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7.8.26

No último domingo fui visitar meus sogros e aproveitamos para pegar mais algumas coisas na nossa antiga casa, que fica no mesmo terreno que a casa deles. Nessa de ver o que faltava trazer, achei algumas caixas com diários antigos meus, DVDs não gravados e outros cacarecos que a gente guarda por qualquer que seja o nível de apego. 

Sara ficou animadíssima quando viu que a mamãe quando criança também gostava de emperiquitar folhas, desenhar e, a cereja do bolo, ainda conheceu o papai na época do colégio. Ela chegou a perguntar se éramos gêmeos (não sei da onde ela tirou isso) e se estudamos juntos para depois viramos pais. A própria Nazaré Tedesco tentando calcular a ordem cronológica das coisas. 

Quando cheguei em casa parei para folhear com calma algumas páginas, o que me proporcionou boas risadas. Th apontou em um texto dele recentemente o mesmo problema que me pegou lá em 2004, vide primeira foto desse post, e que me pegaria hoje se eu não tivesse lembrado desses registros. O problema não é escrever, é ter assunto.  

Naquela época, nada como a volta as aulas e uma internet discada aos finais de semana pra render alguns assuntos. 

Quando mostrei para sogra, ela perguntou rindo:

— É daquela época que ele pegava a bicicleta pra ir na tua casa?

Eu acho sensacional ter memórias dessa época, além dessas memórias escritas por uma adolescente apaixonada. É gostoso demais de recordar. Tenho um carinho enorme pela nossa história, nossas adolescência, mesmo que a vida tenha tomado outros rumos no ensino médio para, só depois de dez anos, lá em 2014, nos reencontrarmos. Um pouco daquela energia de que as coisas acontecem como tem que ser, né? Nessa brincadeira, já são mais de uma década juntos pós reencontro e uma filhota sapeca para a conta. Não dá pra reclamar. 

Bom, pra quem achou que não ia ter assunto para hoje, acho que está bom.

Talvez eu ainda traga mais registros desses diários. Tem uma página muito boa, lá de 2001 se não me engano, em que reclamo sobre estar perdendo a minha infância por me colocarem para ajudar a lavar louça e, pasmem, não ter mais tempo para brincar. Que absurdo 😆

2.8.26

Quando estava conversando com o Igor sobre as possíveis missões de cada vilão, falei que o desafio do rascunho eu não conseguiria fazer por não ter rascunho nenhum no meu blog. Os únicos rascunhos que criei aqui foram na véspera do Beda para antecipar o começo de alguns textos. No geral, se alguma ideia não vira texto eu só excluo mesmo e escrevo o que der vontade na hora. 

Foi quando ele sugeriu que eu olhasse outros lugares que pudessem ter anotações minhas que lembrei que vez ou outra abro o App Diário (Journal), da Apple, e anoto coisas que me passam na cabeça no momento. Geralmente são coisas que eu gostaria de falar no blog mas não estou na frente do notebook para elaborar melhor. 

Enfim, achei que serviria ao propósito e selecionei algumas anotações. 

domingo, 5 de jul.

as temperaturas baixaram novamente, malditos 10 graus, e desisti de tentar madrugar para aproveitar a tranquilidade da madrugada. sinto dor nas costas. sentir frio me dá dor nas costas. sem falar que provavelmente enfrentando uma virose que não sei se peguei da sara ou do toni e as glândulas do meu pescoço estão quase gritando de protesto. um dor de garganta que não sabe se realmente vira dor de garganta ou apenas a ameaça de uma gripe. digito no celular, debaixo das cobertas, velando o sono da filhota que resolveu catar todas as mantas da casa e transformar a própria cabana em cama. está apagadíssima ali dentro.

sábado, 6 de jun.

  • pão de hamburguer
  • frango
  • molhos
  • batata palha
  • prensado

Se puderem testar esse em casa, é meu vício até o momento. Frango desfiado. Molhos: Ketchup, maionese e, importantíssimo, mostarda! Prensa numa sanduicheira e seja feliz. Sério, nunca mais senti falta de pedir lanche. Aliás, testamos com carne de porco desfiada essa semana e também ficou sensacional. 

sexta-feira, 15 de mai.

receber notificação de comentário novo no blog durante o expediente 🥹🥹🥹🥹 bom demais

quinta-feira, 7 de mai.

tayna vivendo o luto da minha saída já na primeira semana do meu aviso prévio trabalhado ??? segundo dia consecutivo com direito a abraço apertado ❤️

— se acostuma comigo sendo mais carinhosa que o normal esse mês

quinta-feira, 23 de abr.

criança em processo de alfabetização é bom demais porque uma hora tu olha ela tá contemplando a paisagem olhando pela janela do carro e do nada larga DEPOIS DO 28 É Q NÚMERO

mas o A de ATIRAR O PAU NO GATO me pegou

Esse não me recordo se já virou parte de algum post mas dou risada toda vez que lembro desse dia e do comentário dela.  

quinta-feira, 25 de set. de 2025

pensando aqui quando nosso filho faz quantos anos a gente se acostuma com a ideia de que é mãe porque a sara já fez 5 e ontem quando o cara do colégio respondeu com "então mãe" eu fiquei EITA VERDADE NÉ EU SOU MÃE

Sigo olhando pra criança e pensando: eita! 

sábado, 22 de mar. de 2025

domingo com cheiro de pizza no forno, o caos sonoro que me aconchega porque é lar. the offspring tocando na alexa, a era do gelo passando na tv, som da sara chupando o bico, transmissão de partida de cs. som e cheiro de lar.

Nessa época morávamos na outra casa, mas na casinha nova os sons e cheiros ainda são de lar. Os rituais se mantem.  

1.8.26

Eu costumava brincar que da minha mãe herdei apenas os problemas de visão, porque se você olhar nas fotografias, sejam elas velhas ou novas, dos cachos eu devo ter herdado aqueles 2% só pra não dizer que não veio nada. O resto todinho dos cachos foi para minha irmã. 

Porém, eis que me encontro pensando em temas para o #beda em agosto, e correndo o seríssimo risco desse post não esperar até lá, e paro para rever algumas fotografias analógicas que minha mãe fez nos anos 90. (edit: nem acredito que consegui segurar esse post até agosto)

O grandíssimo plot dessa experiência foi descobrir que, aparentemente, herdamos também os hábitos. Minha mãe gostava, e ainda gosta muito, de registrar a vida acontecendo. 

Lembro dela escolhendo a roupa de banho do verão de nós três, que precisava sempre combinar. Certo verão ela escolheu amarelo e, para meu completo desespero, descobri que ele ficava transparente quando molhava. Apesar de na primeira foto desse post eu estar deitada na prancha sem a parte de cima do biquini, porque nessa idade eu pouco ligava para exposição e não via qualquer sentido em usar, em algum momento da minha infância-adolescência eu comecei a sentir vergonha. Nesse fatídico dia, passei todinho sentada na areia esperando a droga do maiô secar. 

Lembro das poses no costão, porque o mar no fundo estava bonito, e certa vez uma onda quase nos levar. Minha irmã caiu um pacote medonho que ela deve até hoje sentir palpitação no coração. Mas o mar estava belíssimo, realmente. Hoje eu dou risada dessa memória, mas no dia briguei com a minha mãe porque minha irmã ficou muito assustada. 

As vezes essa mania de registrar tudo irritava sim, mas suspeito ser sintoma de mãe também. Eu bem sei a quantidade de registros que quis fazer da Sara porque até ranzinza e fazendo birra fica fofa e a gente quer guardar aquele segundo na memória (e no papel) pra sempre. 

As maiores lembranças que tenho dessa skin fotógrafa dela eram no verão. Íamos para Imbituba/SC aproveitar as férias com a parte materna da família — minha mãe é de lá — e isso sempre rendia muitos registros. Quando adolescente lembro de uma vez querer usar a câmera analógica dela e ela falar bem séria: apenas uma foto porque só tem 10 poses e é caro. 

Caramba, 10 poses, o que são 10 poses pra gente hoje?

Ela tinha uma filmadora também. Inclusive queríamos resgatar algumas filmagens feitas na época, mas infelizmente muito se perdeu. 

Muitas manhãs ela saia cedo rumo à praia, antes mesmo da gente acordar, pra ir filmar meus primos surfando ou treinando capoeira. Tinha filmagem do parto da minha irmã, dos nossos verões, dos momentos em casa. 

Uma contempladora crônica da própria vida. Com licença poética para este belíssimo diagnóstico inventado e afetuoso, não de quem sofre de alguma condição, mas de quem vive inevitavelmente distraída pelas belezas da sua vida comum. 

Vive encantando quem vê beleza no ordinário. 

Conseguem pensar em mais alguém assim? 

Eu tenho tantos registros da Sara que parecem réplicas dos registros que minha mãe fazia da gente criança, que não tem como negar qualquer parentesco. 

Somos contempladoras, o tempo todo achando as bonitezas no nosso entorno e querendo preservar esses momentos pra sempre numa fotografia, em um vídeo. 

Posso não ter herdado os cachos, mas claramente herdei esse olhar apaixonado pela vida. 

As vezes ultrapassamos alguns limites? As vezes, sim, mas arrisco dizer que mãe tem alvará pra cometer alguns deslizes de vez em quando. 

No fim das contas me alegra demais ter tantos registros assim da minha infância, não ficar a mercê apenas da memória, das histórias contadas, reais e distorcidas pelo vida e pelo tempo. 

mama queen in 80s
27.6.26

... e ainda assim sinto saudades de fotografar. 

Não tenho como negar, o celular facilita em muito a minha vida quanto a minha necessidade de registrar momentos do meu dia a dia. Arrisco dizer que se eu dependesse apenas de uma câmera para isso, provavelmente não teria 1% dos registros que tenho hoje. Mesmo que eu parasse agora mesmo para fazer uma limpa na minha galeria do celular, a maioria continuaria aonde está sem ser descartada. A sensação de que, mesmo na correria da vida, registro com intenção. Gosto até dos registros que faço sem pensar muito, direto do aplicativo do whatsapp, só porque me deu vontade de compartilhar com alguém alguma coisa (o livro da vez, a bagunça do momento, filhota vivendo). 

Só que mesmo com intenção, fotografar com o celular pra mim é diferente de fotografar com uma câmera. Guardo na memória a sensação de que o ritmo era outro, como se o tempo se alongasse para aquele momento caber em um clique. 

Antes de roubarem a minha Canon T3i, algo que parece que já foi em outra vida, cheguei a achar que trabalharia como fotógrafa e até tentei fazer isso por um curto período. Na época, foi o suficiente pra perceber que eu gostava muito de fotografar como um passatempo (e geralmente sem ensaio-pose). A arte de direcionar alguém num ensaio me assombrava, pra ser sincera. Trabalhe com o que você ama e...

2013

Infelizmente perdi não apenas a câmera, mas notebook e HDs no roubo. Ainda seguia a ideia equivocada de que backup era ter o arquivo apenas em um projeto de pendrive gigantesco e não tinha quase nada na nuvem. 

Alguns poucos registros que pude recuperar pré-roubo foram graças aos meus posts cheios de fotos aqui no blog. 

2014

Gostava de brincar com as configurações da câmera, testar coisas na hora de editar... ia aprendendo conforme ia sentindo vontade de alcançar novos resultados. 

Algo que eu achava desafiador nessa prática, descobrir o que fazia daquela fotografia algo meu. 

Admirava muitos fotógrafos, cada um com a sua própria identidade na forma que fotografavam e tratavam suas fotos. Passava horas no Tumblr e Flickr conhecendo mais da arte dos outros. 

2014

Curtia brincar com autorretratos, estourando ISO e vendo no que dava. Apesar de já ter testando fotografias mais limpas, a minha queda mesmo era pelo excesso de ruído, de granulado

2014

Morando desde sempre na Grande Florianópolis — um jeito mais simples de explicar que não é em Floripa mas é literalmente do lado —, cheia de praias e tantos outros lugares lindos para fotografias externas, tinha receio de ser assaltada e saía muito pouco com a minha câmera (e olha que a região segue muito tranquila comparado a outras grandes capitais e afins). 

Agora me pergunto se, considerando que tive meu equipamento roubado dentro de casa, talvez eu devia ter aproveitado mais, ousado mais. Porém contudo todavia, sabendo quantos rins saudáveis são necessário para adquirir um belíssimo trambolho fotográfico, bom, querer parecia muito distante de poder (ou dever). 

2014

2015

2015

Corta para 2020, grávida de Sarinha e na posse de um celular bem capenga, me ocorreu que não teria os registros que eu esperava ter do crescimento da minha filha. Coincidiu de eu sentir falta de uma boa câmera e da minha amiga estar vendendo a Canon T5i dela. Pensei: já sei usar, vai ser tranquilo. Vai nada. 

Eu não lembrava como configurava, o modo automático dela não parecia ser minimamente parecido com a minha querida falecida T3i e, principalmente, não conseguia ficar meio metro longe da Sara sem ela abrir o maior berreiro (e eu usava uma lente 50mm hehe você precisa de um certo distanciamento). 

Resultado: câmera esquecida no armário por muuuuito tempo. 

2020 (?) carinha de protesto pelo distanciamento

Fiquei tão frustrada na época que meu celular morreu de vez e num surto comprei um Iphone (que uso até hoje e continuarei usando até o querido ir com deus). 

Sim, surto porque quando recebi a notificação do banco na madrugada quase que eu é que fui com deus ($$$) porque não lembrava que tinha realmente comprado. Acho que depois que a gente passa uns meses produzindo uma criança do zero e entra em trabalho de parto durante o auge de uma pandemia, errr, o cérebro dá uma derretida legal até normalizar sabe? 👀

2022

Sarinha já aceitando um distanciamento maior sem grandes escândalos, lembrei de levar a câmera para passear uns dois anos depois de ter comprado — e fiz alguns dos meus registros favoritos da vida. 

2022

Maioria das fotografias que fiz com a T5i são tão espaçadas entre si que é quase como se fosse uma câmera analógica e eu estivesse aguardando acabar o filme pra revelar. Sei que fiz algumas mesmo que pouquíssimas nesses últimos seis anos, mas para meu completo desespero não sei aonde diabos salvei. Cuidado com a burra. 

Estou aflita com a possibilidade de ter excluído elas do cartão de memória. 

2024

Agora é torcer para minha câmera não ter sido devorada por fungos e, nesse momento, não ter nada na energia the last of us crescendo nela para eu poder criar vergonha na cara e voltar a usar a querida.

✨ Bônus  

2014, por Efieli

2014, por Efieli

2014, por Mariana (mais fotos)