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18.5.24

ABRIL, 2024 — Mês de muitas camadas emocionais mas a pastinha no celular cheia de registros bonitos. Além de que teve os quinze dias de férias, aqueles dias de quase descanso em que comecei loira e terminei já não mais loira. Descansos, pensamentos, agitações e outras coisas. Então cá estou tentando equilibrar os olhos de Abril com os de hoje para ver no que vai dar. 

❤️

As férias foram um tanto quanto interessantes, por falta de palavra melhor para descrever, a julgar pelos desabafos que rolaram em outros posts por aqui. Como a inquietação não acometeu apenas a minha pessoa, meu parceiro de vida e dessa vez também de férias se sentiu necessitado tanto quanto eu de aproveitar a oportunidade para caminhar todos os dias que achamos possíveis. Foram alguns. 

Caminhar em horário de herdeiro pareceu ser algo bem interessante para se colocar na nossa lista mental de coisas para ocupar o tempo livre caso um dia a gente se aposente. Pouca gente na rua, pouco trânsito, sair de casa sem pressa, sem horário marcado. É, seria bom. 

Aproveitamos para dar um pulo em Imbituba/SC com o intuito de matar saudades e tentar aproveitar um última dia de praia. Como os dois dias de chuva nos deixaram escondidos dentro da casa restou papear, comer e aproveitar a banheira difelente da vovó, como diz Sara. E não adianta, a parte da banheira eu não consigo fingir costume não. Sempre boquiaberta pois chique demais. 

Medo de piscar rápido demais e ter uma adolescente pedindo pix para ir passear com as amigas do colégio sabe? A gente pisca e já vai escovar os dentes sozinhas, já abre a geladeira para pegar seu suquinho preferido. A cara de alegria pode ser autonomia ou porque nos finais de semana a pocalia é permitida, mesmo que com moderação. 

A leitura se manteve presente na rotina, seja no caos dos dias de semana ou na calmaria que os finais de semana eventualmente permitem. Ler antes do expediente começar e no intervalo do almoço, atenta no relógio a cada página-capítulo alcançado. Ler sem tempo para contar nos sábados e domingos. Assim como o ritual da noite, seja ele dia de semana ou não, ler enquanto Sarinha abraça (as vezes com muita luta) a hora de dormir. Rotina que eu nem sei como consegui fazer dar certo mas que tem me feito muito bem. 

Também foi o mês que eu resolvi colocar em prática uma outra vontade que tinha começado a pipocar na minha cabeça, a de voltar a ter meus cabelinhos naturais. O pós parto, maternidade, as químicas no cabelo e sabe-se lá mais o que me fizeram perder um bocado de fios, muitos fios. Cabelinho já fino ficou ainda mais ralo e isso tem me incomodado. 

Apesar de desapegar com facilidade dos surtos capilares conforme novas ideias e vontades vão surgindo, nunca tive muita paciência para os cuidados e gastos que isso exige. Saudades de lavar os cabelos com shampoo barato e deixar secar naturalmente sem me preocupar em parecer com uma boneca velha. Então pedi para a cabelereira que já fez de quase tudo no meu cabelo nos últimos vinte anos para deixar o mais próximo da minha cor natural para eu enfim deixar o pobre crescer em paz. 

Cheguei do salão e já fui registrar a mudança antes de voltar a parecer as bonecas descabeladas da Sara, o que ainda me acontece com uma frequência assustadora. Sara quis aproveitar o momento para aparecer no máximo de fotos possíveis. 

O eterno estado de boneca velha se dá, vejam bem, porque minhas habilidades capilares se resumem tranquilamente ao que me aconteceu dia desses. Consegui prender uma mecha considerável do topo da cabeça na máquina de babyliss que minha mãe me deu. Pelos segundos desesperadores que aquela porcaria ficou agarrada no meu cabelo porque acabou a bateria eu jurei que, antes que a coragem enfim me agraciasse (algo que eu mentalmente reservava para anos luz a frente), eu iria enfim matar a curiosidade de ver a cabeça dessa que voz fala raspada. Não sei quem demonstrou mais pavor durante a fatídica cena. Eu procurando tirar calma do cy, o Toni pensando se dava pra desmontar essa arma capilar ou a Sara sem entender direito o que diabos estava acontecendo. Graças, não foi dessa vez que o cabelo foi todo de arrasta pra cima.


Parece errado demais dar peso apenas aos dias emocionalmente tumultuosos sabe? Tantos dias em que sorrisos sinceros dizem tanto também, dias que me fizeram pensar na vida sendo tão mais divertida. Registros demais para alguém que consegue medir o peso dos sentimentos do mês pela quantidade de registros. E julgando pelo quão quilométrico esse post ficou, é, o saldo foi bom. 

Bônus do mês: Enfim criei coragem para escrever no meu Substack. Decidi parar de pensar demais sobre escrever lá ou aqui e comecei. O blog continuará firme e forte já que não pretendo abandonar esse espaço, mas achei interessante me aventurar na outra rede também e ver se assim arrisco mais em transformar em palavras, mesmo que bagunçadas, as coisinhas que passam nessa cabeça. 

❤️

22.4.24

Revendo as fotografias de domingo e pensando em como a minha menina está crescida, mais alguns meses e Sara completará sua quarta volta ao Sol. Piscamos e essa mini humana cheia de energia e desejos já quer escolher as roupas que vai usar, abre a geladeira sozinha para matar suas vontades, retribui carinho e chamego na hora de dormir. Hoje nem tinha encostado na primeira caneca de café e já batia a saudade da bonita depois de tê-la deixado na creche. 

Sinal de um final de semana tranquilo em que o silêncio da segunda-feira não se tornou uma urgência a sanidade, como as vezes acontece. Há aqueles dias, em doses cavalares nos finais de semana devido as horas envolvidas, em que é difícil lidar com o combo caótico e dolorido do cansaço, da insegurança, da coisa doida que é educar uma criança. Falta energia, cabeça, paciência, a coisa toda. Nesses dias o silêncio da segunda-feira é uma urgência e tem um gosto amargo auto condenatório. Mas tem também os finais de semana como esse último, em que esse silêncio proporciona saudade e contemplação. Saudade da minha amiga faladeira. Está crescendo tão rápido...

Eis que vez ou outra me pego pensando nas minhas rotas de fuga quando os pensamentos pesam demais — questões não resolvidas da vida adulta, relações familiares & outras convivências complicadas — e as vezes não é nem sobre fuga e sim algo mais para together is my favorite place to be seja lá onde for com a família incrível que estou construindo. Caramba, como essas duas criaturas são tanto o meu lugar favorito

O tempo todo pensando que bom que a gente tem a gente de verdade, meu refúgio e todos os quotes fofos sobre amar até transbordar e lar é onde o coração está

Na mesma energia de outra citação que gosto muito¹ e que já cheguei a usar em outras ocasiões por aqui, domingo foi today is my new favorite day com excelentíssimo e filhota, meus dois raiozinhos de sol. 

¹ 
“Any day spent with you is my favorite day. So today is my new favorite day.”
― A.A. Milne

Aproveitando a maravilha que é o Outono nesta cidade, retomando nossas programações de conforto para um domingo ensolarado. Passear com a pequena² pelo bairro logo cedo, alguns minutos no parquinho, passar no mercado para comprar o que falta para o churrasquinho a ser desfrutado na nossa varanda. Sem qualquer programação datada para sair dessa casinha e já sofro com a possibilidade do dia que precisarei me despedir. 

² Dia desses Sara me corrigiu. Disse que não é mais meu bebê mas que também não é criança. Eu sou pequena mamãe, disse ela como se fosse a maior tolice eu não ter observado. Sarinha é grande então ainda tentei continuar a conversa. Não mamãe, não sou grande. Eu sou pequena!


Uma pena que a água desse trecho do mar já era impropria quando eu tinha a idade da Sara, quem dirá agora. Ainda assim vale a vista, o passeio, o momento de contemplação por enfim a chuva dar um trégua, cada unidade de energia gasta convertida em alegria nessa bichinha. Ô guria para gostar de bater perna na rua. 

Quem convive comigo já está acostumado a me ver querendo eternizar cada momento lindamente tolo do meu dia por meio de fotografias e vídeos. Isso quando não é o celular num canto filmando a ponto de eu esquecer que ele está ali e que me renderá muitos prints-de-vídeo favoritos e tantos outros registros que eu amo profundamente rever. Graças a essa mania o blog ainda segue vivinho e meu instagram³ segue sendo meu bom álbum de figurinhas. 

No registro de cima, por exemplo, vocês podem observar o Toni tentando entender como eu gostaria que fosse fotografado as várias casinhas de abelhas Jataí que meu sogro tem no quintal. Inclusive, se olharem bem, no nosso telhado tem uma casinha improvisada que eu mesma demorei meses para descobrir que sogrinho tinha colocado ali. 

³ Cheguei a conclusão de que lido com meu instagram como se ele de fato fosse um álbum físico disposto na mesa de centro da sala. De vez em quando sento e acesso meus albinhos virtuais saudosa. Já os stories estão mais para uma versão visual do meu twitter mental. Fico monotemática falando das mesmas leituras, compartilho minhas unidades de cansaço e várias doses da Sara sendo fofa. 

Curiosidade: Nunca consegui criar um closed friends por não conseguir decidir quem colocar. Uma mistura caótica de: coração de mãe sempre cabe mais um; vai que fulano fica triste se descobrir que não o inclui; vai que eu me empolgo demais e sem querer publico para geral; como diabos separar o que é para todos e o que é para alguns. Toda vez que penso nisso desisto da ideia e sigo sem ter a minha versão closed friends galera. 


Fiz a sogra rir ao me ver trepada na escada ao lado das abelhas e nessa hora eu queria estar com o celular em mãos para ter eternizado esse momento também. Como saímos feito fantasminhas nas duas primeiras fotos (acima) — Sara quis participar também e, doida para se aventurar na escada, levou a prima Ana junto — pedi para o Toni tentar uma terceira foto que acabou saindo estourada.

Um pouco borocoxô por não ter saído exatamente como eu esperava — tão bonito na minha cabecinha — mas só de escrever isso aqui vejo que esses registros eternizaram na minha memória várias outras coisinhas. Achei justo então não sacrificar a terceira foto abelhuda. Preciosa demais. 

A vida é muito mais divertida sendo compartilhada com meus dois raiozinhos de sol que topam minhas tolices fotográficas e me fazem bater perna pelo bairro que cresci, desbloqueando tantas outras memórias gostosas...

20.4.24

Bem bonita pensativa estendendo as roupas no varal porque graças ao deuses o sol deu o ar da graça. Estendendo roupa enquanto montava nessa cabecinha um possível post de divagações sobre a minha vida para trazer pra cá. Obviamente sentei a bunda na cadeira e esqueci toda a linha de raciocínio. 

Sara jogada no sofá se deixando levar pelo soninho sozinha porque dessa vez não liberamos cedo a exigência dela de ver desenho. Caiu no sono enquanto eu escrevia isso antes do almoço. O cheirinho acolhedor de comida sendo feita, um oferecimento Toni porque essa habilidade eu não tenho. 

Recebi email da universidade avisando que essa próxima semana teremos chat síncrono e então me dei conta que esqueci completamente ou apenas ignorei a existência da pós graduação nessas duas semanas de férias, que infelizmente também já estão acabando. Parte de mim aliviada para voltar a rotina caótica e parte de mim querendo viver coisas em horário de herdeira, tipo caminhar e ler. 

A parte complicada de viver esse período com tempo pra existir na internet e dar peso demais as coisas é achar que aquele pitaco lá é sobre você mesmo provavelmente não sendo pois quem sou eu na fila do pão. Aquele momento em que me pego pensando será se fui babaca e minhas doses de alegria foram demais e mal interpretadas? Novamente, quem sou eu na fila do pão. Grandes chances de não ser sobre mim porém sempre a oportunidade da gente se remoer pensando se existiu demais, compartilhou demais, falou demais. Existir na internet um grande pisar em ovos. Talvez por isso eu não saiba brincar de twitter, levo as coisinhas para o coração. 

Nessa hora tento voltar para o aqui e agora lembrando da minha própria realidade e próprias motivações. Lembrando do meu caos organizado e que, assim como eu não sei o que passam por lá, não sabem o que passo por aqui também. As tristezinhas dos últimos dias? Guardadas e esquecidas temporariamente em alguma gaveta porque fiquei com preguiça de lidar com elas e essa cabecinha não troca figurinhas com a terapeuta já tem alguns meses. 

O que me fez lembrar do último encontro com a terapeuta, eu falando que cansei de sentir algumas coisas que fizeram o ano passado um tanto quanto sofríveis emocionalmente e que como o cenário basicamente não mudaria eu resolvi clicar o botão imaginário em que deleta aquilo tudo. Terapeuta ainda questionou o que eu fiz para alcançar aquilo e eu não tenho a menor ideia. 

Cansei de lidar com o copo cheio demais, tentando não deixar transbordar, sempre pensando em quando poderia chutar o maldito copo cheio. Resolvi simplesmente esvaziar a porra do copo porque sem qualquer unidade de energia para continuar lidando com aquilo. O grande segredo? Sigo sem saber. Acho que sem querer apertei os botões certos e consegui dar um fatality como em Mortal Kombat mas sem a menor ideia de quais botões eu apertei pra chegar naquele resultado. Aliás até hoje triste por ter perdido a chance de ganhar um salgadinho por não saber como diabos dei aquele golpe jogando com meu primo. Foi sem querer. 


Rotina que não muda: chamego e leitura antes de pegar no sono.

Inspirada no Almanaque da Emi, umas coisinhas por aqui...

Assistindo

Sigo com saudade de ter tempo, energia e cabeça para assistir filmes e séries novas. Raramente as três coisas estão disponíveis juntas. 

Único filme que arriscamos ver nas férias juntos foi Velozes e Furiosos 10 basicamente por já saber o que esperar. Demos gostosas gargalhadas porque é tão ruim que é bom. Memória afetiva por conta da Barbara que realmente gostava dos primeiros filmes da sequência, apego aos personagens, misturado com o tanto de coisa absurda que tem no filme —  um oferecimento filmes de ação versus leis da física — e algumas referências que posso ter tirado do cy mas que me deixaram feliz sendo reais ou não. Para a surpresa de ninguém terá mais um filme e continuarei alimentando as mesmas expectativas.  


Lendo

Comecei ontem Trono de Vidro: Coroa da Meia-Noite (Vol. 3). Celaena Sardothian, te amo. Gostando bastante desse tipo de leitura. Acho interessante como a gente vai pegando o ritmo da história depois de ler tantos livros da mesma autora. Uma variedade de possibilidades vão se desenrolando na minha cabecinha enquanto a trama vai acontecendo. Algumas suspeitas se concretizam e outras não, o que pra mim só torna a leitura mais divertida. 

Sigo aproveitando o pique de leitura que os livros da Sarah J. Maas tem me proporcionado mas já salvando outras indicações que tenho visto por ai para me aventurar depois. 


Link

Texto da Julie Azevedo sobre o filme Dias Perfeitos, apreciação e contemplação da vida cotidiana. Nessa edição da newsletter dela também compartilhou uma playlist com a trilha sonora do filme. A dica dela era de ouvir após já ter assistido o filme mas por aqui a curiosidade foi maior e isso só aumentou minha vontade de também assistir essa belezinha. Já entrou para a minha listinha de coisas para assistir.


Wishlist

ÓCULOS DE SOL — o meu atual comprei em uma loja de cacarecos e só os deuses sabem o que me proporcionará a longo prazo. Além de eu me sentir uma alienígena usando ele para caminhar (sinto que não combina com a skin fitness).

TÊNIS VANS ROSA — porque eu vi um vídeo de outfit no Tiktok que era simples mas o tênis chamava toda a atenção e agora eu simplesmente sinto que preciso de um. Não cheguei a pesquisar no vídeo que modelo era mas fuçando o site da Vans achei um parecido pelo menos na minha cabeça, o modelo KNU e suas variações. Gostei do modelo Knu Skool Seasonal Hero Pink True White porém nada disposta a sacrificar tantos dinheirinhos no momento. Quer dizer, disposta estou porém ryca infelizmente não sou. 

JAQUETA DE COURINO PRETA — apesar de ter abandonado as madeixas louras, saudades de me sentir um pouco a noiva do Chucky. 

Do começo desse post até o fim já se passaram algumas horas. Sara já acordou da soneca no horário do almoço, comeu, brincou-tretou-brincou com as primas, desceu as escadas para falar com os avós e subiu diversas vezes. Termino o post agora com Sara já dentro de casa, jogada no sofá, porque os morcegos já começaram a passear na rua. 

16.4.24

Chove já faz 84 anos e na segunda-feira acordei menos tristonha que no dia anterior. Achei que a próxima aparição aqui seria conforme programação normal, aquele punhado de pensamentos contemplativos quase que programados para ver a beleza no caos do dia a dia. 

Talvez seja só esse excesso de chuva me mantendo dentro de casa nas férias e talvez seja o efeito segunda semana de férias, na segunda semana você meio que relaxa. As doses de culpa por não ser produtiva diminuindo e me deixando existir por algumas horas na cama em pleno horário comercial. 

Lendo: A Lâmina da Assassina (Trono de Vidro), de Sarah J. Maas. 
 

Poderia estar refletindo sobre o motivo da tristeza mas resolvi aproveitar o tempo livre, coisa rara, para ser triste com calma. Fugindo dos problemas da vida enquanto leio sem culpa e me imagino sendo também uma guerreira destemida como se eu sequer tivesse coordenação para isso. Eu, a pessoa que não se confia em cima de uma bicicleta quem dirá brincando com adagas. Ainda bem que os pensamentos são meus para eu ignorar o que eu quiser. 

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Deixamos Sara na creche hoje e fomos para a feira. Fui encarregada da tarefa de escolher bons pinhões entre uma pilha de pinhões novos demais. Escolher pinhões, escolher mesmo, levou um tempo e descobri que esse tempo se transforma em tempo para pensar. Imagina se essa cabecinha resolvesse apenas se concentrar na tarefa em vez de abrir outras abinhas mentais, não é mesmo? Se cabeça vazia é oficina do Diabo o coitado não tem espaço em cabeças tagarelas demais. Se escolhi os pinhões certos só descobrirei mais tarde depois de cozidos. 

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Lembrei de um texto que li essa semana e alugou um tríplex na minha cabeça, Sobre as coisas que fazemos pela última vez da Michele Contel. E é isso. Não organizei o triplex o suficiente para dissertar a respeito mas fica aqui a nota caso passe uma borboleta e eu nunca mais divague sobre isso por aqui. O que acho particularmente difícil mas nunca se sabe. 

A gente nunca sabe quando faremos coisas que amamos pela última vez.

E essa é uma das coisas mais bonitas e tristes que a gente aprende no decorrer dessa longa jornada.

— Michele Contel

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Nessa de ter tempo graças as férias para me aventurar nas outras redes dessa internet algumas coisas me chamaram a atenção, além do fato de que sigo sem lembrar como é usar twitter e as outras duas redes que parecem ter surgido com uma proposta parecida. Sinto que perdi a mão para como e quando deixar os pensamentos ou meus centavos sobre qualquer coisa escaparem então sigo soltando elas aos poucos apenas por aqui mesmo.  

Nas tentativas de me inteirar da coisa vi que pessoas seguem revoltadas com qualquer coisa que muitas pessoas resolvam fazer. Aparentemente tem uma galera odiando o fato de que outra galera resolveu entrar no hype da corrida, como dizem. Meus centavos sobre isso? Aquele 01 centavo que quando criança me deixa comprar um chicletinho no mercadinho do bairro. Acho massa pra caramba acompanhar pessoas da minha bolha virtual se aventurando em coisas que as fazem bem. Fim. 

Tem também a turma revoltada porque tem quem fale que um livro não é bom por não ter putaria. Revoltadíssimos esbravejavam: — Desde quando um livro para ser bom precisa ter putaria? Desde nunca acho. Cada um tem seus próprios critérios para definir um leitura boa ou não, acredito eu. 

Por aqui, por exemplo, consegui regatar o hábito da leitura depois de descobrir a existência de livros de fantasia com muito smut. Meus centavinhos? Tem quem gosta e tem quem não gosta, fim.  

Talvez por não saber mais me expressar nessas redes eu ache essa revolta por qualquer coisa mais engraçada do que deveria. Também não me sinto a pessoa super culta evoluída espiritualmente por praticamente não mais usar o twitter. Na grandíssima verdade eu queria mesmo era relembrar como é reclamar de coisas aleatórias nas redes sociais mesmo que gerasse entretenimento para outras pessoas por muitos ou poucos centavos. Deve ser bom eventualmente discordar ou concordar das coisas não só na nossa cabeça. 

2 centavos ou uma revolta misteriosa?

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Pronto, um pouco menos de coisas aleatórias ocupando espaço na minha cabeça. Já posso ler mais um pouco e continuar me imaginando uma grande guerreira destemida

14.4.24

A camiseta que costuma representar a energia do dia no trabalho serviu bem como pijama hoje. Já são horas demais com dor de cabeça e o remédio que costuma resolver o problema acabou. Querido diário, socorro. 

A ressaca que me abraçou sexta-feira a noite se fez presente até sábado de manhã, ao que tudo indica. Não perdendo o embalo se aninhou com uma sinusite porque sempre dá para piorar. Eventos familiares são propensos a fortes emoções e dessa vez me senti mais do que atropelada. Eventualmente saber da real opinião de pessoas próximas (sejam verdades, pensamentos, achismos, whatever) pode ser desnorteador para cacete e lidar com a tristeza enquanto sua filha pergunta o motivo torna as coisas um pouco mais difíceis. Nada surpresa acordei com uma puta dor de cabeça e com a cara inchada afinal chorar não te faz acordar bela nem plena

Me senti uma grande palhaça recebendo a mensagem do dia no Co-Star ✌🏻🤡.

Resolvi então aproveitar o sofrimento existencial do momento para divagar um pouco nesse espaço que existe não só para as bonitezas da vida. Hoje eu vim para chorar as pitangas mesmo. 

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Estou frustrada porque não consegui colocar em prática por aqui o BEDA no formato que a Lana sugeriu. Cheguei a anotar ideias num papelzinho que tenho encarado quase todo dia e me sentindo uma grande ameba por não ter conseguido sequer começar. 

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Essa primeira semana de férias foi esquisita. Acho que é a primeira vez que excelentíssimo e eu conseguimos férias juntos e por pura exaustão não programamos nada para fazer nesse período. O que resultou numa experiência bizarra de duas pessoas no mesmo espaço tentando descansar mas sem conseguir porque ansiosos demais lidando com a culpa bizarra de não estar sendo produtivo durante o processo. Coisa para fazer sempre tem, mas energia e vontade... 

Decidir caminhar nos primeiros três dias ajudou a diminuir esse sentimento de culpa absurdo — saber que merecemos descansar e que não deveríamos sentir culpa só torna a coisa toda ainda mais ridícula mas não mais fácil — porém como os últimos quatro dias foram de chuva já sofro de abstinência. Sem falar que ainda temos mais uma semana de férias pela frente, juntos, e só os deuses sabem o que faremos com isso e quais sentimentos-sensações nos esperam.  

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Cansada do meu cabelo já estou. O glamour e autoestima foram todos gastos no meu aniversário, aparentemente, e aproveitei o embalo da tristeza para perguntar se essa semana minha cabeleireira tem horário. Sem grandes surpresas do que tenho em mente, saudades demais do cabelinho natural e bagunçado. O que me faz pensar que talvez eu nunca soube finalizar ele e agora estou curiosa se é possível algo que beire a estilo e não a desleixo. 

Por mais legal que seja, descontar surtos no cabelo é caro e trabalhoso. Sigo sem energia para manter esse luxo e já sem cabelo para isso também. Perdi um bocado no pós parto, sabe-se lá em quantas etapas caóticas da vida também, e conseguir enxergar meu couro cabeludo com facilidade tem me deixado mais aflita do que eu gostaria. Quero meu cabelinho de volta. 

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Fruto muito provavelmente do cansaço nem ousei planejar algo para essas férias além de existir no conforto da minha casa. O problema dessa decisão é bater também a dúvida se eu deveria estar fazendo outra coisa, como se até tirar férias tivesse um manual de como fazer do jeito certo. Hmm as pessoas fazem coisas nas férias, viajam, conhecem lugares, acumulam experiências e coisa e tal então eu não deveria estar fazendo o mesmo? Não deveria nada só porque os outros o fazem mas cá estamos tentando me lembrar do óbvio. Tudo bem fazer coisas, tudo bem não fazer porra nenhuma nada. 

Ainda assim lutando com as vozes na minha cabeça comecei a pesquisar chalés no meio do mato porque eu até posso inventar de viajar mas grandes chances de ser com a intenção de apenas me isolar em um lugar diferente. O obstáculo, além da falta de energia mental para colocar em prática e o quanto custa existir fora de casa, é que aparentemente chalés agora são feitos apenas para casais curtirem o próprio romance. Você pode treinar fazer crianças mas não pode trazê-las. 

Vou enfiar a minha criança aonde então desgraça?

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Enfim, acho que atingi a cota de amargura do dia e aproveitei pra compartilhar outras amarguras. Chorando as pitangas só por chorar mesmo, pra reorganizar a coisa toda na minha cabeça, talvez pra deixar registrado também. Tem dias que os pensamentos pesam mais do que deveriam, que a cabeça dói de verdade e que a paciência vai para a casa do caralho. 

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Aviso: Esse é um post desmotivacional, proibido pregar a gratidão. 

Ah mas você já agradeceu hoje por estar viva? Tem gente que... 

Foda-se! Hoje eu só queria reclamar mesmo e te convido a reclamar também se isso aliviar a tensão por ai. 

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Nos próximos capítulos provavelmente voltaremos com a programação normal. Teremos doses de gratiluz que eu quase compartilhei no meio desse post, quase. Caralho que cérebro tóxico.

Fim.