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6.8.26

Quarta-feira

Acordei antes do despertador tocar, de algum sonho que já não lembro mais. Decidi dormir mais um pouco porque o sono que tem me dado pela manhã ainda é uma coisa incômoda. Despertador tocou e Sara, que não costuma acordar sozinha sem que eu insista muito, me chamou porque havia acontecido um acidente noturno. Do lado de fora da janela, mal dava pra ver as casas de tanta cerração. 

Tira o pijama molhado, recolhe a roupa de cama, leva a criança para o banho. Pelo menos foi mais fácil desembaraçar o cabelo dela molhado. Coloca uniforme, penteia o cabelo, escova os dentes, separa um brinquedo, arruma a lancheira. 

— Ainda bem que é o papai que arruma meu lanchinho né? Se não ia atrasar tudo.

— Por isso que mamãe te arruma enquanto o papai arruma o lanchinho. 

Levou um pedaço do bolo que eu fiz, pãezinhos com pastinha de ovo, melão cortado e um suquinho. Ainda diz que as vezes é pouco e passa fome. Deus te crie, menina!

Entra no carro com o pai, me dá uma abraço apertado. Deus me livre sair sem o abraço. Seguem pela rua no meio da cerração mesmo. 

Volto para dentro da casa, com tudo ainda fechado de tão denso que parece o ar do lado de fora. Roupa na máquina de lavar, recolho as que secaram no varal que ficou na cozinha. Preparo um café e me contento com uma banana porque acabou o pão e ainda não quero encarar um pedaço de bolo, apesar de delicioso. 

Subo e aproveito para tomar um banho, tirar o pijama. Talvez o pintor venha hoje, apesar de não ter vindo ontem. Não estou lá muito esperançosa, pela vibe Silent Hill do loteamento no momento, mas me preparo caso tenha que recebê-lo. 

No grupo do Entreblogs ainda rolam as discussões sobre quais plataformas migrar depois da queda de alguns bloggers. Crio uma conta no BearBlog por desencargo e penso se começo uma migração ou não. Pego mais um café e leio alguns blogs, coisa lá de junho. 

Toni manda mensagem, nada do pintor chegar. Casa segue fechada, cerração segue firme e forte. Levanto a cada barulho da rua pra ver se algum carro parou na frente. Barulho dos passarinhos que vivem no entorno e de algumas obras em andamento. Um bebê chora em alguma casa da vizinhança. 

Penso se encaro uma terceira caneca de café ou se tomo vergonha na cara e paro pra almoçar. Decido começar esse post, sobre um dia comum. Quero entregar a terceira missão da semana, mesmo sabendo que logo o vilão deve cair, novamente. Se cair, vai ficar no chão mesmo. Enquanto participante fico feliz pela rasteira dada, enquanto mestra penso que não tenho mais ideias de reviravoltas para essa semana. Acho que para o Crítico Infinito deu de auê. Pois que fique no chão. 

No pasto em frente a minha casa consigo ver três vacas e um bezerro. Fazia tempo que não olhava isso, considerando a disposição da minha mesa nas últimas semanas. Fiquei feliz em saber que no projeto do loteamento vão construir uma pequena praça em frente, ao invés de outra residência. Espero que as vaquinhas continuem ali por muitos anos. 

Vergonha na cara tomada, catei umas coisas na geladeira e fiz uma mistureba pra cumprir o propósito de almoço. Comi enquanto lia mais um capítulo de Dados & Disputas da Kristy Boyce. 

Apesar de não ser muito de doce, senti falta de finalizar a refeição com um. Cacei o pote com restinho de brigadeiro de colher na geladeira, de semanas atrás, mas Toni já tinha dado o fatality nele. Eu fico realmente chocada em quanto tempo essas coisas duram na geladeira sem estragar. Achei no armário outro doce e fui feliz com uma barrinha de doce de leite com amendoim. Ignorando completamente minha intolerância a lactose. 

No grupo mais uma vez a pauta derrota do vilão, que aparentemente ficou tão frustrado que causou a queda de outros blogs. Graças à Deusa Bëwa esses blogs já foram reativados. O vilão realmente terá seu último dia nesta quarta-feira e essa mestra cansada dará uns dias de tranquilidade para nossos aventureiros. Uma pausa para nos prepararmos para o vilão da próxima semana. Preciso rever os HPs dos outros vilões. Aí do nada os caras tão lá papeando sobre modelos de mixer, juro. Adoro essa comunidade!

Uma trégua na barulheira da obra, devem estar almoçando. Olho para a frente de casa, agora são oito vacas. Nem sabia que haviam tantas. 

Sono ameaça me dar uma rasteira pouco tempo depois, decido me esticar na cama para uma cochileta russa. Ainda é estranho poder fazer isso pleno dia útil, estar desempregada. Parte de mim ainda fica com certo peso na consciência, pensando se já não deveria começar a mexer meus pauzinhos. A outra parte lembra o porque de eu ter me desligado, do quanto esse momento é importante pra minha saúde. No fim, pensei demais e desisti de dormir. 

Nada do pintor chegar, provavelmente não virá hoje novamente. Além da cerração não passar totalmente, começou a chover. As chances dele aparecer realmente parecem mínimas. Vou enfim para a minha terceira caneca de café e aproveitar o silêncio e o climinha propício para ler mais alguns blogs. Melhor ainda, lembrei que tinha bolo! 

Não sou fã de bolo, num geral, mas bolinho caseiro fofinho sem recheio eu gosto. Em casa, é muito raro eu colocar cobertura e se coloco é a pedidos da Sara. Só a massa fofinha, sem ser muito doce e com um cafézinho, fica perfeito. 

Olhando esse post já quilométrico, nem escureceu ainda, e pensando que, assim como ontem, hoje é mais um dia usando sutiã desnecessariamente. Eu poderia estar no conforto dos meus pijamas! Nem conheço o pintor mas já odeio ~pakas. 

Será se na época do Orkut existia alguma comunidade odeio prestador de serviço que não cumpre o combinado? Não lembro se adultos utilizavam aquele rede social e isso definitivamente não parece um problema recorrente entre adolescentes. 

Resolvi abrir um pacote de salgadinhos da Sara e peguei um pouco, torcendo pra ela não surtar quando descobrir. Depois de ler em algum post a menção à coquinha gelada, precisei pegar uma na minha geladeira para completar o petisco aleatório dessa tarde. Segue chovendo muito e a cerração parece ter aumentado novamente. Logo Toni e Sara devem chegar em casa. 

Já vi que o vilão foi derrotado e agora minha meta pessoal é acompanhar em quantos pontos negativos o safado vai terminar a semana. 

Tomo minha medicação do dia, desço pra dar uma ajeitada na cozinha. Ninguém merece chegar cansado e estar tudo revirado. Prometi que hoje, como não tinha aula para assistir, poderia sentar para pintar com a Sara. Pintamos um pouco enquanto papai prepara a janta e nesse momento já sinto que o sono, por conta da medicação, seria violento. Logo meu humor azeda, os olhos começam a pesar. 

Pergunto para o Toni se é assim que as pessoas se sentem normalmente, quando não estão com a adrenalina bombando 24/7, esse sono que vai e vem quase que diariamente. Mal termino de jantar, derrotada, Sara já me libera para ir dormir. Agradeço o gesto, nem sempre a mini chefe libera, e capoto antes mesmo das 20h. 

Assim termina minha quarta-feira. 

Um comentário:

  1. O vilão da semana não esperava tantos pergaminhos! Tá todo mundo onfire! haha
    é uma delicia ler esses posts de dias comuns, eu amo os seus <3

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