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26.10.21

Coisa que mãe inventa

Da série de coisas que dão uma gastura imensa na gente mas que a fada da amnésia materna faz questão de apagar: festa de aniversário de 1 aninho. Sim, vamos falar da festinha da Sara.

Antes da existência de Sara eu pensava nessas comemorações como algo que não fazia muito sentido. Todo um empenho que parecia ser muito mais para os pais e convidados, do que de fato para criança. Por que diabos então gastar tanta energia e dinheiro com isso? Porque sim, porque o alvará de (insira aqui o nome que preferir) ele vem. Tenho a constante sensação de que quando viramos pais o alvará vem com força, pra ser besta, pra ser cafona, pra inventar moda aonde não tem, pra gastar energia que já está em falta, mas basicamente, pra tornar mais divertido a loucura que é sermos pais. 

Pais são bestas, querem comemorar a vida da nenê, querem comemorar o fato de simplesmente terem sobrevivido ao caos dos primeiros 12 meses. Querem registrar o momento, e quando falo querem é de mim mesmo que estou falando. Sara que me desculpe mas já registrei muito cocô explosivo como quem guarda um troféu do dia que muito provavelmente a nenê dormiu bem sem cólica ou gases. 

Tinha muito o que comemorar. Dessa vez, no papel de mãe, o que não fazia sentido era não fazer nada, deixar passar em branco. E lá fui eu nos 45 do segundo tempo inventar moda. Por mais que fosse algo apenas para nós aqui de casa, eu queria algo pra recordar com carinho e que não parecesse apenas mais um dia na nossa rotina. Ah, as coisas que a gente inventa. 

A única certeza que eu tinha era de que a temática seria dinossauros (para a surpresa de ninguém) e que a Sara vestiria um tênis. Minha mãe não queria que ela vestisse qualquer roupa, afinal seu primeiro aniversário, e também achava que apenas uma sapatilha combinaria com o vestido que ela daria. Continuei com a ideia do tênis, Sara usou os dois calçados. 

A decoração comprei na véspera do aniversário, quase desistindo de tudo. Não achei o que mentalizei mas me virei com o que achei porque né, ninguém mandou deixar para última hora. Não bastando a péssima ideia de viver perigosamente, pedi ajuda da minha mãe e irmã. As duas entenderam que podiam vir mais tarde porque a outra viria mais cedo. Nenhuma veio cedo e 10am eu já estava em paniquito. 

Uma coisa que aprendemos com filho pequeno é que qualquer evento-comemoração-whatever é melhor que aconteça durante o dia. Por mais que tudo bem fugir da rotina deles de vez em quando, sempre corremos o risco de algo simples se tornar estressante tanto pra eles quando para os pais. Se a criança estiver com sono, fome, o que for, ela não estará nem ai (com toda razão) se é hora de cantar parabéns, de tirar foto, se deu trabalho montar o rolê todo. 

Voltando para a decoração, pensei em largar tudo e ir para um boteco algumas vezes. Imaginando todo o caos de não dar conta e Sara cansar de tudo, o nervosismo bateu sim. Vejam bem, eu nunca decorei festa de aniversário (que eu me lembre) e tinha pouco tempo pra montar um arco de balões que eu nem sabia como começar. Quando vi era sogra falando pra fazer de um jeito, minha mãe de outro, ninguém entendendo o que eu estava falando e o Toni querendo se jogar da escada com os balões porque já tínhamos derretido o cérebro dele antes das 12h. Em vez de ir para um boteco (que seria uma boa ideia) eu fui encher balões enquanto as duas se entendiam na varanda de casa. 

Mais tarde, quando vi a coisa toda criando forma, o nervosismo foi indo embora. O bolo ficou melhor do que eu imaginava, as cores dos únicos dinossauros que encontrei parece ter dado vida a mesa, Sarinha ficou linda de vestido e tênis, também de sapatilha. Rimos da correria, rimos do meu nervosismo, rimos que ela ficou vestida poucos minutos depois das fotos porque a roupa não era muito prática para uma nenê aprendendo a andar e que ficou, antes de trocar de roupa, com o vestido cheio de grampos de roupa colocados pelo meu sogro na tentativa de tornar a mobilidade dela menos caótica. 

Foi caótico mas foi gostoso. Comi coxinha gelada e excomunguei a ventania. Agradeci ao dia de sol, aos melhores docinhos que já comi na vida. Falei que tão cedo não inventaria mais algo do tipo e já estou aqui rindo dos registros desse dia e pensando em qual será o tema do aniversário de 2 aninhos. A fada da amnésia materna, ela é traiçoeira. 

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