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1.8.26

Herdamos também os hábitos?

Eu costumava brincar que da minha mãe herdei apenas os problemas de visão, porque se você olhar nas fotografias, sejam elas velhas ou novas, dos cachos eu devo ter herdado aqueles 2% só pra não dizer que não veio nada. O resto todinho dos cachos foi para minha irmã. 

Porém, eis que me encontro pensando em temas para o #beda em agosto, e correndo o seríssimo risco desse post não esperar até lá, e paro para rever algumas fotografias analógicas que minha mãe fez nos anos 90. (edit: nem acredito que consegui segurar esse post até agosto)

O grandíssimo plot dessa experiência foi descobrir que, aparentemente, herdamos também os hábitos. Minha mãe gostava, e ainda gosta muito, de registrar a vida acontecendo. 

Lembro dela escolhendo a roupa de banho do verão de nós três, que precisava sempre combinar. Certo verão ela escolheu amarelo e, para meu completo desespero, descobri que ele ficava transparente quando molhava. Apesar de na primeira foto desse post eu estar deitada na prancha sem a parte de cima do biquini, porque nessa idade eu pouco ligava para exposição e não via qualquer sentido em usar, em algum momento da minha infância-adolescência eu comecei a sentir vergonha. Nesse fatídico dia, passei todinho sentada na areia esperando a droga do maiô secar. 

Lembro das poses no costão, porque o mar no fundo estava bonito, e certa vez uma onda quase nos levar. Minha irmã caiu um pacote medonho que ela deve até hoje sentir palpitação no coração. Mas o mar estava belíssimo, realmente. Hoje eu dou risada dessa memória, mas no dia briguei com a minha mãe porque minha irmã ficou muito assustada. 

As vezes essa mania de registrar tudo irritava sim, mas suspeito ser sintoma de mãe também. Eu bem sei a quantidade de registros que quis fazer da Sara porque até ranzinza e fazendo birra fica fofa e a gente quer guardar aquele segundo na memória (e no papel) pra sempre. 

As maiores lembranças que tenho dessa skin fotógrafa dela eram no verão. Íamos para Imbituba/SC aproveitar as férias com a parte materna da família — minha mãe é de lá — e isso sempre rendia muitos registros. Quando adolescente lembro de uma vez querer usar a câmera analógica dela e ela falar bem séria: apenas uma foto porque só tem 10 poses e é caro. 

Caramba, 10 poses, o que são 10 poses pra gente hoje?

Ela tinha uma filmadora também. Inclusive queríamos resgatar algumas filmagens feitas na época, mas infelizmente muito se perdeu. 

Muitas manhãs ela saia cedo rumo à praia, antes mesmo da gente acordar, pra ir filmar meus primos surfando ou treinando capoeira. Tinha filmagem do parto da minha irmã, dos nossos verões, dos momentos em casa. 

Uma contempladora crônica da própria vida. Com licença poética para este belíssimo diagnóstico inventado e afetuoso, não de quem sofre de alguma condição, mas de quem vive inevitavelmente distraída pelas belezas da sua vida comum. 

Vive encantando quem vê beleza no ordinário. 

Conseguem pensar em mais alguém assim? 

Eu tenho tantos registros da Sara que parecem réplicas dos registros que minha mãe fazia da gente criança, que não tem como negar qualquer parentesco. 

Somos contempladoras, o tempo todo achando as bonitezas no nosso entorno e querendo preservar esses momentos pra sempre numa fotografia, em um vídeo. 

Posso não ter herdado os cachos, mas claramente herdei esse olhar apaixonado pela vida. 

As vezes ultrapassamos alguns limites? As vezes, sim, mas arrisco dizer que mãe tem alvará pra cometer alguns deslizes de vez em quando. 

No fim das contas me alegra demais ter tantos registros assim da minha infância, não ficar a mercê apenas da memória, das histórias contadas, reais e distorcidas pelo vida e pelo tempo. 

mama queen in 80s

15 comentários:

  1. contempladoras & estilosas 💅

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  2. Essas fotos passaram uma vibe muito gostosa de anos 80 e 90 e já imaginei sua mãe toda versão rebelde e criativa dessa época 💕 Hoje vendo que tenho um acervo bem limitado de fotos e vídeos da minha infância eu vejo a importância de se criar memórias e recordações, arquivar momentos - ainda mais que a minha memória anda péssima.

    Posso dizer que vc faz muito bem em herdar e honrar esse hábito! E deslizes são o que fazem a gente ser a gente também ☺️ Um dia vai ser a Sara colocando sua foto no fim de um post como “queen nos anos 2000s” ❤️

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  3. Gostoso demais ser contempladora da própria vida, né? Achei linda essa descrição, inclusive! Eu tenho muito isso pra mim também, de ver beleza nas coisas pequenas.

    E interessante perceber que herdei bastante da minha mãe nesse sentido dos registros também. Recentemente meu namorado me ajudou a resgatar e digitalizar as fitas da filmadora da minha mãe de quando eu era criança, e eu estou ensaiando (ou criando coragem) pra fazer uma maratona e ver tudo, rs.

    Muito legal o post!!

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  4. Depois que passa a pseudo vergonha na adolescência de parecer a mãe, é mó legal ver o tanto de semelhança em tudo <3 Que bacana ver essa de vocês!

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  5. Sou 100% a favor de registrar todos os momentos do que a gente vive (se lembrar), mas deixar para postar apenas mais tarde, não durante o momento.
    Meus pais também gostavam de tirar fotos de tudo e que bom que faziam isso, hoje tenho várias fotos minhas pequena que eu amo admirar e recordar.

    Beijos,
    Livro de Memórias

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  6. Terminei de ler esse post com um sentimento tão bom. Que coisa mais preciosa ter esses registros eternizados pela fotografia. Já consigo ver a Sarinha herdando esses habitos da mãe e da avó. Que sorte a nossa ter você compartilhando essas lindezas da vida com a gente <3

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  7. Pouco se fala sobre a espontaneidade de registros antigos. Acredito que é uma força maior essa coisa de registrar a nossa existencia (vide pessoas da pré-história pintando paredes com cenas do cotidiano), mas sinto falta dessa expontaneidade hoje em dia. Sinto falta também da minha cyber-shot pink e minhas primeiras aventuras como autora desses registros. Ler essa publicação trouxe uma nostalgia gostosa.

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  8. E .no final das contas, esse post fala sobre preservar o que é importante. As memórias. Não é curioso que nosso BEDA seja sobre preservar memórias e escritos?

    Você parece sim com a sua mãe. Fisicamente e também no espírito de capturar momentos.
    Amei ver esses registros e relembrar com você de coisas da sua infância...

    Um beijo :*

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  9. MInha mãe adorava fazer registros, eu não herdei esse hábito. Detesto. Prefiro registrar outras coisas. Não sou muito de pessoas. mas as suas fotografias formam um belo mosaico.

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  10. cara, minha mãe é 100% assim também! é coisa de mulheres lobas, eu acho. lembro que quando era adolescente, tive uma fase em que eu odiava aparecer e ela tem registros hilários da minha carinha emburrada por aí. hoje em dia, assim como você, puxei isso demais, apesar de nem sempre tirar fotos dos rostinhos. gosto de tirar muita foto dos arredores também.

    adorei o post!

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  11. Me lembrou da minha mãe, que sempre teve o hábito de pegar qualquer coisa que a gente falava e cantar uma música com aquela letra. Eu chegava a ficar irritado algumas vezes quando era criança/adolescente kkkkkk
    E hoje? Faço igualzinho...

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  12. Que herança mais preciosa! Na minha adolescência, o "era caro" acabou imperando e tenho poucos registros. Esse ano meu pai digitalizou umas fitas VHS de aniversários meus: 7 anos, 8 anos, 10 anos e 15 anos. É muito doido ver as mudanças em tão poucos anos. Aplausos para todos que registram e guardam para revisitar essas memórias depois!

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  13. Que registros lindos!!! Me deu vontade de procurar as primeiras fotos que tirei na vida. Ganhei uma câmera super simples da barbie e um filme de 24 poses e levei para uma viagem escolar, o ângulo das fotografias é maravilhoso pq dá pra ver que foi uma criança que tirou hahahaaha
    Eu adoro acompanhar o seu hábito de fotografar, que bom que herdou isso da sua mãe :)

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  14. Minha mãe SEMPRE fala que dela eu só herdei problemas (pedra nos rins, problema de visão, ansiedade...) porque sou A CARA do meu pai, sem tirar nem pôr, então ri desse começo hahahah...
    Mas quem convive com nós duas sempre fala o tanto que é chocante o tanto que a gente parece nos trejeitos, formas de falar e até na voz.
    Por aqui, apesar de ser fotógrafa e amar fotografar, só tenho fotos da infância graças à minha tia (que, adivinha? Minha mãe também fala que sou igualzinho a ela - inclusive me chamando de Walquirinha 2, O Retorno). Quando formei em 2022 dei um jantar em casa pra família próxima (pandemia) e precisei apelar com "você não reclama que não tem fotos da sua mãe por anos antes dela morrer??? Quando você morrer eu não vou ter UMA foto com você" - e assim conquistei uma unidade de foto, coisa que não acontecia há uns 10 anos e não voltou a acontecer. Acho uma pena e certamente serei uma mãe que quer registrar tudo também - não só o posado, mas o cotidiano.
    Adorei suas fotos e BELÍSSIMA sua mãe, amei o estilo dela em todas as fotos hahaha
    A Menina da Janela

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  15. Que lindas as fotos. Tua mãe é super estilosa! Amei ver as fotos/memórias da tua família! <3

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