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7.8.26

No último domingo fui visitar meus sogros e aproveitamos para pegar mais algumas coisas na nossa antiga casa, que fica no mesmo terreno que a casa deles. Nessa de ver o que faltava trazer, achei algumas caixas com diários antigos meus, DVDs não gravados e outros cacarecos que a gente guarda por qualquer que seja o nível de apego. 

Sara ficou animadíssima quando viu que a mamãe quando criança também gostava de emperiquitar folhas, desenhar e, a cereja do bolo, ainda conheceu o papai na época do colégio. Ela chegou a perguntar se éramos gêmeos (não sei da onde ela tirou isso) e se estudamos juntos para depois viramos pais. A própria Nazaré Tedesco tentando calcular a ordem cronológica das coisas. 

Quando cheguei em casa parei para folhear com calma algumas páginas, o que me proporcionou boas risadas. Th apontou em um texto dele recentemente o mesmo problema que me pegou lá em 2004, vide primeira foto desse post, e que me pegaria hoje se eu não tivesse lembrado desses registros. O problema não é escrever, é ter assunto.  

Naquela época, nada como a volta as aulas e uma internet discada aos finais de semana pra render alguns assuntos. 

Quando mostrei para sogra, ela perguntou rindo:

— É daquela época que ele pegava a bicicleta pra ir na tua casa?

Eu acho sensacional ter memórias dessa época, além dessas memórias escritas por uma adolescente apaixonada. É gostoso demais de recordar. Tenho um carinho enorme pela nossa história, nossas adolescência, mesmo que a vida tenha tomado outros rumos no ensino médio para, só depois de dez anos, lá em 2014, nos reencontrarmos. Um pouco daquela energia de que as coisas acontecem como tem que ser, né? Nessa brincadeira, já são mais de uma década juntos pós reencontro e uma filhota sapeca para a conta. Não dá pra reclamar. 

Bom, pra quem achou que não ia ter assunto para hoje, acho que está bom.

Talvez eu ainda traga mais registros desses diários. Tem uma página muito boa, lá de 2001 se não me engano, em que reclamo sobre estar perdendo a minha infância por me colocarem para ajudar a lavar louça e, pasmem, não ter mais tempo para brincar. Que absurdo 😆

6.8.26

Acordei antes do despertador tocar, de algum sonho que já não lembro mais. Decidi dormir mais um pouco porque o sono que tem me dado pela manhã ainda é uma coisa incômoda. Despertador tocou e Sara, que não costuma acordar sozinha sem que eu insista muito, me chamou porque havia acontecido um acidente noturno. Do lado de fora da janela, mal dava pra ver as casas de tanta cerração. 

Tira o pijama molhado, recolhe a roupa de cama, leva a criança para o banho. Pelo menos foi mais fácil desembaraçar o cabelo dela molhado. Coloca uniforme, penteia o cabelo, escova os dentes, separa um brinquedo, arruma a lancheira. 

— Ainda bem que é o papai que arruma meu lanchinho né? Se não ia atrasar tudo.

— Por isso que mamãe te arruma enquanto o papai arruma o lanchinho. 

Levou um pedaço do bolo que eu fiz, pãezinhos com pastinha de ovo, melão cortado e um suquinho. Ainda diz que as vezes é pouco e passa fome. Deus te crie, menina!

Entra no carro com o pai, me dá uma abraço apertado. Deus me livre sair sem o abraço. Seguem pela rua no meio da cerração mesmo. 

Volto para dentro da casa, com tudo ainda fechado de tão denso que parece o ar do lado de fora. Roupa na máquina de lavar, recolho as que secaram no varal que ficou na cozinha. Preparo um café e me contento com uma banana porque acabou o pão e ainda não quero encarar um pedaço de bolo, apesar de delicioso. 

Subo e aproveito para tomar um banho, tirar o pijama. Talvez o pintor venha hoje, apesar de não ter vindo ontem. Não estou lá muito esperançosa, pela vibe Silent Hill do loteamento no momento, mas me preparo caso tenha que recebê-lo. 

No grupo do Entreblogs ainda rolam as discussões sobre quais plataformas migrar depois da queda de alguns bloggers. Crio uma conta no BearBlog por desencargo e penso se começo uma migração ou não. Pego mais um café e leio alguns blogs, coisa lá de junho. 

Toni manda mensagem, nada do pintor chegar. Casa segue fechada, cerração segue firme e forte. Levanto a cada barulho da rua pra ver se algum carro parou na frente. Barulho dos passarinhos que vivem no entorno e de algumas obras em andamento. Um bebê chora em alguma casa da vizinhança. 

Penso se encaro uma terceira caneca de café ou se tomo vergonha na cara e paro pra almoçar. Decido começar esse post, sobre um dia comum. Quero entregar a terceira missão da semana, mesmo sabendo que logo o vilão deve cair, novamente. Se cair, vai ficar no chão mesmo. Enquanto participante fico feliz pela rasteira dada, enquanto mestra penso que não tenho mais ideias de reviravoltas para essa semana. Acho que para o Crítico Infinito deu de auê. Pois que fique no chão. 

No pasto em frente a minha casa consigo ver três vacas e um bezerro. Fazia tempo que não olhava isso, considerando a disposição da minha mesa nas últimas semanas. Fiquei feliz em saber que no projeto do loteamento vão construir uma pequena praça em frente, ao invés de outra residência. Espero que as vaquinhas continuem ali por muitos anos. 

Vergonha na cara tomada, catei umas coisas na geladeira e fiz uma mistureba pra cumprir o propósito de almoço. Comi enquanto lia mais um capítulo de Dados & Disputas da Kristy Boyce. 

Apesar de não ser muito de doce, senti falta de finalizar a refeição com um. Cacei o pote com restinho de brigadeiro de colher na geladeira, de semanas atrás, mas Toni já tinha dado o fatality nele. Eu fico realmente chocada em quanto tempo essas coisas duram na geladeira sem estragar. Achei no armário outro doce e fui feliz com uma barrinha de doce de leite com amendoim. Ignorando completamente minha intolerância a lactose. 

No grupo mais uma vez a pauta derrota do vilão, que aparentemente ficou tão frustrado que causou a queda de outros blogs. Graças à Deusa Bëwa esses blogs já foram reativados. O vilão realmente terá seu último dia nesta quarta-feira e essa mestra cansada dará uns dias de tranquilidade para nossos aventureiros. Uma pausa para nos prepararmos para o vilão da próxima semana. Preciso rever os HPs dos outros vilões. Aí do nada os caras tão lá papeando sobre modelos de mixer, juro. Adoro essa comunidade!

Uma trégua na barulheira da obra, devem estar almoçando. Olho para a frente de casa, agora são oito vacas. Nem sabia que haviam tantas. 

Sono ameaça me dar uma rasteira pouco tempo depois, decido me esticar na cama para uma cochileta russa. Ainda é estranho poder fazer isso pleno dia útil, estar desempregada. Parte de mim ainda fica com certo peso na consciência, pensando se já não deveria começar a mexer meus pauzinhos. A outra parte lembra o porque de eu ter me desligado, do quanto esse momento é importante pra minha saúde. No fim, pensei demais e desisti de dormir. 

Nada do pintor chegar, provavelmente não virá hoje novamente. Além da cerração não passar totalmente, começou a chover. As chances dele aparecer realmente parecem mínimas. Vou enfim para a minha terceira caneca de café e aproveitar o silêncio e o climinha propício para ler mais alguns blogs. Melhor ainda, lembrei que tinha bolo! 

Não sou fã de bolo, num geral, mas bolinho caseiro fofinho sem recheio eu gosto. Em casa, é muito raro eu colocar cobertura e se coloco é a pedidos da Sara. Só a massa fofinha, sem ser muito doce e com um cafézinho, fica perfeito. 

Olhando esse post já quilométrico, nem escureceu ainda, e pensando que, assim como ontem, hoje é mais um dia usando sutiã desnecessariamente. Eu poderia estar no conforto dos meus pijamas! Nem conheço o pintor mas já odeio ~pakas. 

Será se na época do Orkut existia alguma comunidade odeio prestador de serviço que não cumpre o combinado? Não lembro se adultos utilizavam aquela rede social e isso definitivamente não parece um problema recorrente entre adolescentes. 

Resolvi abrir um pacote de salgadinhos da Sara e peguei um pouco, torcendo pra ela não surtar quando descobrir. Depois de ler em algum post a menção à coquinha gelada, precisei pegar uma na minha geladeira para completar o petisco aleatório dessa tarde. Segue chovendo muito e a cerração parece ter aumentado novamente. Logo Toni e Sara devem chegar em casa. 

Já vi que o vilão foi derrotado e agora minha meta pessoal é acompanhar em quantos pontos negativos o safado vai terminar a semana. 

Tomo minha medicação do dia, desço pra dar uma ajeitada na cozinha. Ninguém merece chegar cansado e estar tudo revirado. Prometi que hoje, como não tinha aula para assistir, poderia sentar para pintar com a Sara. Pintamos um pouco enquanto papai prepara a janta e nesse momento já sinto que o sono, por conta da medicação, seria violento. Logo meu humor azeda, os olhos começam a pesar. 

Pergunto para o Toni se é assim que as pessoas se sentem normalmente, quando não estão com a adrenalina bombando 24/7, esse sono que vai e vem quase que diariamente. Mal termino de jantar, derrotada, Sara já me libera para ir dormir. Agradeço o gesto, nem sempre a mini chefe libera, e capoto antes mesmo das 20h. 

Assim termina minha quarta-feira. 

5.8.26

  • a luz amarela do abajur no meu escritório;
  • cheiro de pão caseiro recém saído do forno;
  • sara cantarolando;
  • efeito de luz na janela do quarto e do banheiro, transformada em um arco-íris na parede; 
  • sombra da folhagem na parede no fim de tarde;
  • sara pronunciando naruto e sasuke;
  • jantar pizza que o toni faz;
  • quando a sara segura minha mão;
  • polaroids na minha escrivaninha;
  • sara apertando a barra de espaço do notebook pra dar play em naruto sem eu pedir;
  • rir assistindo jujutsu kaisen;
  • sara pronunciando palavras errado (pitia, pobela, alinenígena);
  • abraçar uma caneca quente com as duas mãos;
  • pés descalços na areia da praia;
  • virar a parte de dentro da conchinha no meio da noite;
  • calor do sol na pele em dias frios;
  • ouvir a abertura de jurassic park quando toni coloca na tv sem me avisar;
  • retirar a roupa quente da máquina de secar ou do varal em dias ensolarados;
  • sara falando: porfavorzinhooo 🥹👉🏻👈🏻;
  • as florzinhas caindo no wallpaper animado que uso as vezes no monitor;
  • cheirar a cabeça da sara e da minha irmã;
  • receber e-mail de moderação de comentário novo no blog;
  • comprar um livro que eu já li no kindle mas gostei tanto que preciso dele físico;
  • quando a sara dá uma colherada na comida e diz, com os olhos fechados: hmmm gostoso 🙂‍↕️;
  • escrever no blog;
  • listar coisas que me fazem feliz;

4.8.26

primeiro dia oficial do BEDA e estou chocada olhando para a planilha de entradas. 50 inscritos. +30 pergaminhos entregues. no primeiro dia! ainda bem que ontem igor e eu recalculamos a coisa toda e aumentamos o HP do vilão porque essa turma pelo visto ia derrotar o danado em dois dias fácil. que doidera. que demais!

muitas coisinhas e emoções passando pela minha cabeça enquanto olho pra proporção que esse projeto está tomando. é surreal. 

🥹👉🏻👈🏻

edit #1: meteram uma rasteira violenta no vilão em menos de três dias e foram +80 pergaminhos entregues. foi necessário convocar reviravoltas vilânicas para a campanha. 

edit #2: quanto mais eu demoro a soltar esse post (que costumo ir preenchendo aos poucos), mais o números mudam. já são +100 posts entregues ao BEDA pela galera.

▃▃▃▃▃▃▃

puxando assunto com a sara, pra ela conversar comigo sem levantar quinhentas vezes da cama empombando com qualquer coisa no quarto só pra adiar a hora de dormir, entramos na pauta alinenígenas. ela me disse que aprendeu e agora sabe das coisas. os alinenígenas vivem no sistema solar então por isso não corremos perigo, porque é em outro planeta. a mesma coisa os dinossauros, que não vivem mais aqui e sim em outro planeta. ela acha que é em saturno. depois perguntou se todas as janelas e portas estavam fechadas, só por garantia. conhecimento compartilhado, relaxou e dormiu.

▃▃▃▃▃▃▃

fuçando a conta na udemy que o toni tem, descobri que ele comprou um curso de desenvolvimento web e nunca fez (negócio dele é backend). agora eu tenho +126h de curso pra desbravar. yaaaay! 

o de java também preciso encarar... 👀

▃▃▃▃▃▃▃

fiz uma página /beda pra listar todos os meus posts do mês de agosto e coisinhas relacionadas à campanha temática do entreblogs. ainda não finalizei mas já ficou muito bonitinho. 

▃▃▃▃▃▃▃

estamos com alguns probleminhas de infiltração na casa e como ainda são de responsabilidade da construtora, dependemos da disponibilidade do pintor que eles fornecem. era para o pintor vir agora pela manhã começar o serviço de raspagem de algumas paredes e até agora nada. a casa virada de cabeça para baixo, até sofá coberto com lençol tal qual cenário de casa abandonada. odeio ficar esperando as pessoas sem saber se elas realmente vem e em que horário. e se o abençoado resolver chegar na hora que eu inventar de tomar banho? como que eu consigo me concentrar nas minhas coisas se a cada barulho de carro eu tenho que ver se alguém apareceu na frente de casa? diacho! 

2.8.26

Quando estava conversando com o Igor sobre as possíveis missões de cada vilão, falei que o desafio do rascunho eu não conseguiria fazer por não ter rascunho nenhum no meu blog. Os únicos rascunhos que criei aqui foram na véspera do Beda para antecipar o começo de alguns textos. No geral, se alguma ideia não vira texto eu só excluo mesmo e escrevo o que der vontade na hora. 

Foi quando ele sugeriu que eu olhasse outros lugares que pudessem ter anotações minhas que lembrei que vez ou outra abro o App Diário (Journal), da Apple, e anoto coisas que me passam na cabeça no momento. Geralmente são coisas que eu gostaria de falar no blog mas não estou na frente do notebook para elaborar melhor. 

Enfim, achei que serviria ao propósito e selecionei algumas anotações. 

domingo, 5 de jul.

as temperaturas baixaram novamente, malditos 10 graus, e desisti de tentar madrugar para aproveitar a tranquilidade da madrugada. sinto dor nas costas. sentir frio me dá dor nas costas. sem falar que provavelmente enfrentando uma virose que não sei se peguei da sara ou do toni e as glândulas do meu pescoço estão quase gritando de protesto. um dor de garganta que não sabe se realmente vira dor de garganta ou apenas a ameaça de uma gripe. digito no celular, debaixo das cobertas, velando o sono da filhota que resolveu catar todas as mantas da casa e transformar a própria cabana em cama. está apagadíssima ali dentro.

sábado, 6 de jun.

  • pão de hamburguer
  • frango
  • molhos
  • batata palha
  • prensado

Se puderem testar esse em casa, é meu vício até o momento. Frango desfiado. Molhos: Ketchup, maionese e, importantíssimo, mostarda! Prensa numa sanduicheira e seja feliz. Sério, nunca mais senti falta de pedir lanche. Aliás, testamos com carne de porco desfiada essa semana e também ficou sensacional. 

sexta-feira, 15 de mai.

receber notificação de comentário novo no blog durante o expediente 🥹🥹🥹🥹 bom demais

quinta-feira, 7 de mai.

tayna vivendo o luto da minha saída já na primeira semana do meu aviso prévio trabalhado ??? segundo dia consecutivo com direito a abraço apertado ❤️

— se acostuma comigo sendo mais carinhosa que o normal esse mês

quinta-feira, 23 de abr.

criança em processo de alfabetização é bom demais porque uma hora tu olha ela tá contemplando a paisagem olhando pela janela do carro e do nada larga DEPOIS DO 28 É Q NÚMERO

mas o A de ATIRAR O PAU NO GATO me pegou

Esse não me recordo se já virou parte de algum post mas dou risada toda vez que lembro desse dia e do comentário dela.  

quinta-feira, 25 de set. de 2025

pensando aqui quando nosso filho faz quantos anos a gente se acostuma com a ideia de que é mãe porque a sara já fez 5 e ontem quando o cara do colégio respondeu com "então mãe" eu fiquei EITA VERDADE NÉ EU SOU MÃE

Sigo olhando pra criança e pensando: eita! 

sábado, 22 de mar. de 2025

domingo com cheiro de pizza no forno, o caos sonoro que me aconchega porque é lar. the offspring tocando na alexa, a era do gelo passando na tv, som da sara chupando o bico, transmissão de partida de cs. som e cheiro de lar.

Nessa época morávamos na outra casa, mas na casinha nova os sons e cheiros ainda são de lar. Os rituais se mantem.  

1.8.26

Eu costumava brincar que da minha mãe herdei apenas os problemas de visão, porque se você olhar nas fotografias, sejam elas velhas ou novas, dos cachos eu devo ter herdado aqueles 2% só pra não dizer que não veio nada. O resto todinho dos cachos foi para minha irmã. 

Porém, eis que me encontro pensando em temas para o #beda em agosto, e correndo o seríssimo risco desse post não esperar até lá, e paro para rever algumas fotografias analógicas que minha mãe fez nos anos 90. (edit: nem acredito que consegui segurar esse post até agosto)

O grandíssimo plot dessa experiência foi descobrir que, aparentemente, herdamos também os hábitos. Minha mãe gostava, e ainda gosta muito, de registrar a vida acontecendo. 

Lembro dela escolhendo a roupa de banho do verão de nós três, que precisava sempre combinar. Certo verão ela escolheu amarelo e, para meu completo desespero, descobri que ele ficava transparente quando molhava. Apesar de na primeira foto desse post eu estar deitada na prancha sem a parte de cima do biquini, porque nessa idade eu pouco ligava para exposição e não via qualquer sentido em usar, em algum momento da minha infância-adolescência eu comecei a sentir vergonha. Nesse fatídico dia, passei todinho sentada na areia esperando a droga do maiô secar. 

Lembro das poses no costão, porque o mar no fundo estava bonito, e certa vez uma onda quase nos levar. Minha irmã caiu um pacote medonho que ela deve até hoje sentir palpitação no coração. Mas o mar estava belíssimo, realmente. Hoje eu dou risada dessa memória, mas no dia briguei com a minha mãe porque minha irmã ficou muito assustada. 

As vezes essa mania de registrar tudo irritava sim, mas suspeito ser sintoma de mãe também. Eu bem sei a quantidade de registros que quis fazer da Sara porque até ranzinza e fazendo birra fica fofa e a gente quer guardar aquele segundo na memória (e no papel) pra sempre. 

As maiores lembranças que tenho dessa skin fotógrafa dela eram no verão. Íamos para Imbituba/SC aproveitar as férias com a parte materna da família — minha mãe é de lá — e isso sempre rendia muitos registros. Quando adolescente lembro de uma vez querer usar a câmera analógica dela e ela falar bem séria: apenas uma foto porque só tem 10 poses e é caro. 

Caramba, 10 poses, o que são 10 poses pra gente hoje?

Ela tinha uma filmadora também. Inclusive queríamos resgatar algumas filmagens feitas na época, mas infelizmente muito se perdeu. 

Muitas manhãs ela saia cedo rumo à praia, antes mesmo da gente acordar, pra ir filmar meus primos surfando ou treinando capoeira. Tinha filmagem do parto da minha irmã, dos nossos verões, dos momentos em casa. 

Uma contempladora crônica da própria vida. Com licença poética para este belíssimo diagnóstico inventado e afetuoso, não de quem sofre de alguma condição, mas de quem vive inevitavelmente distraída pelas belezas da sua vida comum. 

Vive encantando quem vê beleza no ordinário. 

Conseguem pensar em mais alguém assim? 

Eu tenho tantos registros da Sara que parecem réplicas dos registros que minha mãe fazia da gente criança, que não tem como negar qualquer parentesco. 

Somos contempladoras, o tempo todo achando as bonitezas no nosso entorno e querendo preservar esses momentos pra sempre numa fotografia, em um vídeo. 

Posso não ter herdado os cachos, mas claramente herdei esse olhar apaixonado pela vida. 

As vezes ultrapassamos alguns limites? As vezes, sim, mas arrisco dizer que mãe tem alvará pra cometer alguns deslizes de vez em quando. 

No fim das contas me alegra demais ter tantos registros assim da minha infância, não ficar a mercê apenas da memória, das histórias contadas, reais e distorcidas pelo vida e pelo tempo. 

mama queen in 80s
17.7.26

Tem quem prefira ler antes de assistir algo inspirado na história e eu acho isso sensacional. Só que comigo, na maioria dos casos, eu resolvo ler determinados livros depois da experiência de assisti-los. Fico tão envolvida que sinto que assistir não é suficiente e preciso repetir a experiência por outros meios. Foi o que aconteceu com Planeta dos Macacos1, com Viagem ao Centro da Terra, com O Hobbit, Senhor dos Anéis... e agora com O Perfume

Aviso — Se você ainda não leu ou não assistiu ao filme, saiba que provavelmente compartilharei minha experiência com spoilers de ambas as experiências. Leia por conta e risco 👀 

O Perfume, a história de um assassino

Não me recordo quando exatamente assisti ao filme, mas lembro que foi uma experiência muitíssimo interessante. Na época entrou para a minha lista de favoritos fácil. Fiquei deslumbrada tamanha a estranheza que a história entregava. Chega a ser engraçado como, na primeira vez que assisti e que só percebi isso hoje revendo o filme, o que mais me marcou foi o começo e o fim da história. O nascimento de Grenouille, as experiências sensoriais dele, o grande Baldini — que eu lembrava ser interpretado pelo ator Dustin Hoffman — e, esquecendo completamente do meio da jornada do nosso protagonista, o julgamento. Mesmo não sendo de fato o final da trama, foi uma cena que me marcou muito. 

Agora, enfim tendo a experiência de revisitar essa história por meio da leitura graças ao clube do livro do Entreblogs — escolhida mediante ameaça votação para ser a leitura de julho —, posso afirmar que não apenas o filme mas agora também o livro fazem parte da minha lista de favoritos

França, século XVIII. O recém-nascido Jean-Baptiste Grenouille é abandonado pela mãe junto a restos de peixes em um mercado parisiense. Desprovido do cheiro que todo ser humano exala e rejeitado pela sociedade que o considera um ser abominável, o menino Grenouille cresce sobrevivendo ao repúdio, a acidentes e a doenças.

Durante a juventude, ele descobre ser dotado de um dom sublime ― uma extraordinária sensibilidade olfativa ― e passa a buscar a essência perfeita, o perfume que lhe falta para atingir o que mais almeja.2

O livro, que naturalmente foi lido com os vícios da memória por eu ter assistido ao filme primeiro, na Parte I entregou uma experiência tão boa quanto se não melhor do que quando assisti. Foi divertidíssimo resgatar cenas visuais enquanto lia parágrafo a parágrafo descrevendo as infinidades de cheiros da época, conhecer mais da história de Baldini que eu lembrava uma coisa ou outra da sua personalidade. Eu lembrava da atuação do ator Dustin, suas expressões e choque, mas lembrava muito pouco das camadas da sua história enquanto mestre perfumista. 

“As referências de Süskind ao cheiro são tão fortes que as páginas parecem estar impregnadas.” ― The Times

A Parte II me passou a sensação de um grandíssimo what the fuck porque eu não lembrava de nada disso acontecendo no filme e me deu um certo cansaço tamanha viagem. Ao mesmo tempo que, parando para rever o filme antes mesmo de ler a Parte III, me fez pensar que mesmo que meio exageradamente3 esse momento de introspecção e revelação aconteça com o personagem, consegui compreender mais do filme, porque sim parte dessa história foi para as telas também. No filme esse desejo e incômodo por trás do que ele parece buscar parece ser discutido tão sutilmente que quando assisti pela primeira vez nem notei. A experiência, livro e filme, se tornaram ainda melhores depois que entendi isso. 

Na Parte III volto a resgatar as memórias do filme durante a leitura, com a sensação de que filme e livro voltam a se conversar. Não em tudo, mas em muita coisa. 

Parando pra analisar melhor agora, é inegável, os personagens são muito mais detalhados no livro do que no filme. A escrita do Patrick consegue entregar camadas, de tantos personagens, que o filme não consegue. O que torna a experiência, de ler depois de assistir, ainda mais interessante. 

Talvez, se eu tivesse lido antes de ter assistido, teria gostado menos justamente por sentir que o filme não entrega tudo o que o livro consegue — mesmo sendo, pra mim, um filme incrível. Como a minha experiência foi o inverso disso, lendo a história de um filme que gostei demais, é como se algo que eu já achava bom conseguisse ficar ainda melhor. 

"O assassino parecia ser inatingível, incorpóreo como um espírito." 

Patrick Süskind, O perfume.

Já sobre coisas não tão relevantes, a primeira cena em que é apresentado o ateliê de Madame Arnulfi, eu só conseguia pensar na crise de rinite que me daria, apesar do lugar ser tão bonito recheado das mais diversas flores. Assim como, lá no começo do livro, fiquei pensando como a ama que cuidou de Grenouille bebê achar completamente esquisito um bebê não ter cheiro de bebê. Imagine cheirar a cabecinha de um bebê e não sentir nada? Cruzes.

No trecho da história em que somos apresentados também ao item mais desejado de Grenouille, me pego surpresa por não me recordar de que era Alan Rickman (nosso querido Snape, em Harry Potter) que atuava como pai de Laure. Este homem! 

Voltando para detalhes mais relevantes, achei curiosa a representação no filme de como os ricos e respeitados burgueses e nobres, eram cavaleiros esclarecidos e anticlericais até que algo atrapalhasse os seus negócios, aí sim recorriam ao bispo, à igreja, para que este enfim amaldiçoasse e banisse o temido monstro. Aos ricos a fé é conveniente apenas como arma para controlar e acalmar os ânimos. 

Quanto a Alan Rickman, o ator parecia cansado com a incompetência e burrice alheia tanto quando Antonie Richis ou quando sendo Snape. Fiquei feliz que certas tentações e pensamentos intrusivos dele foram detalhados apenas no livro, teria sido uma experiência nada agradável no filme. 

Sem mais divagações...

O livro aborda muitas camadas da época, das crenças, da moral e de tudo o que falta em Grenouille, o que vai além do cheiro. Algo que é muito melhor trabalhado e descrito no livro do que no filme. Até a Parte IV, sendo a parte final e por mais parecida que seja entre um e outro, é muito mais crua e bruta do que no filme. 

Termino então esse post ansiosa para ler as impressões do meu colegas, de uma história que parece permitir uma infinidade de reflexões. 

Esse post faz parte do clube de leitura da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Veja mais em clube/072026.

Resenha publicada hoje, 17 de julho, em comemoração ao aniversário de Grenouille — se é que nos permitimos comemorar a existência de um assassino tão peculiar. 

Notas

  1. Em Planeta dos Macacos o livro me marcou muito mais que o filme. Faz anos que li e até hoje lembro do choque que foi ler o final da história.
  2. Fonte Amazon — Livro disponível no Kindle Unlimited.
  3. Teoria fluidal me pegou muito na história e fui obrigada a pesquisar sobre pois delírio demais. Parece que tem base na vida real sim, sobre outras teorias malucas da época, mas que Patrick aproveitou isso pra dar uma viajada ainda maior. "[...] o autor Patrick Süskind a exagerou e a modificou para transformá-la em uma sátira literária ficcional." de acordo com a IA do Google.
13.7.26


2026 tem sido um ano tão esquisito que achei que nem resumo do primeiro semestre iria sair. Parei pra rever os registros fotográficos do período e fiquei meio incrédula em como se passaram seis meses e parece não ter acontecido nada, ao mesmo tempo que aconteceram coisas demais. 

Então para não perder o costume de achar beleza nas coisas comuns da minha vida, resolvi me esforçar para encontrar esses resquícios na minha galeria e posts — mesmo que nem todos sejam belos. 

Primeiro semestre de 2026

  • mantemos o ritual de não passar filtro solar do jeito certo
  • vimos que barreiras linguísticas não impedem que um churrasco seja divertido;  
  • resolvi mudar de área e me matriculei em análise e desenvolvimento de sistemas; deixar a formação em administração de lado e me jogar em novas aventuras tecnológicas. 
  • primeiro ano da sarinha em um colégio (saiu da creche para estudar mais perto da casa nova e começar, de fato, o processo de alfabetização);
  • testei reduzir consideravelmente minhas horas de sono por noite porque só tinha tempo para estudar de madrugada e quase fui com deus; não indico.
  • rolou uns b.o. de saúde e umas tristezas e fui descobrir em um chalé muito do bacana que se autocozinhar numa banheira à 38ºC por muito tempo pode dar enxaqueca; é gostoso (o banho) mas rola uns efeitos colaterais. 
  • ganhei um stitch gigante no meu aniversário; e fui genuinamente feliz nesse dia. 
  • me senti muito ousada e poderosa sim por conseguir realocar o repositório do entreblogs em uma madrugada, sendo que conhecia muito pouco do github;
  • uma série de roubos no loteamento em que moramos nos garantiu alguns dias sem dormir e muito estresse; dia intensos mas os roubos logo cessaram. 
  • rolou o tão esperado encontro com colegas de trabalho do Toni e mais uma vez barreiras linguísticas não me impediram de conversar com pessoas muito legais; a turma da TI é realmente tudo maluca, ou seja, muito divertidos. 
  • pedi meu desligamento do trabalho em prol da minha saúde mental e física, depois de quase 8 anos no mesmo lugar, e fechei o semestre em situação de: desempregada; tenho um carinho enorme por muitas questões que vivi lá mas também ciente de que muitas outras me levaram a beira de, se não ao, burnout. o desemprego no momento não me aflige porque de certa forma me organizei pra me dar esse luxo e enfim poder descansar a cabecinha. 
  • coletivo entreblogs cresceu e tem me proporcionado tanto ✨
  • tentei voltar com meus exercícios/musculação em casa mas acabei abrindo mão disso temporariamente;
  • testei receita nova de bolo de chocolate e foi sucesso;
  • vivi minha casinha e minha família; 
  • li meus livrinhos;
  • sara aceitou pela primeira vez assistir filmes que amamos e gostou (sinais, o hobbit, senhor dos anéis);
  • enfim comecei a assistir naruto por indicação imploração do toni e amei;
  • mantive meu blog vivíssimo.
▃▃▃▃▃▃▃

Olhando essa lista e mesmo relendo posts e revendo minha galeria de fotografias, parece que aconteceu pouca coisa em tanto tempo. Seis meses parece muita coisa pra mim. Só que em contra partida foram meses tão pesados, eu me senti tão drenada, cheguei a me sentir tão vazia que, porra, parece que eu vivi uma vida inteira nesse primeiro semestre. Ao mesmo tempo que eu olho registros e parece que não fiz e não aconteceu nada. 

Já comentei outras vezes que não gosto desse papo de aprender na dor mas no fim das contas, foi um período em que precisei aprender na dor porque ia me deixar consumir todinha se o esgotamento mental não começasse a criar raízes podres na minha saúde física também. 

É muito fácil negligenciar nossa saúde mental quando cuidar disso é caro e a vida urge, cheia de demandas, de outras coisas que parecem mais urgentes. A gente vai dando conta, até não dar mais. 

Ainda assim, não consigo dizer que foi um semestre ruim. 

Talvez ter vivido outras dores, tão problemáticas quanto se não mais, tenham me anestesiado a ponto de ter aprendido a ainda conseguir olhar para o todo com carinho. Não porque aprendi a ser melhor — isso eu acredito que só vou saber quando/se eu não repetir os mesmos erros no futuro —, mas por ter muitas outras coisas pelas quais ser grata.  

Apesar dos pesares, afinal a vida tem seus altos e baixos de vez em quando mesmo, sou muito feliz com a vida que conquistei. Nem todas as escolhas são acertadas, muitas são inconscientes porque no fundo são fruto daquele território conhecido mesmo que não necessariamente bom, mas muita coisa é consequência das boas escolhas do passado. 

Enfim, é isso. Entre mortos e feridos, salvou-se ainda o meu carinho pela minha vida comum. Feliz pelas minhas conquistas (criar coragem para decidir me desligar do trabalho por mim foi uma) e pelas relações que tenho nutrido (com a família, com as que o fuso horário não impede de existir). Podendo assim fechar mais um post com:

É, a vida presta.

Esse post faz parte da seleção de temas da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Veja mais em temas/#018.

6.7.26

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Tema, 07.2026 ✍🏻 Passatempo/Hobbies.

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Gosto desse tipo de post porque ter um passatempo é algo que pode mudar com o tempo ou te acompanhar por longos anos. Escrever sobre isso é não apenas marcar o espaço-tempo de algo, mas também uma forma de olhar o que permanece sendo nosso. Tempo, tempo, tempo. Não é a toa que a palavra se repete. 

Considerando que só esse blog existe desde 2007, posso dizer que blogar é um dos passatempos que persistiram conforme minha vida foi acontecendo — trabalho, faculdade, maternidade. É algo que já sofri com a ideia de precisar abandonar mas que nunca realmente aceitei de bom grado deixar de lado. Arrisco dizer, inclusive, que ele seria o passatempo chefe em todas as fases da minha vida em que ele fez parte por justamente ser o centralizador de tantos outros passatempos.

Porque além de sentar na frente do computador para ler blogs e escrever sobre as coisas da vida, é ele que me inspira a fotografar (com a câmera, o celular, a instax), a falar sobre minhas leituras, a compartilhar que, por mais difícil que seja encaixar isso na rotina, assistir filmes e séries é algo que gosto muito de fazer. 

Não é a toa que, pensando em como faria esse post, só precisei pegar a minha câmera e olhar ao meu redor. 

Nesse espaço-tempo em que me encontro, tenho aproveitado muito para passar horas e mais horas — que a gente nem vê passar, vale ressaltar — conversando com o Igor sobre o novo subprojeto do Entreblogs, um BEDA temático, carinhosamente chamado de: ⚔️ Dungeons & Blogs - Os Guardiões da Blogosfera. Passar essas horas trocando ideias para o projeto e praticando elas no GitHub — vivendo as letrinhas coloridas que tanto gosto — tem me feito um bem imenso. Tem sido um dos meus passatempos favoritos.

Spoiler? 👀

Quando não estou imersa no meu mundinho vulgo meu escritório, aproveito para ler meus livros físicos enquanto o sol ainda abraça o meu quarto. Uma tentativa de aproveitar momentos desconectada, no off... por mais que goste do que as telas me proporcionam. 

A leitura é um hábito e passatempo que faz só dois anos que consegui resgatar, depois de longos anos sem. Tento sempre encaixar ele no meu dia, seja um livro físico durante o dia ou meu kindle madrugada afora. 

Um outro passatempo que tem marcado muito essa fase da minha vida, tem sido apreciar momentos de calmaria com filhota e mozão: assistir Naruto Naturo enquanto pinto bobbie goods com Sarinha e Toni cozinha nossa próxima refeição. 

Sara e eu acompanhando a animação pela primeira vez, enquanto pratico minhas habilidade como pintora. Toni revendo, enquanto se diverte com os nossos palpites e reações. Além de ser um passatempo em família, tem sido um bom ritual pré almoço nos finais de semana. 

Há ainda os passatempos que sinto saudades de curtir e os que gostaria de me aventurar um dia, mas isso é papo para outro dia. 

22.6.26

Comecei a ler o livro de junho (Com amor, Felícia Gilbert), do clube do livro do Entreblogs, sem expectativas. Para ser sincera, eu não li nem a sinopse. Simplesmente aceitei o que a autora falou lá na comunidade sobre ser um romance bem relax – sim, autora ninguém menos que nossa entreblogger Luly Lage 💅🏻. Exatamente o que precisávamos depois de alguns livros intensos demais. E falo isso na maior cara de pau porque eu nem li os livros intensos hehe mas já me senti desgastada só pela raiva e gastura compartilhada no chat do clube pelos entrebloggers que leram.

Voltando ao livro...

A primeira surpresa foi ver que na história uma das mães da protagonista sugeria que a filha, uma adolescente já adepta de diários, criasse um blog. Sendo alguém que escreve em blogs há mais de duas décadas e que já botou uma criança no mundo nesse meio tempo, automaticamente me imaginei fazendo a mesma coisa com a minha filha num futuro não tão distante. Isso mexeu bastante comigo, de um jeito muito bom.

Sim eu me emocionei (com direito a lágrimas!111!) já no começo do livro me imaginando no futuro ajudando Sarinha a escolher & comprar um domínio para o blog da mini querida. A que ponto chegamos. Agora eu quero viver isso nem que seja pra ela reclamar que faço ela pagar mico, ou seja lá como vão chamar isso no futuro. Shhh, licença materna para cafonice ainda valendo.

Depois disso foi ainda mais fácil continuar lendo, como se eu estivesse ansiosa para imaginar um futuro que ainda não chegou. Ao mesmo passo que acho absurdamente assustador pensar na minha filha adolescente – afinal, adolescentes !!1!1!1! e o que nós pais sabemos realmente da vida não é mesmo –, acho absurdamente divertido pensar no tipo de relação que posso nutrir com a mini queen e que experiências bacanas ela pode ter no decorrer da vida dela.

Num outro momento em que essa mãe também comentou que ainda tinha ativo o próprio blog, me ocorreu uma outra coisa. Minha filha vai ler meu blog? O que ela vai achar? Será se ela vai gostar das baboseiras da mãe, das memórias registradas, de ler sobre parte da infância dela pelos olhos da própria mãe? Luly abriu um triplex na minha cabeça sem querer. 

Depois de refletir um pouco sobre um futuro que só os deuses sabem como vai ser, a história foi me levando de volta para o passado. 

Lá fui eu relembrar da Barbara adolescente.

Lembrar de uma época em que tudo era novo e sentido com intensidade demais. As dores de um coração partido, como se fosse o fim do mundo. 

Hoje me pergunto se a conta de telefone saiu muito cara na época depois de dramaticamente (porque eu lembro dessa cena como se fosse hoje) pegar o telefone fixo (informação importante talvez para contexto época) e tomar um belíssimo fora porque o ghosting via Orkut não me passou a mensagem com tanto afinco quanto ouvir a oficialização do puro suco do desinteresse alheio por telefone. Que babaca. Já achei ofensivo sofrer assim naquela época, hoje parece ainda mais dramático do que foi mas ainda me sinto ofendida pela Barbara adolescente. Pelo menos serviu pra eu decidir não sofrer mais nessa intensidade por ninguém.

Lembranças raivosas a parte, o livro era um romance relax lembra? Não se deixem influenciar pelas vozes e memórias da minha cabeça.

Conforme a história foi se desenrolando e zé ruelas foram devidamente ignorados, voltei mais ainda para o passado. Voltei mais especificamente para os últimos anos do ensino fundamental.

Sentir o gostinho da paixão lá pelos meus 12~14 anos foi um grandíssimo evento porque, veja bem, o excelentíssimo meu parceiro de vida? Sim, ele mesmo, o causador de borboletas no estômago na Barbara pré-adolescente que conheci na 6ª série. O mesmo pivete. Não o zé ruela, mas o pivete bom.  

Aliás escrevo agora esse trecho do post com ele na minha frente jantando, nossa filha no meu lado fazendo a mesma coisa, enquanto eu digito e compartilho com ele a memória de nós dois numa aula da acho que 7ª série e eu quase implodindo de ansiedade porque nossos braços se tocaram quando um foi pegar a borracha do outro durante uma atividade em dupla. Juro que lembro da sensação como se tivesse acabado de acontecer e, caramba, faz mais de vinte fucking anos.

Tenho memórias muito gostosas dessa época, da leveza de se apaixonar enquanto ainda éramos tão jovens. Não apenas jovens, mas inocentes. Nervosismo nos trabalhos em dupla, ir para o colégio em época de gincana, mesmo sem participar, só para ter mais tempo juntos jogando conversa fora.

Diferente da Felícia, nosso primeiro beijo – calma lá, que só foi ocorrer nas férias que antecederam o início do nosso ensino médio ~ ainda cedo mas enfim – foi horroroso. Imagino que seja normal, considerando a nossa idade na época, porque a gente não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Aprender a beijar foi bem mais complicado do que as histórias contam.

Achei que escrever no meu diário — Barbara ❤️ Toni — já resolveria toda parte mágica da coisa. Preciso resgatar esse diário e digitalizar ele, pelamordedeus.

Nosso corte trágico de história? Anos 2000, internet discada, o ensino médio dele seria em outro colégio. Aqui não lembro se fiquei traumatizada com o beijo e decidi que era nova demais pra achar isso interessante, mas ele lembra que eu terminei com ele. Sorry, meu bem hehe love you.

Lá pelos nossos 15 anos trocamos algumas declarações virtuais, ainda complicado demais para uma reaprocimação ao vivo e a cores. Zero ideia de como jovens, jovens demais, namoravam nessa época. Tentamos fazer o negócio acontecer, vivemos o fotolog e as declarações públicas e tal, mas acho que ainda jovens demais. Cada um foi para um lado viver suas vidinhas.

Sim, Luly desbloqueou vários triplex e cá estou eu contando nossa história de amourrrr pela miléssima vez nesse blog.

Não me canso, continuarei cometendo o crime que é amar vo... tá, voltando.

10 fucking anos depois de cada um seguir com suas vidinhas, nos reencontramos e recomeçamos a reescrever nossa história. Já adultos (importante!1!!!) e com WIFI gente, que emoção. Enfim né, daqui uns dias serão 11 anos de namoro, ajuntados há sei lá quanto tempo, com uma filhota maneira que mês que vem fará 6 anos. Doido né?

Felícia – e Luly !1!!!!!! – obrigada pelas memórias resgatadas, por me levar a imaginar as possibilidades que o futuro pode proporcionar. Foi muito gostoso ler essa história. Terminei torcendo para que Felícia vivesse coisas incríveis assim também.

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Clube de Leitura, 06.2026 ✍🏻 Com amor, Felicia Gilbert , de Luly Lage.

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9.6.26

  1. tenho uma cicatriz no meu lóbulo direito da vez que fui alargar a orelha com um cotonete e na hora de cortar o cotonete pra trocar pela joia eu meio que cortei um pedaço do lóbulo; também já furei o freio da língua e o freio labial superior com uma agulha de costura porque eu queria ser descolada com piercings — desconfiem de jovens, assim como fazem com crianças, quando quietos demais
  2. no meu aniversário de 20 anos eu errei o tempo do descolorante e deu corte químico. como eu fiz essa caca enquanto os convidados chegavam para a festa, disfarcei com gel e corri para o salão no dia seguinte. registro da skin final não planejada, a quem interessar; 
  3. em 2006 participei de uma ONG que tinha como parte do projeto visitas interativas e doações para crianças internadas no hospital infantil de florianópolis. doei todos os meus mais de duzentos livros de infância adolescência — menos os que a minha mãe apegada demais escondeu e hoje quem brinca é a sara — e fui fantasiada de palhaça na visita que fizemos; 
  4. na minha época menos fissurada por motos eu queria cursar mecânica de motocicletas e não comecei porque não tinha inscritos suficientes pra começar uma turma. um filme que eu gosto muito e que me remete a essa época é o the world’s fastest indian (desafiando os limites) com o querido anthony hopkins; não ironicamente quase fui com deus na prova pra tirar a carta de moto e achei melhor deixar a minha versão motoqueira de lado; 
  5. quase fui de arrasta vezes demais na infância, até os meus 6 anos aproximadamente, por razões variadas (eletrocutada, afogada, septicemia, tentativa de sequestro 2x, etc — sim tem um etc alguns na verdade) (ironicamente nunca quebrei nada, nunca usei tala e gesso) mas no parto da sara eu realmente achei que ia com os deuses devido a uma hemorragia. o desespero da equipe médica na hora entregava demais o tamanho do b.o. (risos nervosos). relendo agora o meu relato de parto vi que esse detalhe acabei deixando de fora. mas lembro de na hora do caos surgir o pensamento: meudeus, como o toni vai criar essa criança sozinho? que doidera, foi uma sensação de preocupação, e ao mesmo tempo aceitação, bizarra. depois que recobrei minhas forças (e tomei um bocado de ferro direto na veia e mais uma porrada de remédio pro meu útero voltar para o lugar porque nada resolvia), a equipe falou que eu dei um baita susto neles. sustos a parte, dou risada toda vez que lembro que a bolsa foi estourar lá na sala de parto enquanto eu meditava só que não na privada — tão romântica, desculpa filha
  6. passei a tesoura no meu cabelo, escondida atrás de casa, na véspera da minha festinha de cinco anos. hoje fico pensando se inconscientemente foi uma vingança pessoal antecipada porque minha mãe convidou a rua inteira para a festa e eu lembro de ter odiado muito isso HAHAHAHA eu já era uma mini querida antissocial presencialmente; mais provavelmente eu já era propensa a surtos capilares desde cedo; 
  7. eu fui da criança que se enfiava em pasto pra atazanar touro como quem não tem medo da morte para a jovem pega de surpresa por um vaca e assim eternamente cagona. ainda assim as pessoas seguem falando vai fica tranquila elas são só mansas e curiosas e eu sigo tendo que fugir de vaca. me bota pra espantar barata, sapo, aranha... mas não me bota no mesmo pasto que uma vaca solta (mentira eu vou, mas vou cabreira pronta pra meter o pé). queridas vocês são fofas e amo vê-las da janelinha da minha casa mas tenho medo de vocês e vocês sabem disso né suas safadas;
  8. minha avó paterna faleceu quando eu ainda era criança mas lembro de, nos momentos em que eu aproveitava a companhia dela, conversávamos muito sobre alienígenas. até a vez que eu achei legal contar uma história mirabolante sobre ter visto um et ou ovni sei lá pra impressionar ela e depois disso fiquei um bom tempo com medo de ser abduzida como castigo divino espacial por ter inventando a história. anos depois, conversando com uma prima, ela contou que nossa avó acreditava ser de marte. agora não sei se ela aceitou minha história por ser a postura correta a se ter na frente de uma criança quando ela conta que acredita em papai noel ou se ela realmente acreditou no que contei; 
  9. sara vai fazer 6 anos mês que vem e de vez em quando eu ainda olho pra ela meio incrédula com o pensamento caramba eu tenho uma filha !!1!1! tipo eu gerei um humano de verdade sabe? essa criança zanzando pela casa é minha filha !!!1!11!! doido demais; 
  10. apresentei um trabalho sobre demonologia no ensino médio, depois de ficar muito obcecada com uma edição especial da revista superinteressante. o trabalho era para pesquisarmos alguma matéria bacana em revistas e apresentarmos para a turma. apesar do meu afinco (mesmo sendo super tímida na época acho que nunca apresentei um trabalho com tanta convicção), acredito que as crenças da professora não me permitiram tirar uma nota equivalente ao meu empenho. e provavelmente foi ali que eu entendi que as pessoas raramente são imparciais no ambiente de trabalho

***

é divertido pensar em curiosidades sobre a gente, olhar para o passado, para o presente. lembrar dos detalhes que fazem de nós quem somos. isso me faz entender muito da criança que eu fui e de quem sou hoje. porra, faz muito sentido. sem falar que a fruta não cai longe do pé e cada vez mais entendo a filha doida que eu tenho. sou fã demais da bichinha sabe? ela é muito daora. 

fun fact bônus: sarinha tem o mesmo senso de autopreservação de centavos da mãe mas parece que agora a vida parece menos radical e propícia a testes de vida do que nos anos 90. 

e a quem interessar, mais algumas curiosidades aqui

pov: você viu a foto de cima e foi teletransportado para 2002

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Tema, 06.2026 ✍🏻 10 curiosidades sobre mim.

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8.6.26

Essa é a primeira tag da comunidade de blogagem coletiva Entreblogs, sinta-se a vontade para participar :) 

Quem é você fora do blog?

A mãe da Sara, de acordo com os colegas de turma dela. A Capitã Marvel, de acordo com a Sara. A irmã maluquinha, de acordo com o meu cunhado. Filha, melhor amiga, madrinha. Uma jovem senhora de 36 anos que aguenta 11h de festival com a filhota mas que também passaria facilmente meses isolada no meio do nada sem interações sociais presenciais. Alguém que vai assistir Um Dia Depois do Amanhã em dias frios e chuvosos, Jurassic Park incontáveis vezes, Esqueceram de Mim principalmente no fim de todo ano e sempre olhará desconfiada para telhados e milharais graças ao filme Sinais. Namorada, parceira, companheira, ajuntada há mais de uma década com o pivete que me fez sentir borboletas no estômago na sexta série, com direito a declarações no diário nos últimos anos do fundamental, pra uns 10 anos depois desse namorico ingênuo e juvenil a gente se reencontrar e eu descobrir que o pivete crescido ainda me fazia sentir borboletas no estômago. Novamente estudante, novata de algo, aspirante a programadora. Leitora de H. P. Lovecraft mas também de Ali Hazelwood. Amigável e ranzinza, faladora de palavrões, chorona nata. Mais um bocado de coisas que não cabem nesse post... 

Qual é a história por trás do seu blog?

Eu queria um espaço virtual para compartilhar coisinhas e acontecimentos da minha vida, como eu fazia com meus diários, e fotografias, como eu fazia no meu fotolog e flickr. Um blog sempre pareceu abraçar bem essas duas coisas, além de ser um espaço completamente meu, sendo construído e alimentado conforme eu sentisse necessidade. 

Só essa conta existe desde 2007. Com o passar dos anos, além do blog saciar esse desejo, descobri que me permitia e ainda permite criar conexões incríveis com pessoas de vários lugares. Me lembra muito a sensação de quando eu trocava cartas com estranhos e ao mesmo tempo a sensação é de ter amigos de longa data. 

Como funciona seu processo criativo e escrita? Você tem algum ambiente criativo?

Ele flui conforme sinto a necessidade de escrevê-lo na minha cabeça. Posso estar almoçando, pensando na tentativa de invasão a casa vizinha nessa madrugada (e o fato de que só Sarinha conseguiu dormir essa noite) enquanto conto na minha cabeça, como quem conta uma história para alguém, alguma coisa coisa que eu queira deixar registrado nesse diário virtual. Essa história pode ser interrompida e incorporada com o pensamento de como posso ser tão genuinamente feliz comendo um prato de arroz, feijão e peixe que o Toni acabou de preparar. Costuma ser uma bagunça mental de coisas que quero falar enquanto outras coisas acontecem e me fazem pensar sobre elas também, simultaneamente. 

As vezes é durante o trabalho, enquanto incluo pagamentos no banco e penso em algo que me chamou atenção no caminho, como aquela árvore florida que fez a vista do céu azul ficar ainda mais bonita. Sempre lembro do post sobre a caminhada colorida quando passo por lá e me recordo desse dia em específico.  

Involuntariamente me pego refletindo sobre a vida muitas vezes ao dia, ponderando bons e não tão bons sentimentos. Virou hábito e essa reflexão sempre vira um post na minha cabeça, mesmo que nem sempre ele se mantenha inteiro a tempo de vir parar aqui. Talvez tanto tempo escrevendo em blogs crie esse fluxo de pensamentos dentro da gente. Estou sempre contando para mim mesma os acontecimentos do dia. As vezes, conto pra vocês também.  

Para isso, para chegar nesse momento em que os pensamentos viram palavras escritas no blogger, eu preciso manter o fluxo de pensamentos, mesmo que não saia nada parecido do que contei na minha cabeça num primeiro momento. 

Ter um escritório me ajuda nesse processo, o silêncio me ajuda a organizar os pensamentos. Se me filmassem nesse exato momento de construção de texto veriam que passo a maior parte do tempo com o olhar para o além (a direita a vista do pasto com vaquinhas que tanto gosto e a esquerda casinhas, um poste feio que tento ignorar olhando para as árvores e o céu azul), só voltando para a tela quando a continuidade da frase parece fazer sentido (parece, não necessariamente faz). 

Sempre reescrevendo e reformulando até sentir que o pensamento deva virar escrita. 

Só nesse meio tempo Sara derrubou todos os lápis de cor na escada, entrou no escritório reclamando não saber desenhar as guerreiras do quipopi e na sequência, enquanto pensava também nessas interrupções (porque elas também reformulam o caminho da história), Toni entrou para compartilhar as últimas atualizações do evento tentativas de assalto que rolaram nos últimos dias no bairro e nessa madrugada na casa ao lado. Na maioria das vezes esqueço porque exatamente comecei a escrever mas raramente me arrependo de ter começado. Eu até diria que nunca me arrependendo mas acho que a palavra aguenta o peso apenas de um nunca se sabe

A resposta dessa pergunta da tag, por exemplo, começou a ser escrita minha cabeça enquanto eu pensava em assaltos e um prato delicioso de arroz, feijão e peixe. Pareceu mais do que certo começar por ele, esse processo criativo desordenado. Depois eu vejo aonde as outras perguntas da tag vão me levar. 

Resposta dessa pergunta foi escrita começo de Abril. 

Um fato aleatório que você considera intrigante.

Eu com a idade da Sara, aproximadamente, ter caído sozinha numa piscina sem saber nadar (a parte da queda eu lembro como se fosse hoje) e, sem acesso a escada, ter conseguido sair dela sozinha sem ir de arrasta afogada. Até hoje ninguém sabe como eu sai da água. Eu estava na casa da vizinha nesse dia e a dona da casa quando me achou já me viu fora da piscina. 

Meio difícil ser atéia mesmo não sendo religiosa quando a única coisa que falei para os meus pais na época é que os anjos da guarda me salvaram. Doidera. 

Indique um ou mais blogs e compartilhe o que mais gosta neles.

  • notícias de casa — eu gosto muito das fotografias da maíra;
  • histórico infame — adoro os posts semanais do igor e a energia fuçadeira dele sempre inventando coisas no layout do blog (tanta coisa legal escondida, sério, fucem!!1!1!!);
  • arantchas — sou mais feliz lendo as abobrinhas da xis.

Se você pudesse recomendar apenas uma coisa, o que recomendaria?

Tenham blogs. 

23.5.26

Já assisti o filme Interestelar algumas vezes e a cada vez o estrago é diferente. É um filme que eu gosto, sabe-se lá por quais razões. Nunca parei pra refletir muito nisso e, sinceramente, acho que não vai ser hoje também. 

A diferença das outras vezes é que dessa vez foi na minha versão atualizada. Eu sendo mãe.  

E por isso, talvez perdendo completamente o sentido do filme (ou talvez seja essa a intenção? não pesquisei) eu me peguei chorando em várias cenas. Essa sensação maluca de se ter filhos num cenário meio apocalíptico, o olhar de ser abandonado de um filho, enfrentar loucuras por eles apesar dos riscos, sofrer copiosamente com as consequências desses riscos, um amor que só quem se torna pai e mãe de alguém sabe o que é. Sei lá, não me recordo de ter me emocionado com essas cenas nas outras vezes que assisti. Mas dessa vez, putaqueopariu

Dessa vez me desgraçou de uma forma completamente diferente, não pelas teorias mas pelo emocional mesmo. Dessa vez doeu como se fosse eu sacrificando o tempo vivido com minha filha... 

Apesar de em situação de emotional damage, entre lágrimas e a surpresa em ver a Sara largar que no espaço não tem gravidade, foi interessante reassistir com outros olhos, ignorando completamente a síndrome dos americanos salvadores que se orgulham inclusive de serem indiferentes às perdas humanas em prol de se evitar uma extinção (grandíssima ironia vamos combinar), aquela baboseira de sempre etc. Coloque um pouco de drama, teorias malucas, humor e amor e tcharam, está pronto. Esse são meus dois centavos de crítica nada estruturados. 

Agradeci por não ser nenhuma conhecedora de física e afins, não correndo o risco de estragar a experiência discordando de coisas que não sei se são possíveis. Sendo alguém que teve algumas explosões mentais ao ler Eram os Deuses Astronautas? de Erich Von Daniken quando mais nova (pensa num livro doido), provavelmente sempre serei alguém curiosa e fascinada com possibilidades malucas. A gente não precisa nem acreditar nelas, mas a mera ideia de serem possíveis, por mais absurdas que sejam, torna tudo mais interessante. 

Adendo: Apesar do choque com a informação que a Sara largou antes de cair no sono no começo do filme (não julgo), eu fiquei curiosa porque completamente enferrujada com essas pautas. Numa pesquisa rápida e preguiçosa descobri que no espaço tem gravidade sim mas seria o que chamam de microgravidade. 

Enfim, é um filme que eu gosto porque me entretém e me incomoda de várias formas. Cada vez que assisto me perturba o suficiente pra me deixar pensando a respeito por um tempo. Isso, pra mim, vale a experiência.  

Outro adendo importantíssimo: Até agora não entendi como Interestelar foi o filme ganhador na enquete do Entreblogs sendo que a maioria nem gosta do filme ???? Questões...

sim, TV indo com deus (RIP leds)
sara fingindo estar dormindo como se não fosse fazer exatamente isso minutos depois

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Tema, 05.2026 ✍🏻 Assistir ao mesmo filme (Interestelar).

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27.4.26

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Tema, 04.2026 ✍🏻 5 coisas (que não são necessariamente coisas) que me fazem feliz.

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  1. Assistir Jurassic Park.
  2. Barulho de chuva quando não preciso sair de casa.
  3. Rir descontroladamente com a minha melhor amiga depois de tomar 01 taça de vinho (imagina então na terceira taça).
  4. Abraço apertado com fungada no pescoço (que ganho do Toni e que dou na Sara).
  5. Ganhar livros (mesmo os que eu já li).