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17.7.26

Tem quem prefira ler antes de assistir algo inspirado na história e eu acho isso sensacional. Só que comigo, na maioria dos casos, eu resolvo ler determinados livros depois da experiência de assisti-los. Fico tão envolvida que sinto que assistir não é suficiente e preciso repetir a experiência por outros meios. Foi o que aconteceu com Planeta dos Macacos1, com Viagem ao Centro da Terra, com O Hobbit, Senhor dos Anéis... e agora com O Perfume

Aviso — Se você ainda não leu ou não assistiu ao filme, saiba que provavelmente compartilharei minha experiência com spoilers de ambas as experiências. Leia por conta e risco 👀 

O Perfume, a história de um assassino

Não me recordo quando exatamente assisti ao filme, mas lembro que foi uma experiência muitíssimo interessante. Na época entrou para a minha lista de favoritos fácil. Fiquei deslumbrada tamanha a estranheza que a história entregava. Chega a ser engraçado como, na primeira vez que assisti e que só percebi isso hoje revendo o filme, o que mais me marcou foi o começo e o fim da história. O nascimento de Grenouille, as experiências sensoriais dele, o grande Baldini — que eu lembrava ser interpretado pelo ator Dustin Hoffman — e, esquecendo completamente do meio da jornada do nosso protagonista, o julgamento. Mesmo não sendo de fato o final da trama, foi uma cena que me marcou muito. 

Agora, enfim tendo a experiência de revisitar essa história por meio da leitura graças ao clube do livro do Entreblogs — escolhida mediante ameaça votação para ser a leitura de julho —, posso afirmar que não apenas o filme mas agora também o livro fazem parte da minha lista de favoritos

França, século XVIII. O recém-nascido Jean-Baptiste Grenouille é abandonado pela mãe junto a restos de peixes em um mercado parisiense. Desprovido do cheiro que todo ser humano exala e rejeitado pela sociedade que o considera um ser abominável, o menino Grenouille cresce sobrevivendo ao repúdio, a acidentes e a doenças.

Durante a juventude, ele descobre ser dotado de um dom sublime ― uma extraordinária sensibilidade olfativa ― e passa a buscar a essência perfeita, o perfume que lhe falta para atingir o que mais almeja.2

O livro, que naturalmente foi lido com os vícios da memória por eu ter assistido ao filme primeiro, na Parte I entregou uma experiência tão boa quanto se não melhor do que quando assisti. Foi divertidíssimo resgatar cenas visuais enquanto lia parágrafo a parágrafo descrevendo as infinidades de cheiros da época, conhecer mais da história de Baldini que eu lembrava uma coisa ou outra da sua personalidade. Eu lembrava da atuação do ator Dustin, suas expressões e choque, mas lembrava muito pouco das camadas da sua história enquanto mestre perfumista. 

“As referências de Süskind ao cheiro são tão fortes que as páginas parecem estar impregnadas.” ― The Times

A Parte II me passou a sensação de um grandíssimo what the fuck porque eu não lembrava de nada disso acontecendo no filme e me deu um certo cansaço tamanha viagem. Ao mesmo tempo que, parando para rever o filme antes mesmo de ler a Parte III, me fez pensar que mesmo que meio exageradamente3 esse momento de introspecção e revelação aconteça com o personagem, consegui compreender mais do filme, porque sim parte dessa história foi para as telas também. No filme esse desejo e incômodo por trás do que ele parece buscar parece ser discutido tão sutilmente que quando assisti pela primeira vez nem notei. A experiência, livro e filme, se tornaram ainda melhores depois que entendi isso. 

Na Parte III volto a resgatar as memórias do filme durante a leitura, com a sensação de que filme e livro voltam a se conversar. Não em tudo, mas em muita coisa. 

Parando pra analisar melhor agora, é inegável, os personagens são muito mais detalhados no livro do que no filme. A escrita do Patrick consegue entregar camadas, de tantos personagens, que o filme não consegue. O que torna a experiência, de ler depois de assistir, ainda mais interessante. 

Talvez, se eu tivesse lido antes de ter assistido, teria gostado menos justamente por sentir que o filme não entrega tudo o que o livro consegue — mesmo sendo, pra mim, um filme incrível. Como a minha experiência foi o inverso disso, lendo a história de um filme que gostei demais, é como se algo que eu já achava bom conseguisse ficar ainda melhor. 

"O assassino parecia ser inatingível, incorpóreo como um espírito." 

Patrick Süskind, O perfume.

Já sobre coisas não tão relevantes, a primeira cena em que é apresentado o ateliê de Madame Arnulfi, eu só conseguia pensar na crise de rinite que me daria, apesar do lugar ser tão bonito recheado das mais diversas flores. Assim como, lá no começo do livro, fiquei pensando como a ama que cuidou de Grenouille bebê achar completamente esquisito um bebê não ter cheiro de bebê. Imagine cheirar a cabecinha de um bebê e não sentir nada? Cruzes.

No trecho da história em que somos apresentados também ao item mais desejado de Grenouille, me pego surpresa por não me recordar de que era Alan Rickman (nosso querido Snape, em Harry Potter) que atuava como pai de Laure. Este homem! 

Voltando para detalhes mais relevantes, achei curiosa a representação no filme de como os ricos e respeitados burgueses e nobres, eram cavaleiros esclarecidos e anticlericais até que algo atrapalhasse os seus negócios, aí sim recorriam ao bispo, à igreja, para que este enfim amaldiçoasse e banisse o temido monstro. Aos ricos a fé é conveniente apenas como arma para controlar e acalmar os ânimos. 

Quanto a Alan Rickman, o ator parecia cansado com a incompetência e burrice alheia tanto quando Antonie Richis ou quando sendo Snape. Fiquei feliz que certas tentações e pensamentos intrusivos dele foram detalhados apenas no livro, teria sido uma experiência nada agradável no filme. 

Sem mais divagações...

O livro aborda muitas camadas da época, das crenças, da moral e de tudo o que falta em Grenouille, o que vai além do cheiro. Algo que é muito melhor trabalhado e descrito no livro do que no filme. Até a Parte IV, sendo a parte final e por mais parecida que seja entre um e outro, é muito mais crua e bruta do que no filme. 

Termino então esse post ansiosa para ler as impressões do meu colegas, de uma história que parece permitir uma infinidade de reflexões. 

Esse post faz parte do clube de leitura da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Veja mais em clube/072026.

Resenha publicada hoje, 17 de julho, em comemoração ao aniversário de Grenouille — se é que nos permitimos comemorar a existência de um assassino tão peculiar. 

Notas

  1. Em Planeta dos Macacos o livro me marcou muito mais que o filme. Faz anos que li e até hoje lembro do choque que foi ler o final da história.
  2. Fonte Amazon — Livro disponível no Kindle Unlimited.
  3. Teoria fluidal me pegou muito na história e fui obrigada a pesquisar sobre pois delírio demais. Parece que tem base na vida real sim, sobre outras teorias malucas da época, mas que Patrick aproveitou isso pra dar uma viajada ainda maior. "[...] o autor Patrick Süskind a exagerou e a modificou para transformá-la em uma sátira literária ficcional." de acordo com a IA do Google.
13.7.26


2026 tem sido um ano tão esquisito que achei que nem resumo do primeiro semestre iria sair. Parei pra rever os registros fotográficos do período e fiquei meio incrédula em como se passaram seis meses e parece não ter acontecido nada, ao mesmo tempo que aconteceram coisas demais. 

Então para não perder o costume de achar beleza nas coisas comuns da minha vida, resolvi me esforçar para encontrar esses resquícios na minha galeria e posts — mesmo que nem todos sejam belos. 

Primeiro semestre de 2026

  • mantemos o ritual de não passar filtro solar do jeito certo
  • vimos que barreiras linguísticas não impedem que um churrasco seja divertido;  
  • resolvi mudar de área e me matriculei em análise e desenvolvimento de sistemas; deixar a formação em administração de lado e me jogar em novas aventuras tecnológicas. 
  • primeiro ano da sarinha em um colégio (saiu da creche para estudar mais perto da casa nova e começar, de fato, o processo de alfabetização);
  • testei reduzir consideravelmente minhas horas de sono por noite porque só tinha tempo para estudar de madrugada e quase fui com deus; não indico.
  • rolou uns b.o. de saúde e umas tristezas e fui descobrir em um chalé muito do bacana que se autocozinhar numa banheira à 38ºC por muito tempo pode dar enxaqueca; é gostoso (o banho) mas rola uns efeitos colaterais. 
  • ganhei um stitch gigante no meu aniversário; e fui genuinamente feliz nesse dia. 
  • me senti muito ousada e poderosa sim por conseguir realocar o repositório do entreblogs em uma madrugada, sendo que conhecia muito pouco do github;
  • uma série de roubos no loteamento em que moramos nos garantiu alguns dias sem dormir e muito estresse; dia intensos mas os roubos logo cessaram. 
  • rolou o tão esperado encontro com colegas de trabalho do Toni e mais uma vez barreiras linguísticas não me impediram de conversar com pessoas muito legais; a turma da TI é realmente tudo maluca, ou seja, muito divertidos. 
  • pedi meu desligamento do trabalho em prol da minha saúde mental e física, depois de quase 8 anos no mesmo lugar, e fechei o semestre em situação de: desempregada; tenho um carinho enorme por muitas questões que vivi lá mas também ciente de que muitas outras me levaram a beira de, se não ao, burnout. o desemprego no momento não me aflige porque de certa forma me organizei pra me dar esse luxo e enfim poder descansar a cabecinha. 
  • coletivo entreblogs cresceu e tem me proporcionado tanto ✨
  • tentei voltar com meus exercícios/musculação em casa mas acabei abrindo mão disso temporariamente;
  • testei receita nova de bolo de chocolate e foi sucesso;
  • vivi minha casinha e minha família; 
  • li meus livrinhos;
  • sara aceitou pela primeira vez assistir filmes que amamos e gostou (sinais, o hobbit, senhor dos anéis);
  • enfim comecei a assistir naruto por indicação imploração do toni e amei;
  • mantive meu blog vivíssimo.
▃▃▃▃▃▃▃

Olhando essa lista e mesmo relendo posts e revendo minha galeria de fotografias, parece que aconteceu pouca coisa em tanto tempo. Seis meses parece muita coisa pra mim. Só que em contra partida foram meses tão pesados, eu me senti tão drenada, cheguei a me sentir tão vazia que, porra, parece que eu vivi uma vida inteira nesse primeiro semestre. Ao mesmo tempo que eu olho registros e parece que não fiz e não aconteceu nada. 

Já comentei outras vezes que não gosto desse papo de aprender na dor mas no fim das contas, foi um período em que precisei aprender na dor porque ia me deixar consumir todinha se o esgotamento mental não começasse a criar raízes podres na minha saúde física também. 

É muito fácil negligenciar nossa saúde mental quando cuidar disso é caro e a vida urge, cheia de demandas, de outras coisas que parecem mais urgentes. A gente vai dando conta, até não dar mais. 

Ainda assim, não consigo dizer que foi um semestre ruim. 

Talvez ter vivido outras dores, tão problemáticas quanto se não mais, tenham me anestesiado a ponto de ter aprendido a ainda conseguir olhar para o todo com carinho. Não porque aprendi a ser melhor — isso eu acredito que só vou saber quando/se eu não repetir os mesmos erros no futuro —, mas por ter muitas outras coisas pelas quais ser grata.  

Apesar dos pesares, afinal a vida tem seus altos e baixos de vez em quando mesmo, sou muito feliz com a vida que conquistei. Nem todas as escolhas são acertadas, muitas são inconscientes porque no fundo são fruto daquele território conhecido mesmo que não necessariamente bom, mas muita coisa é consequência das boas escolhas do passado. 

Enfim, é isso. Entre mortos e feridos, salvou-se ainda o meu carinho pela minha vida comum. Feliz pelas minhas conquistas (criar coragem para decidir me desligar do trabalho por mim foi uma) e pelas relações que tenho nutrido (com a família, com as que o fuso horário não impede de existir). Podendo assim fechar mais um post com:

É, a vida presta.

Esse post faz parte da seleção de temas da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Veja mais em temas/#018.

6.7.26

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Tema, 07.2026 ✍🏻 Passatempo/Hobbies.

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Gosto desse tipo de post porque ter um passatempo é algo que pode mudar com o tempo ou te acompanhar por longos anos. Escrever sobre isso é não apenas marcar o espaço-tempo de algo, mas também uma forma de olhar o que permanece sendo nosso. Tempo, tempo, tempo. Não é a toa que a palavra se repete. 

Considerando que só esse blog existe desde 2007, posso dizer que blogar é um dos passatempos que persistiram conforme minha vida foi acontecendo — trabalho, faculdade, maternidade. É algo que já sofri com a ideia de precisar abandonar mas que nunca realmente aceitei de bom grado deixar de lado. Arrisco dizer, inclusive, que ele seria o passatempo chefe em todas as fases da minha vida em que ele fez parte por justamente ser o centralizador de tantos outros passatempos.

Porque além de sentar na frente do computador para ler blogs e escrever sobre as coisas da vida, é ele que me inspira a fotografar (com a câmera, o celular, a instax), a falar sobre minhas leituras, a compartilhar que, por mais difícil que seja encaixar isso na rotina, assistir filmes e séries é algo que gosto muito de fazer. 

Não é a toa que, pensando em como faria esse post, só precisei pegar a minha câmera e olhar ao meu redor. 

Nesse espaço-tempo em que me encontro, tenho aproveitado muito para passar horas e mais horas — que a gente nem vê passar, vale ressaltar — conversando com o Igor sobre o novo subprojeto do Entreblogs, um BEDA temático, carinhosamente chamado de: ⚔️ Dungeons & Blogs - Os Guardiões da Blogosfera. Passar essas horas trocando ideias para o projeto e praticando elas no GitHub — vivendo as letrinhas coloridas que tanto gosto — tem me feito um bem imenso. Tem sido um dos meus passatempos favoritos.

Spoiler? 👀

Quando não estou imersa no meu mundinho vulgo meu escritório, aproveito para ler meus livros físicos enquanto o sol ainda abraça o meu quarto. Uma tentativa de aproveitar momentos desconectada, no off... por mais que goste do que as telas me proporcionam. 

A leitura é um hábito e passatempo que faz só dois anos que consegui resgatar, depois de longos anos sem. Tento sempre encaixar ele no meu dia, seja um livro físico durante o dia ou meu kindle madrugada afora. 

Um outro passatempo que tem marcado muito essa fase da minha vida, tem sido apreciar momentos de calmaria com filhota e mozão: assistir Naruto Naturo enquanto pinto bobbie goods com Sarinha e Toni cozinha nossa próxima refeição. 

Sara e eu acompanhando a animação pela primeira vez, enquanto pratico minhas habilidade como pintora. Toni revendo, enquanto se diverte com os nossos palpites e reações. Além de ser um passatempo em família, tem sido um bom ritual pré almoço nos finais de semana. 

Há ainda os passatempos que sinto saudades de curtir e os que gostaria de me aventurar um dia, mas isso é papo para outro dia. 

22.6.26

Comecei a ler o livro de junho (Com amor, Felícia Gilbert), do clube do livro do Entreblogs, sem expectativas. Para ser sincera, eu não li nem a sinopse. Simplesmente aceitei o que a autora falou lá na comunidade sobre ser um romance bem relax – sim, autora ninguém menos que nossa entreblogger Luly Lage 💅🏻. Exatamente o que precisávamos depois de alguns livros intensos demais. E falo isso na maior cara de pau porque eu nem li os livros intensos hehe mas já me senti desgastada só pela raiva e gastura compartilhada no chat do clube pelos entrebloggers que leram.

Voltando ao livro...

A primeira surpresa foi ver que na história uma das mães da protagonista sugeria que a filha, uma adolescente já adepta de diários, criasse um blog. Sendo alguém que escreve em blogs há mais de duas décadas e que já botou uma criança no mundo nesse meio tempo, automaticamente me imaginei fazendo a mesma coisa com a minha filha num futuro não tão distante. Isso mexeu bastante comigo, de um jeito muito bom.

Sim eu me emocionei (com direito a lágrimas!111!) já no começo do livro me imaginando no futuro ajudando Sarinha a escolher & comprar um domínio para o blog da mini querida. A que ponto chegamos. Agora eu quero viver isso nem que seja pra ela reclamar que faço ela pagar mico, ou seja lá como vão chamar isso no futuro. Shhh, licença materna para cafonice ainda valendo.

Depois disso foi ainda mais fácil continuar lendo, como se eu estivesse ansiosa para imaginar um futuro que ainda não chegou. Ao mesmo passo que acho absurdamente assustador pensar na minha filha adolescente – afinal, adolescentes !!1!1!1! e o que nós pais sabemos realmente da vida não é mesmo –, acho absurdamente divertido pensar no tipo de relação que posso nutrir com a mini queen e que experiências bacanas ela pode ter no decorrer da vida dela.

Num outro momento em que essa mãe também comentou que ainda tinha ativo o próprio blog, me ocorreu uma outra coisa. Minha filha vai ler meu blog? O que ela vai achar? Será se ela vai gostar das baboseiras da mãe, das memórias registradas, de ler sobre parte da infância dela pelos olhos da própria mãe? Luly abriu um triplex na minha cabeça sem querer. 

Depois de refletir um pouco sobre um futuro que só os deuses sabem como vai ser, a história foi me levando de volta para o passado. 

Lá fui eu relembrar da Barbara adolescente.

Lembrar de uma época em que tudo era novo e sentido com intensidade demais. As dores de um coração partido, como se fosse o fim do mundo. 

Hoje me pergunto se a conta de telefone saiu muito cara na época depois de dramaticamente (porque eu lembro dessa cena como se fosse hoje) pegar o telefone fixo (informação importante talvez para contexto época) e tomar um belíssimo fora porque o ghosting via Orkut não me passou a mensagem com tanto afinco quanto ouvir a oficialização do puro suco do desinteresse alheio por telefone. Que babaca. Já achei ofensivo sofrer assim naquela época, hoje parece ainda mais dramático do que foi mas ainda me sinto ofendida pela Barbara adolescente. Pelo menos serviu pra eu decidir não sofrer mais nessa intensidade por ninguém.

Lembranças raivosas a parte, o livro era um romance relax lembra? Não se deixem influenciar pelas vozes e memórias da minha cabeça.

Conforme a história foi se desenrolando e zé ruelas foram devidamente ignorados, voltei mais ainda para o passado. Voltei mais especificamente para os últimos anos do ensino fundamental.

Sentir o gostinho da paixão lá pelos meus 12~14 anos foi um grandíssimo evento porque, veja bem, o excelentíssimo meu parceiro de vida? Sim, ele mesmo, o causador de borboletas no estômago na Barbara pré-adolescente que conheci na 6ª série. O mesmo pivete. Não o zé ruela, mas o pivete bom.  

Aliás escrevo agora esse trecho do post com ele na minha frente jantando, nossa filha no meu lado fazendo a mesma coisa, enquanto eu digito e compartilho com ele a memória de nós dois numa aula da acho que 7ª série e eu quase implodindo de ansiedade porque nossos braços se tocaram quando um foi pegar a borracha do outro durante uma atividade em dupla. Juro que lembro da sensação como se tivesse acabado de acontecer e, caramba, faz mais de vinte fucking anos.

Tenho memórias muito gostosas dessa época, da leveza de se apaixonar enquanto ainda éramos tão jovens. Não apenas jovens, mas inocentes. Nervosismo nos trabalhos em dupla, ir para o colégio em época de gincana, mesmo sem participar, só para ter mais tempo juntos jogando conversa fora.

Diferente da Felícia, nosso primeiro beijo – calma lá, que só foi ocorrer nas férias que antecederam o início do nosso ensino médio ~ ainda cedo mas enfim – foi horroroso. Imagino que seja normal, considerando a nossa idade na época, porque a gente não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Aprender a beijar foi bem mais complicado do que as histórias contam.

Achei que escrever no meu diário — Barbara ❤️ Toni — já resolveria toda parte mágica da coisa. Preciso resgatar esse diário e digitalizar ele, pelamordedeus.

Nosso corte trágico de história? Anos 2000, internet discada, o ensino médio dele seria em outro colégio. Aqui não lembro se fiquei traumatizada com o beijo e decidi que era nova demais pra achar isso interessante, mas ele lembra que eu terminei com ele. Sorry, meu bem hehe love you.

Lá pelos nossos 15 anos trocamos algumas declarações virtuais, ainda complicado demais para uma reaprocimação ao vivo e a cores. Zero ideia de como jovens, jovens demais, namoravam nessa época. Tentamos fazer o negócio acontecer, vivemos o fotolog e as declarações públicas e tal, mas acho que ainda jovens demais. Cada um foi para um lado viver suas vidinhas.

Sim, Luly desbloqueou vários triplex e cá estou eu contando nossa história de amourrrr pela miléssima vez nesse blog.

Não me canso, continuarei cometendo o crime que é amar vo... tá, voltando.

10 fucking anos depois de cada um seguir com suas vidinhas, nos reencontramos e recomeçamos a reescrever nossa história. Já adultos (importante!1!!!) e com WIFI gente, que emoção. Enfim né, daqui uns dias serão 11 anos de namoro, ajuntados há sei lá quanto tempo, com uma filhota maneira que mês que vem fará 6 anos. Doido né?

Felícia – e Luly !1!!!!!! – obrigada pelas memórias resgatadas, por me levar a imaginar as possibilidades que o futuro pode proporcionar. Foi muito gostoso ler essa história. Terminei torcendo para que Felícia vivesse coisas incríveis assim também.

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Clube de Leitura, 06.2026 ✍🏻 Com amor, Felicia Gilbert , de Luly Lage.

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9.6.26

  1. tenho uma cicatriz no meu lóbulo direito da vez que fui alargar a orelha com um cotonete e na hora de cortar o cotonete pra trocar pela joia eu meio que cortei um pedaço do lóbulo; também já furei o freio da língua e o freio labial superior com uma agulha de costura porque eu queria ser descolada com piercings — desconfiem de jovens, assim como fazem com crianças, quando quietos demais
  2. no meu aniversário de 20 anos eu errei o tempo do descolorante e deu corte químico. como eu fiz essa caca enquanto os convidados chegavam para a festa, disfarcei com gel e corri para o salão no dia seguinte. registro da skin final não planejada, a quem interessar; 
  3. em 2006 participei de uma ONG que tinha como parte do projeto visitas interativas e doações para crianças internadas no hospital infantil de florianópolis. doei todos os meus mais de duzentos livros de infância adolescência — menos os que a minha mãe apegada demais escondeu e hoje quem brinca é a sara — e fui fantasiada de palhaça na visita que fizemos; 
  4. na minha época menos fissurada por motos eu queria cursar mecânica de motocicletas e não comecei porque não tinha inscritos suficientes pra começar uma turma. um filme que eu gosto muito e que me remete a essa época é o the world’s fastest indian (desafiando os limites) com o querido anthony hopkins; não ironicamente quase fui com deus na prova pra tirar a carta de moto e achei melhor deixar a minha versão motoqueira de lado; 
  5. quase fui de arrasta vezes demais na infância, até os meus 6 anos aproximadamente, por razões variadas (eletrocutada, afogada, septicemia, tentativa de sequestro 2x, etc — sim tem um etc alguns na verdade) (ironicamente nunca quebrei nada, nunca usei tala e gesso) mas no parto da sara eu realmente achei que ia com os deuses devido a uma hemorragia. o desespero da equipe médica na hora entregava demais o tamanho do b.o. (risos nervosos). relendo agora o meu relato de parto vi que esse detalhe acabei deixando de fora. mas lembro de na hora do caos surgir o pensamento: meudeus, como o toni vai criar essa criança sozinho? que doidera, foi uma sensação de preocupação, e ao mesmo tempo aceitação, bizarra. depois que recobrei minhas forças (e tomei um bocado de ferro direto na veia e mais uma porrada de remédio pro meu útero voltar para o lugar porque nada resolvia), a equipe falou que eu dei um baita susto neles. sustos a parte, dou risada toda vez que lembro que a bolsa foi estourar lá na sala de parto enquanto eu meditava só que não na privada — tão romântica, desculpa filha
  6. passei a tesoura no meu cabelo, escondida atrás de casa, na véspera da minha festinha de cinco anos. hoje fico pensando se inconscientemente foi uma vingança pessoal antecipada porque minha mãe convidou a rua inteira para a festa e eu lembro de ter odiado muito isso HAHAHAHA eu já era uma mini querida antissocial presencialmente; mais provavelmente eu já era propensa a surtos capilares desde cedo; 
  7. eu fui da criança que se enfiava em pasto pra atazanar touro como quem não tem medo da morte para a jovem pega de surpresa por um vaca e assim eternamente cagona. ainda assim as pessoas seguem falando vai fica tranquila elas são só mansas e curiosas e eu sigo tendo que fugir de vaca. me bota pra espantar barata, sapo, aranha... mas não me bota no mesmo pasto que uma vaca solta (mentira eu vou, mas vou cabreira pronta pra meter o pé). queridas vocês são fofas e amo vê-las da janelinha da minha casa mas tenho medo de vocês e vocês sabem disso né suas safadas;
  8. minha avó paterna faleceu quando eu ainda era criança mas lembro de, nos momentos em que eu aproveitava a companhia dela, conversávamos muito sobre alienígenas. até a vez que eu achei legal contar uma história mirabolante sobre ter visto um et ou ovni sei lá pra impressionar ela e depois disso fiquei um bom tempo com medo de ser abduzida como castigo divino espacial por ter inventando a história. anos depois, conversando com uma prima, ela contou que nossa avó acreditava ser de marte. agora não sei se ela aceitou minha história por ser a postura correta a se ter na frente de uma criança quando ela conta que acredita em papai noel ou se ela realmente acreditou no que contei; 
  9. sara vai fazer 6 anos mês que vem e de vez em quando eu ainda olho pra ela meio incrédula com o pensamento caramba eu tenho uma filha !!1!1! tipo eu gerei um humano de verdade sabe? essa criança zanzando pela casa é minha filha !!!1!11!! doido demais; 
  10. apresentei um trabalho sobre demonologia no ensino médio, depois de ficar muito obcecada com uma edição especial da revista superinteressante. o trabalho era para pesquisarmos alguma matéria bacana em revistas e apresentarmos para a turma. apesar do meu afinco (mesmo sendo super tímida na época acho que nunca apresentei um trabalho com tanta convicção), acredito que as crenças da professora não me permitiram tirar uma nota equivalente ao meu empenho. e provavelmente foi ali que eu entendi que as pessoas raramente são imparciais no ambiente de trabalho

***

é divertido pensar em curiosidades sobre a gente, olhar para o passado, para o presente. lembrar dos detalhes que fazem de nós quem somos. isso me faz entender muito da criança que eu fui e de quem sou hoje. porra, faz muito sentido. sem falar que a fruta não cai longe do pé e cada vez mais entendo a filha doida que eu tenho. sou fã demais da bichinha sabe? ela é muito daora. 

fun fact bônus: sarinha tem o mesmo senso de autopreservação de centavos da mãe mas parece que agora a vida parece menos radical e propícia a testes de vida do que nos anos 90. 

e a quem interessar, mais algumas curiosidades aqui

pov: você viu a foto de cima e foi teletransportado para 2002

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Tema, 06.2026 ✍🏻 10 curiosidades sobre mim.

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8.6.26

Essa é a primeira tag da comunidade de blogagem coletiva Entreblogs, sinta-se a vontade para participar :) 

Quem é você fora do blog?

A mãe da Sara, de acordo com os colegas de turma dela. A Capitã Marvel, de acordo com a Sara. A irmã maluquinha, de acordo com o meu cunhado. Filha, melhor amiga, madrinha. Uma jovem senhora de 36 anos que aguenta 11h de festival com a filhota mas que também passaria facilmente meses isolada no meio do nada sem interações sociais presenciais. Alguém que vai assistir Um Dia Depois do Amanhã em dias frios e chuvosos, Jurassic Park incontáveis vezes, Esqueceram de Mim principalmente no fim de todo ano e sempre olhará desconfiada para telhados e milharais graças ao filme Sinais. Namorada, parceira, companheira, ajuntada há mais de uma década com o pivete que me fez sentir borboletas no estômago na sexta série, com direito a declarações no diário nos últimos anos do fundamental, pra uns 10 anos depois desse namorico ingênuo e juvenil a gente se reencontrar e eu descobrir que o pivete crescido ainda me fazia sentir borboletas no estômago. Novamente estudante, novata de algo, aspirante a programadora. Leitora de H. P. Lovecraft mas também de Ali Hazelwood. Amigável e ranzinza, faladora de palavrões, chorona nata. Mais um bocado de coisas que não cabem nesse post... 

Qual é a história por trás do seu blog?

Eu queria um espaço virtual para compartilhar coisinhas e acontecimentos da minha vida, como eu fazia com meus diários, e fotografias, como eu fazia no meu fotolog e flickr. Um blog sempre pareceu abraçar bem essas duas coisas, além de ser um espaço completamente meu, sendo construído e alimentado conforme eu sentisse necessidade. 

Só essa conta existe desde 2007. Com o passar dos anos, além do blog saciar esse desejo, descobri que me permitia e ainda permite criar conexões incríveis com pessoas de vários lugares. Me lembra muito a sensação de quando eu trocava cartas com estranhos e ao mesmo tempo a sensação é de ter amigos de longa data. 

Como funciona seu processo criativo e escrita? Você tem algum ambiente criativo?

Ele flui conforme sinto a necessidade de escrevê-lo na minha cabeça. Posso estar almoçando, pensando na tentativa de invasão a casa vizinha nessa madrugada (e o fato de que só Sarinha conseguiu dormir essa noite) enquanto conto na minha cabeça, como quem conta uma história para alguém, alguma coisa coisa que eu queira deixar registrado nesse diário virtual. Essa história pode ser interrompida e incorporada com o pensamento de como posso ser tão genuinamente feliz comendo um prato de arroz, feijão e peixe que o Toni acabou de preparar. Costuma ser uma bagunça mental de coisas que quero falar enquanto outras coisas acontecem e me fazem pensar sobre elas também, simultaneamente. 

As vezes é durante o trabalho, enquanto incluo pagamentos no banco e penso em algo que me chamou atenção no caminho, como aquela árvore florida que fez a vista do céu azul ficar ainda mais bonita. Sempre lembro do post sobre a caminhada colorida quando passo por lá e me recordo desse dia em específico.  

Involuntariamente me pego refletindo sobre a vida muitas vezes ao dia, ponderando bons e não tão bons sentimentos. Virou hábito e essa reflexão sempre vira um post na minha cabeça, mesmo que nem sempre ele se mantenha inteiro a tempo de vir parar aqui. Talvez tanto tempo escrevendo em blogs crie esse fluxo de pensamentos dentro da gente. Estou sempre contando para mim mesma os acontecimentos do dia. As vezes, conto pra vocês também.  

Para isso, para chegar nesse momento em que os pensamentos viram palavras escritas no blogger, eu preciso manter o fluxo de pensamentos, mesmo que não saia nada parecido do que contei na minha cabeça num primeiro momento. 

Ter um escritório me ajuda nesse processo, o silêncio me ajuda a organizar os pensamentos. Se me filmassem nesse exato momento de construção de texto veriam que passo a maior parte do tempo com o olhar para o além (a direita a vista do pasto com vaquinhas que tanto gosto e a esquerda casinhas, um poste feio que tento ignorar olhando para as árvores e o céu azul), só voltando para a tela quando a continuidade da frase parece fazer sentido (parece, não necessariamente faz). 

Sempre reescrevendo e reformulando até sentir que o pensamento deva virar escrita. 

Só nesse meio tempo Sara derrubou todos os lápis de cor na escada, entrou no escritório reclamando não saber desenhar as guerreiras do quipopi e na sequência, enquanto pensava também nessas interrupções (porque elas também reformulam o caminho da história), Toni entrou para compartilhar as últimas atualizações do evento tentativas de assalto que rolaram nos últimos dias no bairro e nessa madrugada na casa ao lado. Na maioria das vezes esqueço porque exatamente comecei a escrever mas raramente me arrependo de ter começado. Eu até diria que nunca me arrependendo mas acho que a palavra aguenta o peso apenas de um nunca se sabe

A resposta dessa pergunta da tag, por exemplo, começou a ser escrita minha cabeça enquanto eu pensava em assaltos e um prato delicioso de arroz, feijão e peixe. Pareceu mais do que certo começar por ele, esse processo criativo desordenado. Depois eu vejo aonde as outras perguntas da tag vão me levar. 

Resposta dessa pergunta foi escrita começo de Abril. 

Um fato aleatório que você considera intrigante.

Eu com a idade da Sara, aproximadamente, ter caído sozinha numa piscina sem saber nadar (a parte da queda eu lembro como se fosse hoje) e, sem acesso a escada, ter conseguido sair dela sozinha sem ir de arrasta afogada. Até hoje ninguém sabe como eu sai da água. Eu estava na casa da vizinha nesse dia e a dona da casa quando me achou já me viu fora da piscina. 

Meio difícil ser atéia mesmo não sendo religiosa quando a única coisa que falei para os meus pais na época é que os anjos da guarda me salvaram. Doidera. 

Indique um ou mais blogs e compartilhe o que mais gosta neles.

  • notícias de casa — eu gosto muito das fotografias da maíra;
  • histórico infame — adoro os posts semanais do igor e a energia fuçadeira dele sempre inventando coisas no layout do blog (tanta coisa legal escondida, sério, fucem!!1!1!!);
  • arantchas — sou mais feliz lendo as abobrinhas da xis.

Se você pudesse recomendar apenas uma coisa, o que recomendaria?

Tenham blogs. 

23.5.26

Já assisti o filme Interestelar algumas vezes e a cada vez o estrago é diferente. É um filme que eu gosto, sabe-se lá por quais razões. Nunca parei pra refletir muito nisso e, sinceramente, acho que não vai ser hoje também. 

A diferença das outras vezes é que dessa vez foi na minha versão atualizada. Eu sendo mãe.  

E por isso, talvez perdendo completamente o sentido do filme (ou talvez seja essa a intenção? não pesquisei) eu me peguei chorando em várias cenas. Essa sensação maluca de se ter filhos num cenário meio apocalíptico, o olhar de ser abandonado de um filho, enfrentar loucuras por eles apesar dos riscos, sofrer copiosamente com as consequências desses riscos, um amor que só quem se torna pai e mãe de alguém sabe o que é. Sei lá, não me recordo de ter me emocionado com essas cenas nas outras vezes que assisti. Mas dessa vez, putaqueopariu

Dessa vez me desgraçou de uma forma completamente diferente, não pelas teorias mas pelo emocional mesmo. Dessa vez doeu como se fosse eu sacrificando o tempo vivido com minha filha... 

Apesar de em situação de emotional damage, entre lágrimas e a surpresa em ver a Sara largar que no espaço não tem gravidade, foi interessante reassistir com outros olhos, ignorando completamente a síndrome dos americanos salvadores que se orgulham inclusive de serem indiferentes às perdas humanas em prol de se evitar uma extinção (grandíssima ironia vamos combinar), aquela baboseira de sempre etc. Coloque um pouco de drama, teorias malucas, humor e amor e tcharam, está pronto. Esse são meus dois centavos de crítica nada estruturados. 

Agradeci por não ser nenhuma conhecedora de física e afins, não correndo o risco de estragar a experiência discordando de coisas que não sei se são possíveis. Sendo alguém que teve algumas explosões mentais ao ler Eram os Deuses Astronautas? de Erich Von Daniken quando mais nova (pensa num livro doido), provavelmente sempre serei alguém curiosa e fascinada com possibilidades malucas. A gente não precisa nem acreditar nelas, mas a mera ideia de serem possíveis, por mais absurdas que sejam, torna tudo mais interessante. 

Adendo: Apesar do choque com a informação que a Sara largou antes de cair no sono no começo do filme (não julgo), eu fiquei curiosa porque completamente enferrujada com essas pautas. Numa pesquisa rápida e preguiçosa descobri que no espaço tem gravidade sim mas seria o que chamam de microgravidade. 

Enfim, é um filme que eu gosto porque me entretém e me incomoda de várias formas. Cada vez que assisto me perturba o suficiente pra me deixar pensando a respeito por um tempo. Isso, pra mim, vale a experiência.  

Outro adendo importantíssimo: Até agora não entendi como Interestelar foi o filme ganhador na enquete do Entreblogs sendo que a maioria nem gosta do filme ???? Questões...

sim, TV indo com deus (RIP leds)
sara fingindo estar dormindo como se não fosse fazer exatamente isso minutos depois

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Tema, 05.2026 ✍🏻 Assistir ao mesmo filme (Interestelar).

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27.4.26

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Tema, 04.2026 ✍🏻 5 coisas (que não são necessariamente coisas) que me fazem feliz.

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  1. Assistir Jurassic Park.
  2. Barulho de chuva quando não preciso sair de casa.
  3. Rir descontroladamente com a minha melhor amiga depois de tomar 01 taça de vinho (imagina então na terceira taça).
  4. Abraço apertado com fungada no pescoço (que ganho do Toni e que dou na Sara).
  5. Ganhar livros (mesmo os que eu já li).

4.4.26

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Clube de Leitura, 03.2026 📚 TRÊS, de Valérie Perrin.

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Sendo uma pessoa que não consome resenhas e que é completamente influenciada pelas emoções que os livros causam nas pessoas, provavelmente irei seguir o mesmo surto nesse post.

Mesmo quando a pessoa odeia e dá seus motivos, há chances de eu querer ler. 

Aliás, antes de começar esse post gostaria de já deixar claro que essa não é uma resenha comum. Provavelmente será uma grande bagunça emocional, do que senti lendo, das vozes da minha cabeça e as várias abas que se abriram nela, correndo o risco de cometer spoilers. 

Dito isso, leia por conta e risco, preferencialmente se você já leu e já tirou as próprias conclusões.

Ciente e deseja continuar? 

Senta que lá vem vozes da minha cabeça.

Se pensar rápido eu só consigo resumir a minha relação com esse livro em: uma grande piada.

Em 3% eu já me senti super envolvida com a história, aquela certeza de que ia gostar muito e devorar o livro rápido. Esse foi um belo tapa na cara, descobrir que assim como quando eu lia H.P. Lovecraft, eu posso gostar de um livro e demorar 84 anos para finalizar a leitura

Veja bem, eu estou imersa nos últimos dois anos no ritmo obsessivo de ler romantasias que me fazem ler descontroladamente em pouco tempo não importa quantas páginas tenham. Fiquei tão acostumada com esse ritmo frenético — não necessariamente correto e muito menos saudável mas serviu ao seu propósito: me fazer sentir menos desgostosa de algumas camadas da vida — que quando me vi gostando de TRÊS e irritantemente emperrada na leitura eu fiquei com muita vontade de jogar ele pela janela. Não fiz porque as vezes sou teimosa com os desafios pessoais em que me meto, os amigos entreblogers estavam surtando de amores pelo livro (eu sou curiosa!1!1!1!!1!) e estava me sentindo muitíssimo confusa com o fato de gostar muito da história e não conseguir engatar na leitura. 

No decorrer da leitura eu fui criando um ódio imenso por um personagem. Criei suspeitas que agora, lendo um trecho da conversa no nosso grupo de fofocas literárias do Entreblogs, nem me lembro mais qual era. Cheguei num trecho em específico que quase tive um treco, um enterro citado que me fez sofrer por antecedência, eu já gostava de personagens demais. Relendo esse trecho hoje, inclusive, notei que ele citava muito mais cenas que iriam se desenrolar só lá na frente.

Aliás, compartilharei nesse post trechos que não necessariamente serão trabalhados aqui mas que de alguma forma me fizeram pensar. As vezes as vozes não precisam sair da minha cabeça.  

– Do que você mais gostou? Das girafas ou dos leões?
– Do trem.
– Por quê?
– Porque ele é livre. Vai aonde quer.

É uma experiência muito interessante ler um livro com personagens tão reais. Como se a gente entendesse as vozes da cabeça dos personagens porque muitas dessas vozes já foram nossas em algum momento. 

Nina passando lápis de olho e Etienne achando sujo me fez teletransportar para a Barbara na 8ª série e automaticamente lembrar da cara de estranhamento de um amigo. É essa a experiência do outro? 😂 Foi engraçado olhar para o passado pelos olhos da vivência alheia — mesmo que seja a vivência de um personagem. 

É graças a esses momentos de alívio que a gente aguenta o tranco nesse jogo de Tetris da vida. 

Marquei muitos trechos do livro, algo que acho nunca ter feito em outras leituras, e é muito doido como até o simples fato de reler esses trechos mudam toda a perspectiva da coisa. Um trecho que quando lido me remeteu a outras coisas e que hoje, sabendo o desenrolar da história, me fazem pensar sobre outras camadas. 

Adrien se questiona sobre seu próprio muro, aquele que o separa de si mesmo, o muro atrás do qual se esconde desde que começou a respirar: qual é a altura desse muro?

Senti raiva em um pedaço da linha do tempo, como se a história não tivesse o direito de tomar um rumo que destruísse o que foi construído. Como ousa ser tão real a vida e os rumos que ela e as relações dão? Como ousa doer na gente assim? 

Foi uma leitura que tomou muitas lágrimas de mim, pelos personagens, pelas lembranças, pelas reflexões que me causaram. 

– Você acredita que às vezes a vida é mais generosa para compensar tudo o que ela tirou?

Gostei que muitos pensamentos compartilhados eram crus, sem os floreios românticos que muitas romantasias fazem (e tudo bem). 

Quando gostamos do cheiro da pele do outro, quando o identificamos como algo familiar, membro de uma mesma categoria sensorial, temos todo o resto.

Foi um livro que ao mesmo tempo em que me envolvia na própria trama e me tinha nas mãos curiosa para saber o desenrolar da história, mesmo que no meu próprio ritmo, me fez refletir sobre tantas camadas da (minha) vida. Relações amorosas, familiares, de como nossas bases relacionais são construídas com base no que vivenciamos. Como o desenrolar dessas relações criam marcas, anulam, potencializam e remodelam a nossa vida. 

Mesmo que eu não tenha vivido as mesmas relações que a Nina, vejo muito dessas conexões e angústias em outras relações minhas. Essa construção de quem somos, o acordar do que basta, o afastamento do que anulou tanto da gente. A sensação de que o tempo passou e perdemos tanto. 

Não sou a favor de falar que a dor nos torna mais forte, de que mar calmo não faz bom marinheiro. Não queremos ser malditos marinheiros. A vida acontece independente do que a gente faz com as nossas perdas, dores e força. Não importa se vira gatilho, crise, barreira. A vida acontece independente da frase coach da outra rede. 

Mas nem só de reflexões densas vive um leitor. Sendo alguém que escreveu cartas mas também as fez na porcaria dos computadores, tive o prazer de gargalhar com o seguinte trecho:

Ele não entende nada de tecnologia. Dizem que é o progresso. Agora, as pessoas enviam fax e digital no Minitel. Se isso continuar, vão começar a enviar cartas nas porcarias dos computadores e os carteiros não servirão mais para nada. 

Outros trechos me fizeram pensar na minha relação com algumas músicas, na vontade que eu tenho de ler O Perfume tendo visto apenas o filme e em como é divertido achar referências de outras coisas assistidas. 

A música eletrônica o põe em um estado de torpor que alivia seu espírito atormentado. 

Tem um trecho que citam uma tradição inglesa de casamento. Eu conhecia essa tradição por causa da série Outlander. 

A tradição diz que a noiva tenha um objeto azul, um objeto novo, um objeto velho e um objeto emprestado no dia do seu casamento. 

Outros trechos me fizeram pensar em como poucas pessoas realmente nos conhecem. Nossas manias, gostos, nossos silêncios. Se pensarmos que vivemos numa época tão caótica de urgências e excesso de informações, são poucos que realmente sabem quando o brilho no nosso olhar é de alegria ou champanhe. 

A leitura me levou para muitos lugares e, por mais que tenha causado muitas sensações e desconfortos, é curioso ver como pode ser tão crua e real em tantas partes. São pessoas crescendo juntas, com suas próprias histórias e dores, aprendendo a viver suas próprias questões dentro da própria realidade. O que me faz pensar como é fácil odiarmos personagens e ações quando não precisamos nos colocar no lugar do outro. Quando em nossas próprias vidas as relações se constroem cruamente também, e lidamos da forma que podemos com o que temos. As vezes com mais afinco, energia, empatia, as vezes menos. Seja com os outros ou com nós mesmos. 

Ele evita pensar que, talvez, devesse ter feito algo. E acaba dizendo a si mesmo que cada um tem sua vida, que é impossível salvar o mundo inteiro. Que as pessoas também têm a que salvar a si mesmas. 

Enfim, já me prolonguei demais e sinto que ainda continuarei digerindo essa leitura com o passar do tempo. 

– "Morrer" é com um r ou dois?
(...)
– Dois. Mas "viver" é mais fácil, tem um r só.

Valérie Perrin, você me paga. 

Vocês já tiveram enxaqueca depois de chorar?  

Aos amigos entreblogers, obrigada por sugerirem muitos livros diferentes para o nosso clube de leitura. Sem esse subprojeto do Entreblogs eu provavelmente ainda estaria agarrada apenas a dopamina das romantasias. É bom viver temporariamente em mundos fantasiosos (eu queria muito ter um dragão mas não dá pra ter tudo na vida), mas também é importante viver essas histórias tão mais próximas da realidade. 

Agora vocês me dão licença que, antes de encarar o próximo livro do clube, precisarei de uma boa farofada fantasiosa com criaturas, batalhas e hot porque Emmanuel não sofreu o suficiente para o meu gosto e preciso realinhar meu carisma. 

29.3.26

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Tema, 03.2026 ✍🏻 UMA SEMANA COMIGO.

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domingo, 22.03.2026

dia começou com o igor me mandando ir dormir às 04:49 da manhã madrugada? sendo que ele tinha acabado de acordar e eu ainda não tinha ido dormir. esperei dar 05:30 por ser o horário que eu acordaria para tomar meu antibiótico. tomei meu remedinho e fui para o soninho de beleza tardio. 

basicamente madruguei mexendo no entreblogs. mudança de hospedagem, realocação do repositório para minha conta. ajustes por conta da mudança de hospedagem (nem tudo que funcionava em um funcionava em outro). novo domínio. tão bonito

acordei mesmo às 10:30 com a gritaria da sara brigando com o pai. não lembro a pauta da briga.

dia maravilhosamente lento. estudos nos dois centavos que sobrou da manhã. churrasco de almoço, pedido da sara. cochileta russa no sofá até fim de tarde. estudos até a hora de dormir. feliz que ajudei a sara com os deveres já no sábado. 

segunda-feira, 23.03.2026

esqueci de anotar coisas no dia. fiz as anotações na minha cabeça, nada confiável. 

dia de entrega de demandas no trabalho. dia de pagamentos de toda a semana, é coisa pra caramba. 

feriado no município do cliente então, apesar da correria das demandas do dia, não tinha ninguém me mandando mensagem!!1!1!1!!1!1111!!! 

deu problema com dois pagamentos, trava de limite bancário. corre para pedir desbloqueio ao novo gerente da agência. o novo gerente parece ter outro ritmo pra resolver as coisas. fico pensando na velocidade da gerente anterior. a versão minha que trabalhava como se estivesse no pronto atendimento com vidas nas mãos julga a velocidade alheia. a versão minha que lembra que nem eu e nem ele estamos com a vida de alguém em mãos desacelera e aceita que se não deu pra resolver, paciência. depois se resolve. 

comecei o dia ouvindo minhas musiquinhas realinhadoras de carisma com a playlist que eu usava para treinar. sigo dando repeat na música doomed na versão cover da maphra

resolvi arriscar ouvir audiobook pela primeira vez, depois de tanto indicarem a experiência na comunidade entreblogs. escolhi começar com mindhunter e estou gostando muito. 

intervalo do almoço fui comprar balões e velas. sara pediu que eu fizesse festa de aniversário. vamos fazer um churrasco no sábado aqui em casa. aproveitar para comemorar meu aniversário e do compadre. todo ano me fazendo lembrar da nossa diferença de 10 anos e um dia de idade. obviamente comprei velas para reforçar isso. 

fim de expediente. 

chego em casa, tem cheiro de pão feito. 

banho na filhota e estudos. mas dessa vez dormi cedo. 

terça-feira, 24.03.2026

tinha planos para a minha folga de aniversário que será essa semana. a ideia era fazer algo novo. comentei com a minha irmã na sexta-feira que queria conhecer um determinado lugar. acordei na terça-feira não querendo mais fazer coisas novas, gastando energia mental demais pensando na prova que farei no sábado. a ideia de talvez não lembrar mais como fazer e se portar numa prova me dando nervoso. voltei para a ideia de comemorar o dia como nos outros anos. rolês conhecidos e comida conforto. agora é esperar o dia pra ver se é isso que vai acontecer. 

dia tranquilo no trabalho. terça-feira costuma ser inversamente proporcional ao ritmo de segunda-feira. no intervalo do café conversei com a minha amiga (vulgo comadre, best friend, mãe da minha afilhada absolutamente esmagável) o que compraríamos para o churrasco de sábado. sara todo dia avisa quantos dias faltam para a festa. diz que fica feliz quando os outros fazem aniversário também. 

li um pouco no intervalo do almoço e passei raiva com um personagem. maldita marion. ainda lendo três, de valerie perrin, livro de março do clube de leitura do entreblogs. 

tirei 5kgs de areia do cabelo da sara. jantamos. subi pra estudar mais. pesquisei se é normal o goodnotes superaquecer meu tablet (parece ser um problema recorrente do aplicativo em android e ios). peguei no sono antes da sara. 

quarta-feira, 25.03.2026

dia de home office porque pedimos um segundo ponto de internet — depois de ver que seria inviável manter apenas o ponto do primeiro andar — e era a data mais próxima para instalação. agradecimentos especiais para o construtor da casa e seu projeto de centavos. sim, fico indignada toda vez que penso nisso. o instalador muitíssimo simpático conseguiu resolver o problema sem arriscarmos passar a fiação pelo cano da fiação elétrica (o que não indicam nunca). agradeci o atendimento e desejei sorte para que ele não encontrasse outros problemas-de-construção no seu dia. 

três canecas de café e almocei pão caseiro na chapa porque o pão do excelentíssimo sempre será golpe baixo na hora de eu escolher o que comer. considerando que sozinha eu tenho grandes tendências a almoçar pipoca, considero um avanço. 

hoje particularmente animada. home office sempre me deixa animada. comecei o dia com cerração e vaquinhas dormindo no pasto (oi #entrepets). 

mentira, comecei pulando da cama era nem dia ainda pra tomar meu antibiótico e preparar a pequena para o colégio. depois que eles saíram, dia já amanhecendo, é que parei pra abrir a casa e ver que as vaquinhas ainda decidiam se era hora de levantar. 

passei boa parte do expediente resolvendo erros gerados pela muito provável sobrecarga da equipe (e erros de terceiros também). respirei fundo. vida que segue. 

recebi e-mail sobre a segunda aula de um curso de front-end que me inscrevi e ainda não comecei. as coisas que eu me meto não tendo tempo sobrando, socorro. 

recebi aviso do colégio com fotografia da turma da sara fazendo meditação guiada para ver se acalmavam os ânimos. aparentemente a turma dela tem dado trabalho no colégio. um sala cheia de mini queridos de 5 anos cheios de energia em processo de alfabetização. pensem no caos. 

tomei última dose de antibiótico fim de tarde, glóriadeus

instalei duas travas magnéticas de porta que comprei faz semanas. 

quinta-feira, 26.03.2026

rep bardei tu miii. meu aniversário. meus trinta e tantos. 

seria minha folga CLT de aniversário mas troquei a folga para sexta-feira. fui trabalhar presencial preparada para ser abraçada por pessoas demais. foi um dia de expediente engraçado. no horário de almoço corri fazer a unha e a manicure contou que vai ser avó. adoro conversar com a minha manicure, mesmo eu inventando de fazer a unha 1x a cada sei lá quantos meses. 

tarde de expediente um pouco mais curta por ser dia x, dia que rola um coffee break todo fim de mês no escritório pra comemorar os aniversariantes do mês. tem uma galerinha de março. fui feliz comendo coxinhas e salada de fruta. minha fatia de bolo recheado (não sou nem um pouco fã) levei pra sara. 

queria ter mais coisas pra escrever sobre o dia mas até que foi um dia normal de trabalho e cometi o erro de não parar pra escrever quando as coisinhas estavam frescas na memória. para a surpresa de ninguém qualquer acontecimento digno de nota nesse blog evaporou da minha cabecinha. 

finalizei o dia na rotininha de todo dia. banho na criança, janta, estudar. 

sexta-feira, 27.03.2026

enfim a tão esperada folguinha de aniversário. preparei sarinha para o colégio. rolou uma breve discussão cedo sobre a roupa que ela iria. por ser dia do circo estava liberado ir fantasiada ou com roupas coloridas. nunca sei até onde vai o limite da orientação quando a criança quer usar vestido colorido com short-saia estampado junto. convenci ela a trocar por um short básico embaixo do vestido e tomei um mas a prof disse que não existe roupa feia que terei que levar para a terapia que rola dentro da minha cabeça. 

me arrumei cedo sem saber que roupa usaria para passar o dia com minha mãe e irmã. tão no automático que apesar de não ser a pessoa mais vaidosa do mundo, desaprendi a me arrumar. básica demais até para os meus padrões. me maquiei (o que consiste em passar um delineador e rímel) e torci para nada estar vencido. consegui decidir em uma roupa que eu me sentisse bonita e confortável. esperei minha mãe estudando para a prova agendada para o dia seguinte. mandei felicitações para o meu cumpádi aniversariante do dia e ele me contou como foi a prova dele (fazemos o mesmo curso). 

o rolê escolhido para a minha folga de aniversário foi comer e bater perna no shopping. uma grande ironia considerando que eu não gosto muito de sair e de muvuca mas que de algum forma gosto muito da ideia de ter tudo em um único lugar. 

nesse shopping tem um canto na praça de alimentação mais isolado e com um janelão para área verde. então fui feliz comendo meu bigmac conforto enquanto cozinhava no sol e papeava. apesar do rolê ter sido no shopping, passamos a maior parte do tempo sentadas comendo e conversando (amo). 

do almoço, ainda lá dentro, fomos para um café. sugeri logo o café cultura porque sabia que tinha um sofazão que permitia estar no espaço mas longe o suficiente das pessoas. eu sei, eu sou uma piada 😂 o matcha delas veio que era só leite e depois de pedirem um ajuste veio tão verde que não sei como não tiveram um piripaque (elas não são muito do café e acabam sendo mais sensíveis a estimulantes? algo assim). não julgo a pessoa que preparou a bebida mas claramente foi de 0 a 100 muito rápido. acontece. 

passamos na frente da ri happy e um pensamento saiu em voz alta, de que quando eu tivesse grana suficiente me daria uma pelúcia gigante. minha irmã rindo, porque enquanto papeávamos no café falávamos sobre a força de jogar desejos para o universo etc (esqueci do termo que ela usa pra isso), falou para entrarmos como quem diz entra e projeta o desejo. na hora que eu abracei aquele stitch imenso a minha mãe perguntou se eu queria de presente. não lembro a última vez que respondi que sim para um questionamento desse com tanta rapidez. minha irmã caiu na gargalhada falando que nunca viu a projeção de um desejo ter um retorno tão rápido. o vendedor provavelmente está até agora tentando entender como uma venda absurdamente improvável (adultas entrando na vez dele pedindo para ver um pelúcia gigante) deu certo. expliquei para minha mãe que eu sempre quis ter uma pelúcia gigante quando criança mas nunca tive coragem de pedir porque sabia que era caro. nessa hora eu tive certeza que todas as pelúcias que eu comprei pra sara na verdade eu comprei para a minha versão criança (e sim, estou aos prantos enquanto escrevo esse parágrafo). 

depois desse momento que provavelmente vai marcar toda a minha existência, fomos bater mais perna. como se é de esperar, passeando com um stitch gigante em um shopping, virei um grandíssimo ponto de atenção em todos os corredores e lojas que passávamos. sendo bem sincera, foi divertido demais ver muitos outros adultos achando a cena divertida. não deve ser muito comum ver adultos passeando com uma pelúcia gigante, não é mesmo?

paramos numa loja para ajudar a minha irmã escolher entre duas calças. eu amei muito uma e minha mãe amou muito a outra. terminei provando calça e me sentindo uma grande gostosa. caímos no esquema de pirâmide de compre 3 e leve 4. grandes gostosas. 

procurei em outras lojas camisetas com estampas legais e não encontrei nenhuma. 

fizemos mais um longa pausa na nossa cafeteria-sofá conforto. comemos e papeamos muito. saímos do shopping já passava das 21h e eu já tinha esquecido inclusive que tinha prova na manhã do dia seguinte. obviamente cheguei podre de cansada em casa, tomei um banho e fui dormir. 

amo demais aproveitar a minha folga de aniversário com as duas todo ano. virou um momento muito nosso que sempre me faz imensamente bem. 

sábado, 28.03.2026

tinha colocado despertador para as 7:30 para tomar café com calma e ir fazer a prova. acordei sozinha as 05:00 e cai num esquema de cochilos infelizes de 5 em 5 minutos. tinha esquecido a delícia que era ansiedade pré prova, meudeus. só tomei um café porque não consegui comer e fui fazer a prova. foi uma grandíssima bosta. provavelmente eles tem um esquema de sorteio de perguntas e eu dei muito azar. as coisas que eu estudei e revisei trocentas vezes não caíram (acho que uma das dez questões e nem ela eu sei se acertei). agora é esperar o resultado e torcer para as notas das atividades aguentarem o peso de me fazer passar nessa matéria introdutória lazarenta. 

voltei para casa com um uber estrangeiro perguntando se eu tinha sugestão de rota. algo que depois de quebrar a cabeça tentando lembrar como fazer conversão de número binário e hexadecimal eu não saberia responder nem se a pergunta fosse na minha língua. dei nota cinco mesmo sem entender nada do que o coitado me desejou na hora de sair do carro. 

já em casa comi um pãozinho pré churrasco-festa de aniversário (solicitação da sara) enquanto enchia balões e a sara reclamava que a tia tay estava atrasada. eu amo demais essa pequena muvuquinha familiar de aniversário que todo ano a gente ameaça desistir de fazer mas que nunca nos arrependemos quando fazemos. 

apesar de nos vermos todo dia no trabalho, cumádi tay e cumpádi gui, recebê-los em casa e poder esmagar minha afilhada não tem qualquer comparação. dessa vez convidamos a rafa, que também trabalha com a gente e o lucas, um amigo do gui. foi gostoso demais ver as pequenas brincando, afilhada andando (ela e sarinha tem quatro anos de diferença e dividem o mesmo signo e mês de aniversário), enquanto rolava o churrasquinho na tranquilidade de casa. 

queria ter fotografado mais porém contudo todavia chegando a gravíssima conclusão que depois de duas taças de vinho minhas habilidades fotográficas vão com deus. os registros do dia se resumem a fotografias de qualidade duvidosa da afilhada usando o óculos da sara e relógio da rafa, polaroids trêmulas (porque a mãe-madrinha já tinha começado suas taças de vinho) da sara e sofia lutando com o stitch, e um vídeo do parabéns (que rendeu alguns bons frames) depois da sara perguntar 500x que horas ia ter o parabéns. 

as velas, um grande lembrete anual de que quando eu tinha 10 anos nasceu o cara que ia me dar uma afilhada maravilhosa com a minha melhor amiga (tentando não chorar enquanto escrevo esse parágrafo também). a fatia de bolo utilizada para o parabéns foi um oferecimento rafaela virando a taça de vinho justo na parte do bolo que era para a sara (a que tinha granulado). podemos fazer de conta que estamos fazendo 2.636 anos em vez de 26 e 36 respectivamente. sem falar que cantar parabéns e assoprar velinhas é sempre mais legal quando nossas filhas gargalham de alegria no processo. 

terminei o dia com uma ressaca absurda (e zero arrependida). celebrar a vida com quem amamos sempre me dá esperança de que a vida é boa acima de tudo e que dias melhores sempre virão. 

chorei revisando o post, é isso. a vida presta demais.