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1.12.20

Reflexões maternas

De vez em quando paro para rever alguns registros da galeria do meu celular e fico pensando sobre coisas que mudaram, a saudade de alguns momentos, as experiências vividas e aprendizados da maternidade. Vocês já devem estar cansados de saber que é exaustivo, que existem uma infinidade de perrengues, que as pessoas dão pitacos não solicitados o tempo todo, etc etc etc. Mesmo euzinha aqui sabendo disso, me peguei sofrida desnecessariamente, por assim dizer, algumas vezes. Pois é. Sabemos o que ignorar e ainda assim, quando ouvido no dia errado, aquilo corta a gente em pedacinhos e lá ficamos nos torturando até nos darmos conta de que o maternar é diferente pra cada um e isso precisa ser respeitado. 

Já são quase quatro meses de Sarinha e, apesar de muita coisa não sair como o esperado, procuro sempre olhar com carinho para as decisões tomadas e o que cada decisão ocasionou. Como foi o caso da amamentação, por exemplo, algo que não durou tanto quanto gostaria talvez por uma sequência de fatores e tudo bem, tentei como deu. Fica a saudade – do nosso momento e dos seios fartos, risos – e, antes que a tristeza tente me agarrar como se eu tivesse falhado no meu papel de mãe, tento lembrar sempre no quanto Sarinha tem crescido bem e também dos prós que o desmame me ocasionou. Afinal, são escolhas dentro da nossa realidade que prezam o bem não só da Sara como o meu também, seja ele como for. Os seios se foram [kkkcrying], mas poder comer qualquer coisa sem medo também me dá paz sim. Além de claro, na prática a gente ver que existem outras formas de se criar laços com a pequena.

Os perrengues realmente passam. Dão lugar para novos perrengues mas esses também passam. Acho que justamente por ver que uma hora as coisas mudam, ficam melhores, etc, a gente já enfrenta os novos perrengues de forma mais leve. Acho até que já comentei isso por aqui. Provavelmente sim. Assim como também já cometi reflexões sobre o quão grata sou, das belezas da maternidade e todo o combo de não poderia estar mais (exausta e) feliz. Por isso sigo esse post apenas na tentativa de refletir sobre os últimos meses talvez só na esperança de reorganizar ideias e reforçar conclusões tiradas sobre todos esses processos.

É que é tão fácil a gente ser engolida pela culpa sabe? É fácil demais e saber disso nem sempre ajuda. Acho até que saber disso, de que não devemos nos culpar e tudo mais, aquele rolê da maternidade possível, só torna mais doloroso quando caímos nesse poço. Aquele feeling de eu sei o que fazer mas não tô conseguindo agora não

Maternidade possível né? Fazer o que podemos priorizando a saúde da pequena mas também respeitando nossos limites. Não romantizar as dores como se todo sacrifício devesse ser aceito com tranquilidade porque é pelo bem dela. Os pais precisam estar bem para conseguir deixar o bebê bem também. Parece óbvio mas é só mais uma frase de efeito que costuma cair na pilha de esquecimentos.

E tem dado certo por aqui, com as nossas escolhas, do nosso jeito. Tem dado certo mesmo recorrendo a coisas que achei que negaria até o final por conta de todas as leituras feitas. Bendita a chupeta que tanto critiquei antes da Sarinha nascer e que hoje já perdemos as contas de quantas vezes agradecemos pela sua mágica existência. As batalhas que a gente escolhe.

Assim segue dando certo por aqui, com cama compartilhada mesmo. O berço lá abandonado, geralmente seguindo de apoio para roupas lavadas ainda no aguardo de irem para o guarda-roupa. A sogra segue perguntando quando ela vai dormir na própria cama e eu sigo dividindo a cama com a pequena porque preciso dormir e ela parece gostar do jeito que tá. Tem batalhas que a gente deixa pra depois mesmo porque eu preciso da minha sanidade e das horas de sono. 

Depois que eu entendi que as regras da casa são os pais que fazem, adaptando a rotina do bebê numa rotina que já existia, é que as coisas ficaram mais leves e os dias pareceram menos arrastados. Equilíbrio sabe? É até bizarro parar pra pensar que nas primeiras semanas eu passava 24h do dia com ela agarrada e só largava pra fazer xixi porque até os meus banhos eu nem sempre lembrava de tomar. O cansaço físico e mental era tanto que nem Toni e nem eu nos dávamos conta do que estávamos fazendo direito. As vezes a gente precisa sinalizar mesmo e as vezes a gente simplesmente esquece. Depois que eu respondi um o que tu vai fazer? com um nada ao entregar a Sara para o pai é que nos demos conta do tipo de equilíbrio que precisávamos criar. Afinal, não preciso de tempo só para tomar banho né? Preciso de tempo pra só contemplar minha própria existência também.

Texto escrito começo de novembro e (quase esquecido nos rascunhos) que merece espaço aqui também. Pra sempre lembrar das nossas escolhas & assim vamos escrevendo a nossa história. 







 

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