Conversando com alguém sobre situações no trabalho que consomem o nosso carisma, me peguei mais uma vez pensando em que bem nos faria um pouco da despreocupação das novas gerações.
De vez em quando eu penso nisso e hoje lendo um texto da Clayci (A nova relação com o trabalho e o que talvez a Geração Z esteja nos ensinando) me peguei pensando sobre isso novamente.
Eu era alguém que criticava muito o desinteresse alheio nos meios corporativos e hoje me pego invejando sem dó a tranquilidade de quem se permite esse desinteresse.
Chega a ser curioso, porque não muito tempo atrás essa mesma despreocupação me tirou completamente do sério. Como assim o querido não deu a mesma importância que eu dei para a tarefa? Ironicamente ou não, ninguém morreu porque a tarefa não saiu do jeito que eu esperava. O querido foi para casa bem e eu, por conta das minhas próprias expectativas, fui para casa completamente desgraçada da cabeça. POR QUEEE???!?!?!?!?! Porque aprendi a ser assim 🤡 Eu queria ser um pouco mais como o querido...
Acredito que ser uma maluca trabalhando como se a vida fosse só o trabalho possa até ter me garantido alcançar algumas coisas mas, quem diria, não tudo o que o mundo promete para os esforçados. Afinal, a vida como ela é, dois pesos e duas medidas.
Hoje, pagando a conta do que os excessos estão me cobrando, me pego pensando muito no meio termo, em encontrar o equilíbrio entre dosar a preocupação até onde cabe a preocupação e aceitar me despreocupar também. Um pouco daquela energia do se nenhuma vida depende disso na emergência de uma UTI agora, então calma, isso não é tão urgente assim.
Perder menos tempo criando expectativas sobre quem e o que não temos controle, ter consciência que a gente ainda precisa andar conforme algumas regras mas principalmente pegar essas belas regras e escolher quais a gente manda para a casa do caralho.
Não sei se já até comentei aqui mas outro dia caí num vídeo sobre burnout ou algo do gênero (meu algoritmo nem tenta disfarçar mais) e um dos comentários me pegou demais. No comentário a pessoa contava da vez que foi parar no hospital por uma crise de estresse, se não me engano, e uma amiga falou para ela algo na energia de: você sabe que isso só aconteceu porque você não manda ninguém se foder.
Eu lendo o comentário: 🤡
Sou uma pessoa muito curiosa num geral, uma fuçadeira. Isso para coisas que faço por hobbie mas principalmente no trabalho. Aquela ideia safada de nunca incomodar o outro. Apareceu uma dúvida, dificuldade? Eu vou fuçar o que tiver ao meu alcance antes de resolver perguntar para alguém. O lado bom de ser assim é que eu aprendo muita coisa. O lado ruim é dar peso demais às coisas, esperar que façam o mesmo e sofrer quando as coisas não saem conforme o esperado.
Se eu sou fuçadeira no trabalho, vou esperar que o outro seja fuçadeiro também. O que significa que se a pessoa me responder um simples não sei ou fiz assim porque achei que era assim eu provavelmente vou entrar em combustão interna. Quem adoece com isso? Só eu mesma 🥲
E o ponto aqui não é nem sobre quem está certo ou errado. Da mesma forma que, se pensar bem, não é nem algo estritamente geracional. Acho que o ponto é que a gente esquece muito fácil como que é se desimportar, se despreocupar. Se é que alguma vez a gente soube fazer isso. O problema é realmente seu? Quem realmente deveria, está preocupado? Então...
Aprendemos a viver sempre na velocidade 5 do créu, entregando sempre 500% de si — porque deus me free não dar o meu melhor (risos nervosíssimos) — pra no frigir dos ovos não nos garantir o retorno esperado nem o prometido.
Outro dia apareceu o vídeo de uma psicóloga:
— Mas doutora, se eu não fizer o barco afunda.
— Deixa afundar...
Isso vale pra tudo na vida mas pensando no ambiente de trabalho, se o outro que não se importa tanto parece seguir a vida com mais leveza e eu que me importo demais sigo a beira de um colapso, não seria melhor achar um meio termo nisso? Dar menos peso as coisas?
Além de que vale lembrar que quem entrega 80% do potencial dá sempre a perspectiva de que pode melhorar, certo? Nossa ele é tão esforçado... Já quem entrega 500%, quando entra em colapso e passa a entregar 100% vai ter o rendimento questionado. As ironias da vida, não é mesmo?
Ai eu vou reclamar de quem leva a vida com mais despreocupação? Vou não, louca sou eu por dar peso demais as coisas erradas. Não adianta dinheiro na conta se ele só servir pra pagar pelos problemas de saúde que você ✨ conquistou ✨ dando tudo de si (e mais um pouco) no trabalho né?
Como diria Avril Lavigne, complicated.
Enfim, provavelmente essa pauta daria pano pra muita manga mas por hoje é só. Só queria aprender a ser mediana em certas áreas da minha vida para poder ser excepcional nas que realmente importam.
Nota 〰️ Aprender também a mandar as pessoas se foderem ✨
É, temos que levar a vida com leveza para a gente não pirar de vez.
ResponderExcluirBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
importantíssimo
ExcluirSabe que isso é algo realmente importante para o início da saúde mental. Saber dizer não, saber que apesar de falarem, o mundo não vai acabar e ninguém vai morrer por que a coisa ficou pro dia seguinte. (Tá, menos se voce trabalhar em algumas areas da saúde e segurança)
ResponderExcluiré isso, o mundo não vai acabar!
ExcluirÀs vezes, é melhor deixar o barco afundar e não se afogar antes mas deixar todo mundo ali, sossegadinho, no barco.
ResponderExcluirComo alguém que já teve burnout e se cobra muito, eu super te entendo. Agora estou procurando emprego e cada não é uma falha pessoal de caráter, só pode. Acho que a despreocupação é um exercício árduo pra quem não nasceu com ela.
Se cuida, Bah!
Beijos!
de pouco em pouco a gente chega lá
Excluirmanda se fud%r mesmo!!!!!!! ninguém pode deixar a minha queen lelé da cuca
ResponderExcluirque absurdo né aiai 💅🏻
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