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12.11.21

Ultimamente o caos aqui de casa tem me incomodado mais do que o de costume. Móveis demais, tralhas demais, bagunça demais. A dificuldade em encontrar tempo pra reorganizar as coisas, em encontrar energia pra pensar no que dá pra melhorar. O esgotamento físico e mental tem queimado o pouco de paciência que restava por sobreviver aos últimos dois anos. Tá foda.

Acho que consegui parar pra ler no horário de almoço umas duas vezes, provavelmente pensando em outras coisas enquanto fazia isso. Talvez só lembre da história por conhecer dos filmes que assisti infinitas vezes — Senhor dos Anéis — e não por de fato estar envolvida na leitura. Não me culpo, só fico desanimada mesmo. Bate a saudade de me deixar levar por qualquer história que me permita fugir um pouco da realidade. Aquela dose de alienação que estamos em situação de: precisada! 

Choveu muito, as roupas demoraram anos luz pra secar e Sara cansou da nossa cara dentro de casa diversas vezes. Fugimos para a Gamboa em uns três finais de semana porque a chuva lá parece incomodar bem menos do que aqui. Lá Sara tem bastante espaço para fazer bagunça e eu posso ser filha e pedir colo também. 

Dormi mal e pouco mais vezes do que me lembro e dei muito colo para acalmar chororô de nenê doente. Os dias de lutas e dias de glória que a creche proporciona, e dale imunidade. 

Outubro marcado por muito café em casa, lanchos no escritório e panquecas nas idas para a Gamboa. Abusando dos meus comfort food porque só com um pouco (ou muita) droga para manter algum nível de sanidade. 

Olho para as fotos que revelei querendo dar vida para minha escrivaninha e já sofro com a ideia de que esse canto voltará a ser estação de trabalho do excelentíssimo. Boatos de que ele se manterá no home office e de que estarei mais presente no escritório no ano que vem pedem reformulação na utilização dos móveis de casa. 

Por fim e não menos importante, enfim com a segunda dose da vacina no braço e com o diploma da graduação nas mãos. Aos trancos e barrancos Outubro passou. 


6.11.21

Se um dia julguei minha mãe por comprar roupa de banho combinando para nós três — mãe, mana e eu — eu já não lembro mais. Se um dia chamei de cafona quem compra roupa de filho combinando, eu já não lembro mais. Ou melhor, pra ser bem sincera, eu lembro e penso caramba, eu me tornei quem eu mais temia: a pessoa que que compra roupa pra combinar com o filho. É, acho que mãe tem alvará pra ser cafona e a todas que julguei, aqui estou mordendo a língua. 

06/2021

Dia desses ainda chegou um conjunto que comprei para mim e Sarinha e estou ansiosíssima para que o clima esquente mais um pouco e podermos cafonar novamente (aguardem novos capítulos). 

Dou risada toda vez que procuro um amarrador de cabelo da Sara que combine com a roupa que ela está usando. Quem diria ein Barbara? Dizem vozes na minha cabeça por eu ter rido de todas as fotos que tenho de infância em que pareço combinar até com a decoração do quarto.

A maternidade tem sido muito aquele meme dessa água não bebereis e que no fundo bebereis demais

Podia ser ruído mas na verdade o espelho estava sujo mesmo.

Bônus do dia pra quem ainda não viu ou, como eu, quer assistir pela milésima vez: compilado de vídeos de Sarinha de 04 a 07/2021. 

26.10.21

Da série de coisas que dão uma gastura imensa na gente mas que a fada da amnésia materna faz questão de apagar: festa de aniversário de 1 aninho. Sim, vamos falar da festinha da Sara.

Antes da existência de Sara eu pensava nessas comemorações como algo que não fazia muito sentido. Todo um empenho que parecia ser muito mais para os pais e convidados, do que de fato para criança. Por que diabos então gastar tanta energia e dinheiro com isso? Porque sim, porque o alvará de (insira aqui o nome que preferir) ele vem. Tenho a constante sensação de que quando viramos pais o alvará vem com força, pra ser besta, pra ser cafona, pra inventar moda aonde não tem, pra gastar energia que já está em falta, mas basicamente, pra tornar mais divertido a loucura que é sermos pais. 

Pais são bestas, querem comemorar a vida da nenê, querem comemorar o fato de simplesmente terem sobrevivido ao caos dos primeiros 12 meses. Querem registrar o momento, e quando falo querem é de mim mesmo que estou falando. Sara que me desculpe mas já registrei muito cocô explosivo como quem guarda um troféu do dia que muito provavelmente a nenê dormiu bem sem cólica ou gases. 

Tinha muito o que comemorar. Dessa vez, no papel de mãe, o que não fazia sentido era não fazer nada, deixar passar em branco. E lá fui eu nos 45 do segundo tempo inventar moda. Por mais que fosse algo apenas para nós aqui de casa, eu queria algo pra recordar com carinho e que não parecesse apenas mais um dia na nossa rotina. Ah, as coisas que a gente inventa. 

A única certeza que eu tinha era de que a temática seria dinossauros (para a surpresa de ninguém) e que a Sara vestiria um tênis. Minha mãe não queria que ela vestisse qualquer roupa, afinal seu primeiro aniversário, e também achava que apenas uma sapatilha combinaria com o vestido que ela daria. Continuei com a ideia do tênis, Sara usou os dois calçados. 

A decoração comprei na véspera do aniversário, quase desistindo de tudo. Não achei o que mentalizei mas me virei com o que achei porque né, ninguém mandou deixar para última hora. Não bastando a péssima ideia de viver perigosamente, pedi ajuda da minha mãe e irmã. As duas entenderam que podiam vir mais tarde porque a outra viria mais cedo. Nenhuma veio cedo e 10am eu já estava em paniquito. 

Uma coisa que aprendemos com filho pequeno é que qualquer evento-comemoração-whatever é melhor que aconteça durante o dia. Por mais que tudo bem fugir da rotina deles de vez em quando, sempre corremos o risco de algo simples se tornar estressante tanto pra eles quando para os pais. Se a criança estiver com sono, fome, o que for, ela não estará nem ai (com toda razão) se é hora de cantar parabéns, de tirar foto, se deu trabalho montar o rolê todo. 

Voltando para a decoração, pensei em largar tudo e ir para um boteco algumas vezes. Imaginando todo o caos de não dar conta e Sara cansar de tudo, o nervosismo bateu sim. Vejam bem, eu nunca decorei festa de aniversário (que eu me lembre) e tinha pouco tempo pra montar um arco de balões que eu nem sabia como começar. Quando vi era sogra falando pra fazer de um jeito, minha mãe de outro, ninguém entendendo o que eu estava falando e o Toni querendo se jogar da escada com os balões porque já tínhamos derretido o cérebro dele antes das 12h. Em vez de ir para um boteco (que seria uma boa ideia) eu fui encher balões enquanto as duas se entendiam na varanda de casa. 

Mais tarde, quando vi a coisa toda criando forma, o nervosismo foi indo embora. O bolo ficou melhor do que eu imaginava, as cores dos únicos dinossauros que encontrei parece ter dado vida a mesa, Sarinha ficou linda de vestido e tênis, também de sapatilha. Rimos da correria, rimos do meu nervosismo, rimos que ela ficou vestida poucos minutos depois das fotos porque a roupa não era muito prática para uma nenê aprendendo a andar e que ficou, antes de trocar de roupa, com o vestido cheio de grampos de roupa colocados pelo meu sogro na tentativa de tornar a mobilidade dela menos caótica. 

Foi caótico mas foi gostoso. Comi coxinha gelada e excomunguei a ventania. Agradeci ao dia de sol, aos melhores docinhos que já comi na vida. Falei que tão cedo não inventaria mais algo do tipo e já estou aqui rindo dos registros desse dia e pensando em qual será o tema do aniversário de 2 aninhos. A fada da amnésia materna, ela é traiçoeira.