Ontem pela manhã fui para o quarto ler, tentar não ficar tanto na frente do computador, aproveitar o sol que bate logo cedo na cama.
Li alguns poucos capítulos iniciais de A Canção dos Dragões Perdidos da Sarah A. Parker e fiquei me sentindo, não ironicamente, perdida em pensamentos em muitos momentos. Tudo bem que é a continuação de uma história já cheia de detalhes com uma construção de mundo diferente das romantasias no geral (e a minha memória do primeiro livro se perdeu aparentemente). Enfim, não era nem isso que eu ia falar exatamente. O ponto é, minha cabeça estava em outro lugar. O que não é necessariamente ruim.
Nesses últimos dias tenho estado com aquela sensação gostosa, que pode soar até meio tóxica pra quem me lê (perdão) e me vê sendo repetitiva, de gratidão à minha ordinária vida. Adoro soar contraditória quando na maior parte do tempo digo não ter muita paciência pra quem parece ser patologicamente grato o tempo todo, mas suspeito que não seja contradição sendo que os sintomas me parecem breves e estou sempre disposta a compartilhar reclamações. Grata pelo privilégio de poder ter juntado boas reservas, que me permitem escrever esse post com tranquilidade no meio de uma manhã de quarta-feira mesmo tendo contas a pagar. E falo privilégio porque é o que é, sem nem olhar muito longe sabendo que nem todo mundo pode fazer o mesmo, o reconheço porque em alguns muitos momentos do passado também não pude.
Essa tranquilidade tem me permitido observar outras coisas da minha vida nesse momento. Sim, lá vou eu romantizar a minha vida mais um pouco.
Algo que achei curioso de me dar conta é que por mais que eu goste muito de estar sozinha com as minhas coisas, também tenho achado estranho. Faz apenas umas quatro horas que excelentíssimo saiu com Sarinha e eu estou com saudades, achando a casa silenciosa demais. Não chega a ser um incômodo, porque aprecio muito os meus momentos de silêncio, mas tem sido curioso o quanto essas saudades tem se tornado mais frequentes. Gosto muito da minha família, sabe?
Hoje cedo eu ia tentar o lance da leitura novamente, mas antes mesmo do sol dar as caras no meu quarto (e está fazendo um frio lazarento) eu notei que minha cabecinha continuava barulhenta demais (mesmo que com pensamentos bons ~ eles também fazem barulho). Lembrei que numa outra leitura que iniciei ontem a personagem tinha um diário e resolveu criar um blog. No meu caso, resolvi fazer o contrário e voltar a escrever em um diário. Lá fui eu abrir caixas porque ainda não desencaixotei tudo desde a mudança meses atrás para procurar meus caderninhos pautados. Achei minhas primeiras baquetas, o que não vem exatamente ao caso mas me deixou feliz, dois tesouros (livrinhos de caça palavras) e enfim meus caderninhos.
Minha última anotação tinha sido quando Sarinha recém tinha feito um aninho, depois da anotação anterior de quando ainda estava grávida. Basicamente o hábito de escrever em diários é algo que tento retomar de tempo em tempo. Daqui um mês ela fará seis anos. Não sei vocês mas eu acho isso doido pra cacete. Isso parece tão importante quanto maluco e seguirei ficando muito chocada com a informação.
Começando a rabiscar meus pensamentos para ficarem um pouco menos barulhentos, afinal preciso de espaço nessa cabecinha pra fazer outras coisas que também quero, me peguei pensando em como diabos a minha letra virou o que virou. Quando foi que a minha letra virou uma coisa ilegível? Agora estou genuinamente preocupada porque ainda ontem antes de dormir — a criança pode ficar com preguiça de conversar o dia fucking inteiro mas coloque ela para dormir e veja a mágica acontecer ~ a não ser que você queira muito dormir — Sarinha me pediu ajuda pra aprender a escrever letra PUCIVEL e tentando rabiscar no ar com ela me dei conta que nem eu lembro mais como se escreve letra cursiva (caso você não tenha entendido o que ela falou). Algo que ficou muito claro quando resolvi escrever no meu velho diário hoje cedo. Desastroso.
O lado bom, veja bem, é que eu não tenho a pretensão de reler ele no futuro. Não conseguiria nem que eu quisesse. Ele cumpriu seu propósito, organizar o fuzuê que estava rolando na minha cabecinha a ponto de inclusive conseguir escrever esse post — que provavelmente não fará muito sentido pela forma que comecei e aonde estou chegando, como a maioria dos meus textos reorganizadores de pensamento.
Agora posso pegar mais um café e voltar para a cama para ler meus livrinhos sem cair acidentalmente em Nárnia. O sol já bate na minha cama a essa hora, não tenho do que reclamar. No fone a playlist Fantasy Book Ambience para abafar o som de obra do vizinho (sem som de pássaros mas estou no modo #gratiluz então não vou reclamar).
Aliás, me sentindo especialmente vitoriosa porque, para tomar coragem de tomar um banho nesse frio lazarento de 9ºC (hoje isso é muito frio sim, shhhh) resolvi fazer 30min de bike depois de alguns longos meses em situação de sedentária enquanto assistia Naruto (ou Naturo pra quem viveu esse momento). A ideia funcionou, tomei meu banho bem plena sem querer morrer (odeio passar frio no banho!!111!), e na sequência botei umas roupas pra lavar. Eu acho chique demais ter um quintal pra colocar roupa pra secar no varal, hihi. Meus dois centavos de funcionalidade porque estou me permitindo ser inútil de vez em quando. Não posso esquecer que me desligar do meu antigo trabalho foi para fugir de sucumbir a um burnout né amigos?
Ah, me desejem sorte. Se a mini queen lembrar do rolê da letra pucivel quando chegar do colégio, precisarei pesquisar material de letra cursiva porque não lembro como diabos se faz um F maiúsculo e a mini querida é muito exigente.
Acabei de pesquisar rapidamente e tem várias formas de fazer o F, se eu não fizer igual a profi dela estarei lascada.
"Mas se eu falar não vou ficar pensando e me perguntando, que são coisas igualmente cansativas", disse Frodo.
Em 2021 comecei a ler A Sociedade do Anel mas ainda sentia os efeitos do puerpério ou qualquer que seja a coisa que derreteu o meu cérebro. Travei em 50% da leitura muito irritada que demorou tudo isso para o Frodo sair do Condado, pelamordedeus. Breve desabafo a parte, resolvi voltar com a leitura essa semana e ainda ontem marquei esse trecho do livro. Reli agora ao abrir minha galeria do celular (tenho a mania de fotografar páginas de vez em quando) e bom, quem chegou até aqui acabou de ler o efeito de rever essa fotografia e outras coisas doidas da minha cabeça.