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12.2.24

Stop overthinking

[ou mais um post para falar sobre ACOTAR] 

Já na gestação eu senti que meu cérebro derreteu e eu não consegui sossegar dois míseros segundos para começar uma leitura. Acredito que a pandemia teve seu triste papel nisso, não só todas as mudanças físicas, químicas, hormonais da gestação. Então eu aceitei o estado de exaustão mental e desisti de tentar fazer esse momento de sossego (da leitura) funcionar. 

Alguns poucos meses depois que a Sara nasceu precisei usar os centavos de raciocínio e energia que sobravam para sobreviver ao fim da minha graduação. Só os deuses sabem como consegui fazer o negócio acontecer. Então enfim me formei e fiquei esperando pelo momento em que o combo responsabilidades da vida adulta & maternidade me permitiriam tempo, energia e sanidade para retornar esse hábito que me fazia tão bem, o da leitura. 

Cerca de três anos e meio se passaram depois do nascimento da pequena e esse momento não chegava nunca. Tentei algumas vezes com livros físicos e ebooks que eu tenho. Tentei com histórias que já conhecia por conta de filmes — me irritei depois de ficar uma eternidade lendo, quase uma vida, até conseguir sair do condado (Tolkien, não sei se te amo ou te odeio) e mais uma vez desisti. Nada parecia funcionar direito e eu seguia conflitada pensando: Quando diabos vou conseguir voltar a ler? Será se vou ter que mudar de gênero literário para fazer isso funcionar? Ousaria gastar com livros novos quando ainda tenho tantos não lidos (alguns ainda embrulhados)? Muitas questões. 

Até que mês passado começou um alvoroço na outra rede, por pessoas queridas da minha rede-social-virtual, e fui acometida pela palavra de ACOTAR

Sinto que estou sendo monotemática demais aqui, na outra rede, na minha vida fora da internet. Porém sinto também que palavras escritas, ditas, compartilhadas, todos os posts que ainda podem aparecer por aqui não serão suficientes para expressar o tanto que essa história está afetando a minha cabeça dia após dia. 

Parei para pesquisar no Goodreads quando foi que comecei essa loucura, dia 30 de janeiro. Sim, basicamente ontem. Mal terminei o primeiro capítulo de Corte de espinhos e rosas e a ansiedade pelos capítulos seguintes já me devorava. No fim do terceiro capítulo achei que ia a loucura e não via a hora de ter qualquer minuto livre para ler e ler mais. Eu queria ler antes do expediente, em cada intervalo, em qualquer mísero minuto livre. Estava irritavelmente monotemática, irritavelmente feliz por enfim engatar em uma leitura. 

Li o primeiro livro em uma semana e meia apesar da falta de ar (literalmente) que a ansiedade e curiosidade me davam. Como o primeiro da série eu havia comprado físico, uma edição de luxo absurdamente linda, me restavam poucos os momentos livres para poder devorá-lo. Estava terminando os últimos capítulos já sofrendo com o preço do segundo (e demais livros) dessa edição, sofrendo com a ideia de que se continuasse lendo a versão física o tempo disponível seria curto, sofrendo que deveria escolher entre ler via ebook (mais rápido de adquirir e mais tempo para ler, já que daria para ler no quarto escuro enquanto fazia Sara dormir) ou seguir com os livros físicos apesar dos seus prós e contras. Decidi então ler no meu Kindle, estava ansiosa demais para ainda ter que esperar o livro físico chegar. 

Outra coisa que estava me levando a loucura enquanto devorava essa preciosidade, foi pensar em como diabos seria possível tornar a história do segundo livro melhor que a do primeiro, como minhas colegas de seita já haviam comentado que seria. 

Comecei a ler Corte de névoa e fúria, o segundo livro da série, no sábado (2) e no domingo (3) finalizei. Dois dias devorando 700 fucking páginas. Eu ainda não consigo entender como isso aconteceu sem que eu sentisse o tanto que estava lendo. 700 fucking páginas. 

No tempo que não pude ler, pois precisava dar o ar da minha graça em um almoço de família, Toni ria porque conseguia ver na minha cara que logo eu me autodestruiria de ansiedade. Ele ainda me olhou com cara de obviedade quando falei que me sentia exausta, me relembrando do tanto que eu tinha lido até então. Juro que nem conseguia ligar uma informação a outra, por mais sentido que fizesse. 

Sinto que tanta informação se mantem enlouquecida na minha mente que, na inocência de tentar desanuviar os pensamentos resolvi preparar um bolo ontem a noite assim que terminei a leitura. A bagunça mental foi tanta que quando vi, enquanto procurava ingredientes no armário da cozinha, tinha levantado da última gaveta na altura dos meus pés até a porta do armário na altura do meu rosto com tanta velocidade e descuido que simplesmente a entortei com a minha cabeça. Ainda ontem eu ri da situação enquanto tentava desentortar a porta, depois de me assegurar de que não cairia desmaiada no chão, mas agora o latejar da minha cabeça me faz pensar quantos remédios serão necessários para fazer essa dor lazarenta passar. 

Comecei o terceiro livro hoje e, já ansiosa por me falarem que é melhor que o segundo (de novo, se é que isso é possível), fantasia adulta parece ter se tornado meu gênero literário favorito. Sarah J. Maas provavelmente me levará a loucura antes que eu termine essa série toda mas desde o primeiro livro já agradeço pela libido restaurada que até então jazia falecida sei lá aonde — mães aqui talvez me entendam. 

Não sei se consegui explicar um pouco como ACOTAR monopolizou meu cérebro, mas dei gargalhadas hoje cedo quando Co-Star resolveu que essa seria a frase do dia:


Com mais sorte que juízo ontem a noite peguei no sono antes de terminar o primeiro capítulo e hoje cedo, quando cai da cama, decidi terminar um módulo da pós-graduação que já tinha data limite para entrega da avaliação online. Ainda pela manhã entreguei a avaliação e me senti perigosamente animada ao saber que terei livre da pós até dia 26 desse mês, quando começa o próximo módulo. Ou seja, alguns dias livres dessa responsabilidade para poder ler. 

Desejem-me sorte!

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