breve encostada de cabeça na cama. Sarinha me julgando pela demora como quem diz "a bonita vai ficar ai muito tempo tirando foto ou vai me dar atenção?". Toni me socorrendo porque na hora eu precisei fazer alguma outra coisa e Sarinha, já cansada de esperar, exigia ser alimentada. 

O dia-a-dia é bem mais caótico, nem um pouco instagramável e, misericórdia, sem comentários para o meu estado & look. O que faz de dias como esse que registrei terem um gosto muito melhor de saborear e serem lembrados.


Registro do mesmo dia, provando roupinhas e fotografando nós duas pra comemorar os dois meses da pequena. Lá pra dia 20 de setembro, no caso. Só os deuses sabem o tanto de cabelo que perdi tentando fazer essa foto. Essa mãozinha adora arrancar cabelos alheios e não é a toa que já são quase três meses de cabelo amarrado, um recorde para essa que vos fala. 


Espero me pegar inspirada assim mais vezes e lembrar de registrar esses momentos preciosos. Curtir o mini caos de dias mais tranquilos, me sentir gente, me sentir bonita, rir da situação toda. Se o caos pandêmico e materno não me permitir com tanta frequência, que pelo menos eu possa utilizar o mêsversário da Sara pra seguir registrando um pedacinho da gente.
6.10.20


Lar (s.m.) é se sentir bem-vindo. Lugar pra onde a gente corre quando tudo fica mal. Lugar de maior segurança do mundo. Refúgio. Nosso. Possível de ser compartilhado com outras pessoas. Melhor quando compartilhado. É se sentir parte de algo. Pertencer. (João Doederlein)

***

A rotina por aqui se readapta o tempo todo. Eu começo uma lista e antes de terminar o post algo já mudou. Tem dias que o Toni é que acorda a gente, avisa que tem café, abre as cortinas para o sol entrar. Tem outros dias que a gente é que levante primeiro, ajeita uma coisa aqui e ali e vai acordar ele, esperando pelo café.


Tem dias que Sara dorme rápido, com sonzinho de chuva do aplicativo. Tem também dias que Sara demora pra dormir e só apaga depois de muito ser embalada ao som de secador de cabelo do aplicativo. Sim, aplicativo de sons aleatórios pra bebê dormir tem salvado muito por aqui. Ela prefere som de secador de cabelo e máquina de lavar mas estou tentando convencê-la de que barulho de chuva ou de fogo crepitando é mais gostosinho pra pegar no sono.


Tem dias que sou cama, tem dias que sou travesseiro e tem dias que papai é aconchego também. A gente vai vivendo, um dia de cada vez, entre registros de qualidade duvidosa e sorrisos sinceros da pequena. 


É tão louco pensar que, apesar de todo cansaço e de toda a bagunça, a gente não consegue mais imaginar nossa vida sem ela. É tudo tão mais exaustivo e divertido. Aquele mix de exaustão e euforia que, depois que a gente sente, não faz mais sentido viver de outro jeito.


Ainda compramos móveis e objetos de decoração na tentativa de continuar ajeitando a casa. A diferença é que agora continuam embalados na espera de termos tempo ou até mesmo vontade de colocá-los em prática. Assim como a vontade que vem de arrumar a bagunça mas que é interrompida pela vontade da bebê de ganhar colo. 

Tem dias que Sarinha curte o dia tranquila, sem exigir muita coisa. Tem dias que ela já quer tudo na hora, quer atenção redobrada, quer o carinho de todos. Assim a gente vai encaixando um pouco da gente nas demandas dela. Todo dia reaprendendo a viver, entre alguns surtos porque faz parte, e a curtir esse rolê doido. Essa (quase) rotina meio igual e meio diferente. Ainda assim, nossa (quase) rotina.