Comecei a ler o livro de junho (Com amor, Felícia Gilbert), do clube do livro do Entreblogs, sem expectativas. Para ser sincera, eu não li nem a sinopse. Simplesmente aceitei o que a autora falou lá na comunidade sobre ser um romance bem relax – sim, autora ninguém menos que nossa entreblogger Luly Lage 💅🏻. Exatamente o que precisávamos depois de alguns livros intensos demais. E falo isso na maior cara de pau porque eu nem li os livros intensos hehe mas já me senti desgastada só pela raiva e gastura compartilhada no chat do clube pelos entrebloggers que leram.
Voltando ao livro...
A primeira surpresa foi ver que na história uma das mães da protagonista sugeria que a filha, uma adolescente já adepta de diários, criasse um blog. Sendo alguém que escreve em blogs há mais de duas décadas e que já botou uma criança no mundo nesse meio tempo, automaticamente me imaginei fazendo a mesma coisa com a minha filha num futuro não tão distante. Isso mexeu bastante comigo, de um jeito muito bom.
Sim eu me emocionei (com direito a lágrimas!111!) já no começo do livro me imaginando no futuro ajudando Sarinha a escolher & comprar um domínio para o blog da mini querida. A que ponto chegamos. Agora eu quero viver isso nem que seja pra ela reclamar que faço ela pagar mico, ou seja lá como vão chamar isso no futuro. Shhh, licença materna para cafonice ainda valendo.
Depois disso foi ainda mais fácil continuar lendo, como se eu estivesse ansiosa para imaginar um futuro que ainda não chegou. Ao mesmo passo que acho absurdamente assustador pensar na minha filha adolescente – afinal, adolescentes !!1!1!1! e o que nós pais sabemos realmente da vida não é mesmo –, acho absurdamente divertido pensar no tipo de relação que posso nutrir com a mini queen e que experiências bacanas ela pode ter no decorrer da vida dela.
Num outro momento em que essa mãe também comentou que ainda tinha ativo o próprio blog, me ocorreu uma outra coisa. Minha filha vai ler meu blog? O que ela vai achar? Será se ela vai gostar das baboseiras da mãe, das memórias registradas, de ler sobre parte da infância dela pelos olhos da própria mãe? Luly abriu um triplex na minha cabeça sem querer.
Depois de refletir um pouco sobre um futuro que só os deuses sabem como vai ser, a história foi me levando de volta para o passado.
Lá fui eu relembrar da Barbara adolescente.
Lembrar de uma época em que tudo era novo e sentido com intensidade demais. As dores de um coração partido, como se fosse o fim do mundo.
Hoje me pergunto se a conta de telefone saiu muito cara na época depois de dramaticamente (porque eu lembro dessa cena como se fosse hoje) pegar o telefone fixo (informação importante talvez para contexto época) e tomar um belíssimo fora porque o ghosting via Orkut não me passou a mensagem com tanto afinco quanto ouvir a oficialização do puro suco do desinteresse alheio por telefone. Que babaca. Já achei ofensivo sofrer assim naquela época, hoje parece ainda mais dramático do que foi mas ainda me sinto ofendida pela Barbara adolescente. Pelo menos serviu pra eu decidir não sofrer mais nessa intensidade por ninguém.
Lembranças raivosas a parte, o livro era um romance relax lembra? Não se deixem influenciar pelas vozes e memórias da minha cabeça.
Conforme a história foi se desenrolando e zé ruelas foram devidamente ignorados, voltei mais ainda para o passado. Voltei mais especificamente para os últimos anos do ensino fundamental.
Sentir o gostinho da paixão lá pelos meus 12~14 anos foi um grandíssimo evento porque, veja bem, o excelentíssimo meu parceiro de vida? Sim, ele mesmo, o causador de borboletas no estômago na Barbara pré-adolescente que conheci na 6ª série. O mesmo pivete. Não o zé ruela, mas o pivete bom.
Aliás escrevo agora esse trecho do post com ele na minha frente jantando, nossa filha no meu lado fazendo a mesma coisa, enquanto eu digito e compartilho com ele a memória de nós dois numa aula da acho que 7ª série e eu quase implodindo de ansiedade porque nossos braços se tocaram quando um foi pegar a borracha do outro durante uma atividade em dupla. Juro que lembro da sensação como se tivesse acabado de acontecer e, caramba, faz mais de vinte fucking anos.
Tenho memórias muito gostosas dessa época, da leveza de se apaixonar enquanto ainda éramos tão jovens. Não apenas jovens, mas inocentes. Nervosismo nos trabalhos em dupla, ir para o colégio em época de gincana, mesmo sem participar, só para ter mais tempo juntos jogando conversa fora.
Diferente da Felícia, nosso primeiro beijo – calma lá, que só foi ocorrer nas férias que antecederam o início do nosso ensino médio ~ ainda cedo mas enfim – foi horroroso. Imagino que seja normal, considerando a nossa idade na época, porque a gente não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Aprender a beijar foi bem mais complicado do que as histórias contam.
Achei que escrever no meu diário — Barbara ❤️ Toni — já resolveria toda parte mágica da coisa. Preciso resgatar esse diário e digitalizar ele, pelamordedeus.
Nosso corte trágico de história? Anos 2000, internet discada, o ensino médio dele seria em outro colégio. Aqui não lembro se fiquei traumatizada com o beijo e decidi que era nova demais pra achar isso interessante, mas ele lembra que eu terminei com ele. Sorry, meu bem hehe love you.
Lá pelos nossos 15 anos trocamos algumas declarações virtuais, ainda complicado demais para uma reaprocimação ao vivo e a cores. Zero ideia de como jovens, jovens demais, namoravam nessa época. Tentamos fazer o negócio acontecer, vivemos o fotolog e as declarações públicas e tal, mas acho que ainda jovens demais. Cada um foi para um lado viver suas vidinhas.
Sim, Luly desbloqueou vários triplex e cá estou eu contando nossa história de amourrrr pela miléssima vez nesse blog.
Não me canso, continuarei cometendo o crime que é amar vo... tá, voltando.
10 fucking anos depois de cada um seguir com suas vidinhas, nos reencontramos e recomeçamos a reescrever nossa história. Já adultos (importante!1!!!) e com WIFI gente, que emoção. Enfim né, daqui uns dias serão 11 anos de namoro, ajuntados há sei lá quanto tempo, com uma filhota maneira que mês que vem fará 6 anos. Doido né?
Felícia – e Luly !1!!!!!! – obrigada pelas memórias resgatadas, por me levar a imaginar as possibilidades que o futuro pode proporcionar. Foi muito gostoso ler essa história. Terminei torcendo para que Felícia vivesse coisas incríveis assim também.
Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos.
Clube de Leitura, 06.2026 ✍🏻 Com amor, Felicia Gilbert , de Luly Lage.
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Eu sou canceriana chorona em temporada de sol em Câncer DEMAIS pra isso... Não acredito que minha garotinha, minha Felicia, inspirou a relembrança dessa história e mais: ver um futuro pairando no ar! Pensando aqui na Sarinha adolescente e no ela vai herdar de você — o blog ou o que quer que seja! Mil possibilidades!
ResponderExcluirSó um adendo: pode ser que a gente leia pedacinhos do blog da Monica no próximo livro.............
Barbara, que demais essa história!! Realmente os romances quando somos "jovens demais" são maravilhosos e péssimos à sua maneira hehe Fico feliz de saber que vocês se reencontraram, dessa vez mais velhos e com Wi-fi <3 Adorei também o texto sobre a Sara e o Naruto. Super imagino ela com essa energia caótica dele. Em breve vou fazer um texto sobre ele no meu blog, e aí te dou outro alô por aqui. Beijos
ResponderExcluirQue bom que vc não cansa de contar sua história de amor, pq eu não me canso de ler, coisa mais linda, seriooo! Eu tb super imagino vc igual a Monica fazendo um blog com a Sarinha.... certamente vou me sentir uma velha quando esse dia chegar naquela vibe 'éu vi essa menina nascer''hahahah
ResponderExcluirEsse tipo de post é tão precioso que eu chego a ficar emocionada junto <3
ResponderExcluirQue lindo é ver que a blogosfera persiste e vai continuar persistindo (talvez, oremos) nas gerações depois da gente.
Vai ser bacana demais pra Sara ler os seus posts... uma das coisas que eu mais amava era ler os diários antigos da minha mãe, ver que ela era uma pessoa com vontades e sentimentos e não só a "mãe". Que ela também gostava de coisas que eu gosto e que fica irritada com coisas similares. -escrever isso me deu saudades da minha mãe-
Eu sou apaixonada por histórias de amor. E adorei saber um pouco da de vocês porque acho que ainda nao li sobre ela aqui (só uns pedaços).
ResponderExcluirFico pensando que vai ser legal a Sara resgatar algumas memórias da infância dela pelos seus olhos, sabe?
Eu adoro a história de amor de vocês! Me lembra um pouquinho da minha também ♥
ResponderExcluirE muito gostosa a ideia da Sarinha ler seus posts e até fazer um blog no futuro, penso muito nisso quando penso em ter filhos!