... e ainda assim sinto saudades de fotografar.
Não tenho como negar, o celular facilita em muito a minha vida quanto a minha necessidade de registrar momentos do meu dia a dia. Arrisco dizer que se eu dependesse apenas de uma câmera para isso, provavelmente não teria 1% dos registros que tenho hoje. Mesmo que eu parasse agora mesmo para fazer uma limpa na minha galeria do celular, a maioria continuaria aonde está sem ser descartada. A sensação de que, mesmo na correria da vida, registro com intenção. Gosto até dos registros que faço sem pensar muito, direto do aplicativo do whatsapp, só porque me deu vontade de compartilhar com alguém alguma coisa (o livro da vez, a bagunça do momento, filhota vivendo).
Só que mesmo com intenção, fotografar com o celular pra mim é diferente de fotografar com uma câmera. Guardo na memória a sensação de que o ritmo era outro, como se o tempo se alongasse para aquele momento caber em um clique.
Antes de roubarem a minha Canon T3i, algo que parece que já foi em outra vida, cheguei a achar que trabalharia como fotógrafa e até tentei fazer isso por um curto período. Na época, foi o suficiente pra perceber que eu gostava muito de fotografar como um passatempo (e geralmente sem ensaio-pose). A arte de direcionar alguém num ensaio me assombrava, pra ser sincera. Trabalhe com o que você ama e...
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| 2013 |
Infelizmente perdi não apenas a câmera, mas notebook e HDs no roubo. Ainda seguia a ideia equivocada de que backup era ter o arquivo apenas em um projeto de pendrive gigantesco e não tinha quase nada na nuvem.
Alguns poucos registros que pude recuperar pré-roubo foram graças aos meus posts cheios de fotos aqui no blog.
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| 2014 |
Gostava de brincar com as configurações da câmera, testar coisas na hora de editar... ia aprendendo conforme ia sentindo vontade de alcançar novos resultados.
Algo que eu achava desafiador nessa prática, descobrir o que fazia daquela fotografia algo meu.
Admirava muitos fotógrafos, cada um com a sua própria identidade na forma que fotografavam e tratavam suas fotos. Passava horas no Tumblr e Flickr conhecendo mais da arte dos outros.
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| 2014 |
Curtia brincar com autorretratos, estourando ISO e vendo no que dava. Apesar de já ter testando fotografias mais limpas, a minha queda mesmo era pelo excesso de ruído, de granulado.
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| 2014 |
Morando desde sempre na Grande Florianópolis — um jeito mais simples de explicar que não é em Floripa mas é literalmente do lado —, cheia de praias e tantos outros lugares lindos para fotografias externas, tinha receio de ser assaltada e saía muito pouco com a minha câmera (e olha que a região segue muito tranquila comparado a outras grandes capitais e afins).
Agora me pergunto se, considerando que tive meu equipamento roubado dentro de casa, talvez eu devia ter aproveitado mais, ousado mais. Porém contudo todavia, sabendo quantos rins saudáveis são necessário para adquirir um belíssimo trambolho fotográfico, bom, querer parecia muito distante de poder (ou dever).
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| 2014 |
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| 2015 |
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| 2015 |
Corta para 2020, grávida de Sarinha e na posse de um celular bem capenga, me ocorreu que não teria os registros que eu esperava ter do crescimento da minha filha. Coincidiu de eu sentir falta de uma boa câmera e da minha amiga estar vendendo a Canon T5i dela. Pensei: já sei usar, vai ser tranquilo. Vai nada.
Eu não lembrava como configurava, o modo automático dela não parecia ser minimamente parecido com a minha querida falecida T3i e, principalmente, não conseguia ficar meio metro longe da Sara sem ela abrir o maior berreiro (e eu usava uma lente 50mm hehe você precisa de um certo distanciamento).
Resultado: câmera esquecida no armário por muuuuito tempo.
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| 2020 (?) carinha de protesto pelo distanciamento |
Fiquei tão frustrada na época que meu celular morreu de vez e num surto comprei um Iphone (que uso até hoje e continuarei usando até o querido ir com deus).
Sim, surto porque quando recebi a notificação do banco na madrugada quase que eu é que fui com deus ($$$) porque não lembrava que tinha realmente comprado. Acho que depois que a gente passa uns meses produzindo uma criança do zero e entra em trabalho de parto durante o auge de uma pandemia, errr, o cérebro dá uma derretida legal até normalizar sabe? 👀
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| 2022 |
Sarinha já aceitando um distanciamento maior sem grandes escândalos, lembrei de levar a câmera para passear uns dois anos depois de ter comprado — e fiz alguns dos meus registros favoritos da vida.
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| 2022 |
Maioria das fotografias que fiz com a T5i são tão espaçadas entre si que é quase como se fosse uma câmera analógica e eu estivesse aguardando acabar o filme pra revelar. Sei que fiz algumas mesmo que pouquíssimas nesses últimos seis anos, mas para meu completo desespero não sei aonde diabos salvei. Cuidado com a burra.
Estou aflita com a possibilidade de ter excluído elas do cartão de memória.
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| 2024 |
Agora é torcer para minha câmera não ter sido devorada por fungos e, nesse momento, não ter nada na energia the last of us crescendo nela para eu poder criar vergonha na cara e voltar a usar a querida.
✨ Bônus
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| 2014, por Efieli |
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| 2014, por Efieli |