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6.8.26

Acordei antes do despertador tocar, de algum sonho que já não lembro mais. Decidi dormir mais um pouco porque o sono que tem me dado pela manhã ainda é uma coisa incômoda. Despertador tocou e Sara, que não costuma acordar sozinha sem que eu insista muito, me chamou porque havia acontecido um acidente noturno. Do lado de fora da janela, mal dava pra ver as casas de tanta cerração. 

Tira o pijama molhado, recolhe a roupa de cama, leva a criança para o banho. Pelo menos foi mais fácil desembaraçar o cabelo dela molhado. Coloca uniforme, penteia o cabelo, escova os dentes, separa um brinquedo, arruma a lancheira. 

— Ainda bem que é o papai que arruma meu lanchinho né? Se não ia atrasar tudo.

— Por isso que mamãe te arruma enquanto o papai arruma o lanchinho. 

Levou um pedaço do bolo que eu fiz, pãezinhos com pastinha de ovo, melão cortado e um suquinho. Ainda diz que as vezes é pouco e passa fome. Deus te crie, menina!

Entra no carro com o pai, me dá uma abraço apertado. Deus me livre sair sem o abraço. Seguem pela rua no meio da cerração mesmo. 

Volto para dentro da casa, com tudo ainda fechado de tão denso que parece o ar do lado de fora. Roupa na máquina de lavar, recolho as que secaram no varal que ficou na cozinha. Preparo um café e me contento com uma banana porque acabou o pão e ainda não quero encarar um pedaço de bolo, apesar de delicioso. 

Subo e aproveito para tomar um banho, tirar o pijama. Talvez o pintor venha hoje, apesar de não ter vindo ontem. Não estou lá muito esperançosa, pela vibe Silent Hill do loteamento no momento, mas me preparo caso tenha que recebê-lo. 

No grupo do Entreblogs ainda rolam as discussões sobre quais plataformas migrar depois da queda de alguns bloggers. Crio uma conta no BearBlog por desencargo e penso se começo uma migração ou não. Pego mais um café e leio alguns blogs, coisa lá de junho. 

Toni manda mensagem, nada do pintor chegar. Casa segue fechada, cerração segue firme e forte. Levanto a cada barulho da rua pra ver se algum carro parou na frente. Barulho dos passarinhos que vivem no entorno e de algumas obras em andamento. Um bebê chora em alguma casa da vizinhança. 

Penso se encaro uma terceira caneca de café ou se tomo vergonha na cara e paro pra almoçar. Decido começar esse post, sobre um dia comum. Quero entregar a terceira missão da semana, mesmo sabendo que logo o vilão deve cair, novamente. Se cair, vai ficar no chão mesmo. Enquanto participante fico feliz pela rasteira dada, enquanto mestra penso que não tenho mais ideias de reviravoltas para essa semana. Acho que para o Crítico Infinito deu de auê. Pois que fique no chão. 

No pasto em frente a minha casa consigo ver três vacas e um bezerro. Fazia tempo que não olhava isso, considerando a disposição da minha mesa nas últimas semanas. Fiquei feliz em saber que no projeto do loteamento vão construir uma pequena praça em frente, ao invés de outra residência. Espero que as vaquinhas continuem ali por muitos anos. 

Vergonha na cara tomada, catei umas coisas na geladeira e fiz uma mistureba pra cumprir o propósito de almoço. Comi enquanto lia mais um capítulo de Dados & Disputas da Kristy Boyce. 

Apesar de não ser muito de doce, senti falta de finalizar a refeição com um. Cacei o pote com restinho de brigadeiro de colher na geladeira, de semanas atrás, mas Toni já tinha dado o fatality nele. Eu fico realmente chocada em quanto tempo essas coisas duram na geladeira sem estragar. Achei no armário outro doce e fui feliz com uma barrinha de doce de leite com amendoim. Ignorando completamente minha intolerância a lactose. 

No grupo mais uma vez a pauta derrota do vilão, que aparentemente ficou tão frustrado que causou a queda de outros blogs. Graças à Deusa Bëwa esses blogs já foram reativados. O vilão realmente terá seu último dia nesta quarta-feira e essa mestra cansada dará uns dias de tranquilidade para nossos aventureiros. Uma pausa para nos prepararmos para o vilão da próxima semana. Preciso rever os HPs dos outros vilões. Aí do nada os caras tão lá papeando sobre modelos de mixer, juro. Adoro essa comunidade!

Uma trégua na barulheira da obra, devem estar almoçando. Olho para a frente de casa, agora são oito vacas. Nem sabia que haviam tantas. 

Sono ameaça me dar uma rasteira pouco tempo depois, decido me esticar na cama para uma cochileta russa. Ainda é estranho poder fazer isso pleno dia útil, estar desempregada. Parte de mim ainda fica com certo peso na consciência, pensando se já não deveria começar a mexer meus pauzinhos. A outra parte lembra o porque de eu ter me desligado, do quanto esse momento é importante pra minha saúde. No fim, pensei demais e desisti de dormir. 

Nada do pintor chegar, provavelmente não virá hoje novamente. Além da cerração não passar totalmente, começou a chover. As chances dele aparecer realmente parecem mínimas. Vou enfim para a minha terceira caneca de café e aproveitar o silêncio e o climinha propício para ler mais alguns blogs. Melhor ainda, lembrei que tinha bolo! 

Não sou fã de bolo, num geral, mas bolinho caseiro fofinho sem recheio eu gosto. Em casa, é muito raro eu colocar cobertura e se coloco é a pedidos da Sara. Só a massa fofinha, sem ser muito doce e com um cafézinho, fica perfeito. 

Olhando esse post já quilométrico, nem escureceu ainda, e pensando que, assim como ontem, hoje é mais um dia usando sutiã desnecessariamente. Eu poderia estar no conforto dos meus pijamas! Nem conheço o pintor mas já odeio ~pakas. 

Será se na época do Orkut existia alguma comunidade odeio prestador de serviço que não cumpre o combinado? Não lembro se adultos utilizavam aquela rede social e isso definitivamente não parece um problema recorrente entre adolescentes. 

Resolvi abrir um pacote de salgadinhos da Sara e peguei um pouco, torcendo pra ela não surtar quando descobrir. Depois de ler em algum post a menção à coquinha gelada, precisei pegar uma na minha geladeira para completar o petisco aleatório dessa tarde. Segue chovendo muito e a cerração parece ter aumentado novamente. Logo Toni e Sara devem chegar em casa. 

Já vi que o vilão foi derrotado e agora minha meta pessoal é acompanhar em quantos pontos negativos o safado vai terminar a semana. 

Tomo minha medicação do dia, desço pra dar uma ajeitada na cozinha. Ninguém merece chegar cansado e estar tudo revirado. Prometi que hoje, como não tinha aula para assistir, poderia sentar para pintar com a Sara. Pintamos um pouco enquanto papai prepara a janta e nesse momento já sinto que o sono, por conta da medicação, seria violento. Logo meu humor azeda, os olhos começam a pesar. 

Pergunto para o Toni se é assim que as pessoas se sentem normalmente, quando não estão com a adrenalina bombando 24/7, esse sono que vai e vem quase que diariamente. Mal termino de jantar, derrotada, Sara já me libera para ir dormir. Agradeço o gesto, nem sempre a mini chefe libera, e capoto antes mesmo das 20h. 

Assim termina minha quarta-feira. 

3.8.26

Mudei a disposição dos móveis no meu escritório por conta do mofo. Aparentemente pode ser um problema comum nos invernos desta casa. Retirei os livros da estante e reorganizei eles na minha mesa mesmo. Agora posso encarar diariamente os livros lidos e não lidos. Alguns me acompanham tem anos já. 

A qualidade fotográfica de centavos porque registrar coisas em 0.5x pelo aplicativo do Instagram não é uma boa ideia mesmo em um ambiente bem iluminado. 

Pausei as minhas várias outras leituras porque a coisa não estava saindo do lugar. Os preparativos pré BEDA parecem ter sugado muito da minha energia e neurônios. Então sabiamente me joguei em romance adolescente, na temática de RPG/D&B pois monotemática, e deu certo. Leitura está fluindo e o entretenimento está sendo alcançado. Sucesso. 

Ah, o livro1 é Dados & Disputas da Kristy Boyce a quem interessar. 

Não tenho fotografado muito nesses últimos dias. Lembrei de fazer isso nesse domingo quando estava saindo de casa. Diazão de sol depois de tantos dias nublados, pareceu justo. Mesmo sendo um breve registro de uma ida à casinha dos meus sogros para um almoço de domingo. 

Ignorando a ordem cronológica dos acontecimentos, BEDA tem me feito rabiscar e escrever em caderninhos físicos como nunca se viu — ou só se viu na minha infância adolescência mesmo. Tem sido um jeito interessante de organizar ideias e registrar os bastidores deste grande evento D&B do Entreblogs

Olhando a planilha de entradas desses dois primeiros dias de campanha e rindo porque o problema foi de será se damos conta de derrotar o vilão para meudeus vão dar um fatality no vilão em apenas três dias vou ter que mudar a historinha muito rápido. É assim que reviravoltas acontecem em RPG? Que doidera. #desespelo Esse povo não é fraco não viu. O vilão está sofrendo! Muitos pergaminhos entregues com a benção de Bëwa.

Meu cérebro ainda não decorou o nome do reino de forma fácil e sempre que vou escrever preciso soletrar ele de trás pra frente (entreblogs ~ sgolbertne). 

Notas

  1. É o terceiro livro da autora nessa temática e fui entender melhor sobre a dinâmica de uma mesa de RPG justamente nesses livros. Em cada livro da série sempre tem um personagem se aventurando no jogo pela primeira vez, então rola toda uma explicação muito bacana de como as coisas funcionam. Escolha de personagens, desenvolvimento da história, como é para o Mestre conduzir a campanhanha, enfim, muito legal! 
29.7.26

Para quem perdeu o evento, doideras aconteceram

Falaram que os efeitos de uma medicação podem demorar dias pra realmente fazerem efeito no nosso corpo. Eu só não esperava que os colaterais poderiam ser tão rápidos e potentes. A voadora que eu tomei do sono, gente, O SONO. 

Nos primeiros dias bem bonitinha curtindo aquele soninho, meio de devagar, com sono demais pra me estressar, uma maravilha. Quando chegou a hora de alterar a medicação para o danado do comprimido inteiro, rapaz... foi potente. 

Eu me senti tão inutilizada na segunda-feira que fui obrigada a pedir socorro para a Dra e questionar se era tudo bem eu trocar o horário da medicação. Juro, eu acho que eu dormi um dia todinho e quando não estava dormindo estava deitada pensando meudeus que sono. Acho que se eu estivesse trabalhando ia ter um treco de aflição. Nem gerando um cpf novo do zero (primeiro trimestre costuma dar um sono danado afinal gerar órgãos e tal) e nem quando tive dengue (que a rasteira é violenta) o sono e o cansaço foi tão intenso. Mentira, dengue foi bem pior sim. Cruzes, bem pior. Enfim, SONO!!!!!1!1!!!ONZE!!1 Muito sono. E não estou grávida, pelamordedeus, mas lembrei do nível de sono de quando estava. Loucuras.  

Cheguei a pesquisar se era normal e, sim, é um efeito colateral comum. Além de ser fase de adaptação, como a medicação mexe com os níveis de serotonina, pode acabar causando um relaxamento e então meu corpinho aproveitando pra cobrar o descanso merecido depois de tantas fases de estresse e insônia. Que bacana. Eu lembrando que, além da mente hiperativa, sou mãe e provavelmente não durmo profundamente há prováveis seis anos hehe #desespelo. 

▃▃▃▃▃▃▃

Terça-feira, já liberada para tomar a medicação fim de tarde — até então tomava logo após acordar e no meio da manhã já estava inutilizada quase babando sentada —, me senti ressurgindo tal qual uma fênix. Uma fênix manca, mas ainda uma fênix. 

Quando vi já tinha arrastado os móveis do escritório e atacado as paredes mofadas com um paninho e vinagre. Ficou fedido, mas ficou limpo. Como começou a chover não rolou abrir as janelas para arejar o cômodo. Visivelmente o serviço ficou bom. Batalhas.

A micro academia que só estava juntando poeira e não tenho intenção de usar no momento também desmontei. Algo que eu ia esperar o Toni me ajudar pois várias anilhas enferrujadas, barras, peças e lances de escadas, mas resolvi aproveitar o pico de energia e fiz tudo sozinha mesmo. Aproveite seus surtos! Agora a bike tem mais espaço e se tudo der certo servirá ao seu propósito em vez de servir de cabideiro. 

Como é nosso primeiro inverno na casinha, agora que estamos vendo outros probleminhas da construção e aparentemente mofo no inverno em algumas paredes será um deles. Feliz por não ter me precipitado e ter esperado para definir os móveis de alguns cômodos (ou: feliz por não ter tido dinheiro pra mobiliar tudo, o prejuízo ia ser desesperador). 

▃▃▃▃▃▃▃

Já para pauta medicação e maternidade, não sei se já podemos atribuir isso aos efeitos da medicação em si, afinal recém fizemos uma semana de medicada, ou se os colaterais estão realmente me desacelerando na marra, devido ao sono !!1!1!, e isso por consequência está me deixando menos reativa. O ponto é, diminuíram os conflitos nesta casa. Can I get an amen? 

Existe uma teoria de que as crianças são muito espelho dos pais, o que faz sentido. Pais estressados criam filhos estressados, pais desregulados criam filhos desregulados. A criança só não está com sono pois índices de energia da criança estão altíssimos e dorme profundamente tal qual um bebê sem preocupações. Mas de fato, notei que por eu não estar tão reativa a mini queen já não sente me afetar tanto e aparentemente me deu uma trégua nos seus experimentos sociais. Estamos numa nice, mais que amigas friends

Obviamente isso não resolve todos os problemas, se é que cabe chamar de problema de fato, mas alivia o clima entende? A criança ainda é um ser humaninho cheio de personalidade e vontades. A diferença é que no momento não estou mais surtando (tanto) quando ela pede para trocar a meia calça pela 3ª vez já atrasada para o colégio. Não sei pra quem me lê, mas pra mim já é uma bela vitória. 

▃▃▃▃▃▃▃

Outras vitórias aleatórias que vou aproveitar enquanto derem certo. Mesmo completamente lenta devido ao sono, me forcei a ir pra debaixo do chuveiro pouco antes da criança chegar do colégio. Assim que ela chegou foi correndo para o meu banheiro anunciando que tinha brincado no parquinho de areia. Feliz de mim de ter tido a ideia de convidá-la pra pegar seus brinquedos e entrar no banho comigo. Juro, não lembro a última vez que foi tão fácil convencer essa criança a tomar banho. Uma grande ironia da maternidade porque geralmente a criança que reclamar para entrar é a mesma que reclama para sair. O banho foi sucesso, tirei quilos de areia do rosto branquelo da querida e do cabelo. Até hoje não sei o que fazem no parquinho do tanto de areia que ela trás para casa. Enfim. 

Terça-feira eu fiz o que? Entrei no banho poucos minutos antes dela chegar novamente e já deixei a porta encostada. Preciso dizer que a mini queen já veio trazendo pijama e toalha para o banho? Quem diria. 

Pra hoje ela exigiu a mesma coisa: 

— Já deixa a porta aberta tá? 

▃▃▃▃▃▃▃

Enfim, atualizações feitas, tem sido interessante vivenciar isso a essa altura do campeonato. Antes tarde do que mais tarde né? Fui inocente em achar que apenas me desligar temporariamente da vida CLT resolveria os meus problemas, risos nervosos. Mas vamo que vamo na tentativa e erro enquanto der. 

Os preparativos para o BEDA tem sido um bom passatempo pra mim, ocupando minha cabeça na maior parte do tempo. Porém contudo todavia, nem só de BEDA essa que vos fala pode viver. 

Espero que logo meu corpo se adapte bem à medicação e eu consiga organizar melhor meu tempo, voltar a focar nos meus estudos nessa etapa de mudança de área para logo conseguir voltar ao mercado de trabalho. Afinal nasci guerreira e não herdeira. 

Mesmo sabendo que o caminho é longo, só de já ver melhoras na minha relação em casa, na minha maternidade, meudeus, o alívio que eu sinto. 

É isso, uma batalha por vez. 

23.7.26

Resolvi procurar um psiquiatra. Algo que venho postergando tem um tempo, me apoiando na falsa ideia de que se aguentei sem até aqui então aguento mais um pouco. A verdade a gente já sabe, aguentar mesmo eu estava coisa nenhuma. Ou aguentou, mas a que custo. 

Expliquei o que me levou até lá, minha situação atual, como tenho lidado com a minha maternidade, minha falta de paciência, as reações físicas no meu corpo aos momentos de estresse (que são bem frequentes), como é meu sono, meus pensamentos, o que fui desenvolvendo (física e mentalmente) nos últimos meses-anos. 

Resultado? Gabaritei pra TAG — não a tag que gosto de responder no meu bloguinho, mas a que me leva a precisar de medicação pra desligar essa sirene maldita tocando 24/7 dentro da minha cabeça —, Transtorno de Ansiedade Generalizada. 

Resumindo e torcendo para não falar besteira, TAG é um transtorno que transforma a ansiedade no meu modo padrão. É como se eu estivesse sempre em estado de luta ou fuga, com a adrenalina bombando. Imagine que a ansiedade é um alarme de incêndio, só que no meu cérebro esse alarme é tão sensível que ele apita por qualquer coisa. Ele transforma situações comuns em potenciais ameaças e mantem meu corpo em estado de vigilância o tempo todo. É como se o alarme de incêndio tocasse sem parar. Cansativo né? 🥲

Quando a psiquiatra explicou a análise dela e como minha cabecinha funcionava no dia a dia eu ri de nervoso. Ri mesmo, porque esse estado era algo tão presente em toda minha vida que não vi se agravar, como se fosse algo tranquilo de se responder ah sempre fui ansiosa mesmo sem dar o peso que isso merece. Mesmo nos momentos mais puxados que me fizeram pesquisar sobre burnout e outros transtornos, nem me ocorreu olhar pra TAG. 

Isso me fez lembrar de uma coisa que minha irmã vira e mexe fala pra mim:

— Tu tá tão acostumada a ter rinite e enxaqueca que tu esqueceu como é não ter rinite e enxaqueca e por conta disso tu acha normal. 

Pensando bem, isso vale para coisas além da rinite e enxaqueca. A gente acostuma a lidar com os desconfortos e deixa de perceber o que não deveria estar ali. Como sempre me vi como alguém que sente demais, se preocupa demais, se afeta demais, não percebi que isso era uma condição que me atrapalhava e ainda atrapalha muito no meu dia a dia. Doido né?

Sempre ouvi muito sobre nós, pessoas emocionadas, precisarmos aprender a ser mais filtro e menos esponja. Filtrar o que acontece ao invés de absorver tudo o que acontece. Só nunca me ocorreu que talvez me tivessem instalado o processador errado e por isso fosse mais fácil absorver e reagir (até explodir) do que filtrar as coisas da vida.  

Ainda mais doido é pensar no que me segurava tanto nessa zona de desconforto, sendo alguém que não via problema em precisar recorrer a medicação, a receber um laudo, nada disso. Não é como se eu fugisse do resultado da consulta, mas do que viria após. 

Tão acostumada com o campo de guerra, nunca pensou como seria viver para além das trincheiras. 

Fico pensando se era um apego a ideia de dar conta de tudo sem nada (no seco) ou o receio de adicionar mais uma demanda na minha rotina que sei que vai exigir ações da minha parte. Colocando a demanda como uma tarefa penosa e não como um autocuidado. Porque no fundo eu sabia que não seria apenas um único encontro e, pronto, tudo resolvido... com a primeira ação desencadearíamos a necessidade de outras ações. 

No fim do encontro ela reforçou o que eu já sabia: preciso voltar para a terapia e com meus exercícios. Algo que eu havia colocado na caixinha do qualquer dia eu volto e que, com a ida à psiquiatra, voltou pra caixinha da ações importantíssimas para tomar logo. Pelo menos se eu quiser ver melhoras na minha vida né? Infelizmente só reclamar não resolve nossos probleminhas. 

As loucuras da nossa cabecinha. 

Apesar de recente e, provavelmente, só daqui uns dias realmente sentirei os efeitos da medicação — louca pra falar medicada ela é ótima — por enquanto estou curtindo a paz que o sonolência tem me proporcionado. Tão sonolenta que me sinto mansa. ✌🏻😌 God bless, porque querer morder as pessoas o tempo todo é cansativo demais. 

Comentei com a psiquiatra de algumas suspeitas minhas, uma também chamou a atenção dela enquanto a outra ela descarta por enquanto. Ainda assim o foco inicial é regularizarmos a minha ansiedade (manutenção no sensor do meu alarme hehe), para só depois investigar outras questões. 

Ainda estou processando tudo isso e reagindo como costumo reagir quando algo importante acontece na minha vida: contando pra todo mundo. 

Atordoada por ter demorado tanto tempo pra dar atenção a isso, pensando como diabos aguentei o tranco, entendendo a qualidade de sono de centavos, o humor pior que o sono, o estado constante de tensão muscular, o cansaço... 

Animada com a perspectiva de dias melhores, de estar mais próxima de alcançar a qualidade de vida que eu mereço. Falta chão mas já estive mais longe. Aliviada de verdade por enfim ter tomado essa decisão e poder vislumbrar uma maternidade mais leve, uma vida mais leve. Sarinha merece crescer vendo a mãe bem, sem achar que ela é parte do problema, merece a mãe na melhor versão dela. Que talvez a partir de agora seja a versão medicada e tudo bem. 

▃▃▃▃▃▃▃

Fun fact: Achei que não tinha insônia por dormir rápido, o que ocorre provavelmente porque quando eu deito meu corpo só desliga de exaustão. Pesquisando vi que insônia na realidade não é apenas demorar para dormir e sim ter dificuldade com relação ao sono. No meu caso eu apago rápido mas acordo trocentas vezes e tenho um sono superficial, com frequência tendo muitos sonhos agitados por noite e acordo podre de cansada (além de irritada a depender do sonho). Bacana né? *olho tremendo* 

Fact não tão fun: Quando falo que me acostumei com a ansiedade, a ponto de viver os altos e baixos achando normal como meu corpo reagia, é a nível de eu lembrar apenas agora escrevendo esse post algo que eu deveria ter comentando com a psiquiatra mas que esqueci completamente. Lá pelos meus 18~21 anos, vivendo questões familiares complicadas, comecei a ter vários episódios de desmaio. Esses episódios duraram alguns meses, achava que era pressão baixa, alta ou qualquer outra coisa. Algo que achei normal até ter um episódio de convulsão. Depois disso, enfim assustada, fiz uma série de exames para chegar a conclusão de que meus níveis de estresse estavam tão altos que meu corpo começou a desligar ele sozinho em modo de autopreservação hehe#desespelo O corpo realmente aplicando o se tu não parar eu paro e parando. Só quando me afastei do meio do furacão familiar na época, pós curto-circuito, é que os episódios pararam (e por causa deles hoje sei identificar fácil quando ameaço desmaiar por motivos menos preocupantes). *olho tremendo [2]*

▃▃▃▃▃▃▃

É amigos, cuidem das suas cabecinhas. 

22.7.26

Semana passada começou com tanta cerração que mal dava pra enxergar o morro em frente à minha casa. Algo que acho bonito de ver, apesar da vibe meio Silent Hill. Até tirei uma fotografia da vista, às 06:46 da manhã, mas é a frente da minha casa então vocês irão depender da imaginação para visualizar a cena. #sorry

No mais, sensação de que esses últimos dias foram um borrão devido à emoções maternas e aos preparos do grande evento festinha no colégio. Poucos registros fotográficos da semana e pouca memória de outros acontecimentos.

Finalizei a leitura de O Perfume para o clube do livro do Entreblogs e aproveitei a oportunidade para rever o filme também. Chegou a sair resenha de ambas as experiências. Muito bom! 

Em Naruto, que tenho assistido apenas quando estou com Sarinha e Toni, cheguei na 3ª temporada, na parte em que aparece o Jiraiya, um auto-proclamado super-pervertido e escritor de livros de ficção para adultos, apelidado de Sábio Tarado pelo Naruto. Sabe Jardim dos Amassos que nosso querido Kakashi aparece lendo algumas vezes? É do Jiraiya. 

Gachiakuta não consegui dar continuidade por estar assistindo em um aplicativo que não me adaptei muito bem. Como gostei muito da série estou cogitando assinar o Crunchroll de uma vez para voltar a assistir. Adoro a energia cute but psycho do Rudo, e acho que vou gostar muito do Enjin. 

Por conta de um universo bem interessante de fanarts que descobri existir no Tumblr recentemente, resolvi logo assistir Jujutsu Kaisen e estou amando. Tem no Netflix e coloco pra assistir no celular, no tablet, deixo rolando enquanto almoço, lavo a louça, preparo um bolo... Itadori e Gojo definitivamente conquistaram a minha atenção, Nanami também. 

Estou obcecada no meu novo abajur sem fio, adquirido por apenas 33 dinheirinhos (god bless promoção). A luz amarela dele entregando o clima que eu precisava. Gostei tanto que fiquei uns dias entocada que nem as cortinas eu abri, só pra manter o clima.

Só fui me dar conta do dia ensolarado que fez um dia desses quando alguém partiu o cabo da internet nas redondezas e passei a tarde quase toda offline. Entediada, fui fazer as coisinhas de casa e recolhendo a roupa do varal é que lembrei da sombra bacana que as folhagens do nosso quintal fazem na parede todo fim de tarde no inverno. Talvez eu não notasse se, com internet disponível, recolhesse a roupa ansiosa para voltar para a frente do computador.  

Amar tanto ficar online, nos cantos esquecidos da internet (a blogosfera), a ponto de as vezes esquecer de viver o offline também. 

Foi uma semana estranha, mas sinto que serviu como uma bela virada de chave. 

Esse post ia sair no domingo e por alguma razão senti que faltava finalizar mesmo sem saber o que — e olha que eu nem costumo cozinhar muito os meus textos. 

Talvez eu precisasse viver a minha segunda e terça-feira do jeito que vivi para finalizar dessa forma, considerando que a virada de chave foi colocada em prática nesse meio tempo.  

Afinal, não quero que as enxaquecas, que meu corpo usa basicamente para gritar comigo que as coisas não estão legais, e emoções, delicadas como uma bomba, me impeçam de aproveitar a vida (e domingos ensolarados em família no quintal de casa). 

19.7.26

Como co-criadora do BEDA temático do Entreblogs deste ano — D&B Os Guardiões da Blogosfera —, já sei como vai funcionar a dinâmica das missões-desafios. Por conta disso, e da aventura que vai ser essa maratona de escrita, enquanto participante estou me permitindo antecipar a produção de alguns posts. Outros serão feitos na emoção da semana mesmo, que é o que alguns desafios pedem. 

Confesso, tem sido estranho. Acho que nunca me antecipei para produzir qualquer post neste blog, exceto quando para desejar algum feliz ano novo e deixar o post em questão programado. O grandíssimo problema? Lidar com a ansiedade de segurar alguns posts para serem liberados apenas em agosto quando na realidade eu gostaria de publicá-los no momento em que os finalizo, ou seja, agora em julho. Talvez eu ainda faça isso com alguns. 

Já estou pensando em como pretendo lidar com esse BEDA, sendo provavelmente a minha primeira participação nessa tradição blogueira apesar de já andar há tantos anos por essas terras. Estou cogitando não segurar textos mais trabalhados e postá-los logo, com a ideia de realmente testar outros destravamentos de escrita menos elaborados durante a maratona. 

Imagine que eu consiga publicar por 31 dias seguidos, já serão 31 textos que alguém irá ler ou não, a depender da sua disponibilidade. E, por mais que eu escreva pra mim também escrevo para ser lida, não vou querer ter textos queridos flopando num mês movimentado — e se algum texto querido flopar, bom, existem outras formas de relembrar esses posts quando a poeira baixar 🙂‍↕️. Ainda mais considerando que outros blogueiros irão participar, muitos posts pra ler. 

Só a deusa Bëwa sabe quantos pergaminhos serão entregues até o final dessa jornada. 

Em contrapartida, também não quero segurar posts legais achando que não serão lidos por conta da muvuca momentânea. Considerando que a gente não tem muito controle sobre os outros em um evento desses, e ainda bem, o negócio vai ser ir no feeling, usar táticas para ajudar a destravar e não para bloquear ideias legais. Tem posts que para mim fazem sentido serem publicados assim que são escritos, se espero demais pelo "momento certo" eles parecem perder o propósito e correm o risco de nunca verem o botão publicar. 

Quero, como prática padrão, aplicar a tática free style e ir escrevendo conforme vontade, aproveitando dias mais produtivos para garantir os dias mais travados, mas ainda assim não me antecipar demais na produção deles. Tendo mais tempo disponível para criar nesses dias, não vou querer correr o risco de pecar pelo excesso e sentir que precisarei segurar alguns textos por já ter postado demais. 

Preparei um cronograma para ter uma base de como organizar os posts por semana, não necessariamente nas datas previstas. A ideia é ter no que me basear, não exatamente seguir o cronograma. 

Comecei a pesquisar listas e mais listas de sugestões de temas. Precisava não apenas para montarmos o Grimório de Feitiços, vulgo lista de ideias, como também para já ir visualizando as possibilidades em que eu poderia me aventurar. 

Pretendo manter a rotina dos meus posts que já são quase semanais:

  • Dear diary
  • Bastidores D&B
  • Resumos e divagações sobre o dia a dia

Para além do que já costumo fazer, separei algumas sugestões que gostei bastante:

  • Conte como foi o seu dia pelo ponto de vista de um objeto, do seu pet ou de uma criança.
  • Três pequenas alegrias da semana.
  • Liste algumas das suas sensações favoritas.
  • Escolha uma foto antiga e recrie a mesma cena hoje.
  • Abra um livro aleatório e escreva inspirado na primeira frase que encontrar.
  • Uma comida (ou cheiro) que traz lembranças imediatas de uma época.
  • What's in my bag.

Dá pra fazer muita coisa a depender da minha disponibilidade, interesse e vontade. Alguns temas, como três pequenas alegrias da semana por exemplo, dá até pra repetir a dose semanalmente. Quem sabe não vira mais um ritual, tendo post próprio ou incorporando em outro que já costumo fazer. 

Costumo me basear muito também nas fotografias que faço e tenho guardada. Favoritas da Instax, favoritas analógicas, favoritas do celular... resgatar situações, memórias. Dá pra inventar um bocado de tema com o que já tenho registrado. 

Tem ideia de tema que, apesar de ter tempo sobrando, não sei se vou querer fazer na correria do BEDA. Talvez acabe deixando para outro momento mais tranquilo. O simples ato de pesquisar esses temas já está me permitindo criar minha própria lista de sugestões para aplicar quando der vontade, sendo BEDA ou não. 

Como meu processo criativo basicamente depende do meu estado de inspiração e da minha disponibilidade para escrever no momento que a inspiração surge, vou deixar muitos dos textos fluírem. O que me salva é que até dias tristonhos me rendem bons desabafos. Não tenho intenção de me forçar a nada, mesmo sendo um pouco competitiva comigo mesma quando me enfio em desafios. 

O propósito de participar do BEDA esse ano, pra mim, é poder me desafiar mais, testar novos processos criativos, descobrir novas formas de destravar a escrita e, por que não, ressignificar minha noção de tempo-disponibilidade-inspiração para escrever.

18.7.26

Filho nos faz sair da nossa caixinha de segurança pessoal das formas mais variadas. Chega a ser engraçado pensar nas situações em que a gente se força a colocar para atender as expectativas e desejos dos nossos filhos. 

Dessa vez Sara queria que o aniversário dela fosse comemorado no colégio, com a turma dela. 

Particularmente, tenho pavor dessas interações escolares. Reunião dos pais? Eu me sinto naquele meme do como vim para aqui meu deus eu só tenho 6 anos. Um pouco daquela energia de não me sinto mãe e não me sinto adulta, um belo conflito de personalidade-estado-existência. A ficha não cai e as responsabilidades adultas e maternas cobram atitude da nossa parte mesmo assim. A vida como ela é. 

Se for puxar as minhas memórias de infância então, eu morria de vergonha em comemorar aniversário no colégio. Morria. Como as comemorações aconteciam mesmo assim, nunca vou saber se foram importantes no meu desenvolvimento por outras questões. Quem sabe que memórias eu teria dessa época se as comemorações não acontecessem, independente da vergonha. 

No caso da minha filha, tímida a ponto de não querer participar da apresentação de dia das mães — algo que conversei, tentou ensaiar mas não forcei quando achou melhor apresentar apenas pra mim em casa —, o aniversário parecia importante. Então lá fui eu entender as regras do colégio, organizar datas porque o aniversário cairia no recesso escolar, enfim, fazer a coisa acontecer. 

Nisso algumas preocupações começaram a pipocar na minha cabeça ansiosa. Sara iria gostar da decoração, mesmo a temática sendo escolhida por ela? As crianças gostariam do bolo? Deveria encomendar apenas brigadeiro ao invés de doces sortidos? Conseguiria fazer a comemoração acontecer respeitando o limite de 30min do lanche das crianças? As crianças gostariam do que colocamos dentro das lembrancinhas? Quase dava pra escutar minha ventuinha mental virando um acelerador de partículas. Fiquei tão lelé da cuca que fui lembrar de comprar os utensílios (pratinhos, talheres, copos, guardanapo) poucas horas antes da festinha. 

Que bom que mãe também é filha e também é nora. 

Se não fosse minha mãe e sogra ajudando a organizar as coisas lá no colégio, cortar bolo, registrar o momento, ajudar a servir, meudeus, eu acho que ia acordar n'outro plano. 

Fiquei ansiosa, ameacei travar quando a professora perguntou como queríamos cantar os parabéns, com as crianças junto, com as crianças sentadas, se faríamos fotos... eu não tinha pensado em nada disso, não tinha a menor ideia de como esses detalhes se desenrolariam. Então como uma adulta muito sensata e em pânico joguei a pergunta pras crianças. Jurei que a mesa do bolo ia cair quando começamos os parabéns, de tanto que as lembrancinhas balançavam e ameaçavam tombar na mesa, no meio daquela criançada animada. 

Como a minha tática deu certo, assim que assopramos a velinha, com a Sara naquele misto de alegria e vontade de voltar para o útero, fiz as crianças voltarem aos seus lugares perguntando se estavam com fome. É, jamais imaginei que ficaria tão preocupada com as expectativas não só da aniversariante como de todos aqueles mini humaninhos eufóricos. 

As professoras (são 3 naquela turminha) ajudaram a distribuir os pratinhos conforme eu ia servindo com os salgados sortidos, algo que amo comer mas que nem consegui tamanha a ansiedade que me bateu. Sara ainda muito envergonhada não me deixava sair do lado dela. Sogra cortando o bolo. Mãe registrando o momento, conversando com as professoras, com as crianças. 

Deu tudo certo. 

Sensação de alívio, missão cumprida. 

Pouco antes de irmos embora, depois de deixarmos o arco de balões no colégio para a alegria dos pulmões das professores — no dia seguinte teria homenagem as avós, que a Sara não queria participar, e graças ao arco seriam menos balões para elas enxerem —, uma parada rápida no banheiro com a Sara onde fui entrevistada por uma coleguinha dela muito desconfiada sobre eu ser realmente a mãe da Sara. A pequena investigadora talvez tenha achado que eu era irmã dela? Questões... 

Chegamos em casa exaustas e só então, mais calma, me atrevi a comer o que sobrou dos salgados. Brinquei com o novo quebra-cabeça das Huntrix que a Sara ganhou de alguma amiguinha enquanto ela pintava bobbie goods com a avó. Antes que déssemos o dia como encerrado Sara pegou no sono na cadeira da cozinha, tamanho o cansaço. 

Sobrevivemos. 

Sara teve sua festinha das Guerreiras do K-Pop. 

Quanto as minhas preocupações, bom... 

O bolo1 foi quase todo devorado, assim como os salgados. Podemos então concluir que as crianças gostaram. Já os brigadeiros foram ignorados, apesar de deliciosos, e boa parte dos 100 que sobraram montamos marmitinhas para os nossos vizinhos. Então alguém ficou feliz. E antes que você pense que é loucura talvez seja, ainda sobrou fácil uns 40 e nem sei como vamos dar conta de comer. Além de que eu ficaria super feliz de, em pleno sábado de manhã, ganhar marmita de brigadeiro de vizinho. Política da boa vizinhança, como diz o Toni. 

Não lembro da hora que saímos de lá, mas acredito que o horário foi respeitado. Crianças e professoras parecem ter aproveitado o momento. Sarinha, apesar da vergonha por ser o centro das atenções, foi feliz e isso que importa. 

Sinceramente, não achei que fosse me afetar tanto, apesar das preocupações etc, mas aparentemente toda aquela descarga de adrenalina era too much sim. Já no carro, voltando pra casa, senti a dor de cabeça piorar, a náusea, a falta de ar dando as caras. Precisei recorrer a minha querida dipirona e uns minutos em posição fetal até acalmar os ânimos. 

Pelo visto assim como Sara começa um novo ciclo, começarei eu se a psiqui concordar a viver o meu novo ciclo medicada porque no seco está, como diria Avril Lavigne, muito complicated.  

Só os deuses sabem que novas aventuras maternas me esperam e não pretendo ir de arrasta tentando permitir que a mini queen viva o extraordinário enquanto minha cabecinha se resolve sozinha. A gente faz o que pode com o que tem e com o que tenho estou podendo pouco. Ou podendo muito né, mas a que custo. 

Notas

  1. Em outro post comentei que o bolo seria feito por mim, mas no fim acabamos optando por encomendar (ainda bem).
13.7.26


2026 tem sido um ano tão esquisito que achei que nem resumo do primeiro semestre iria sair. Parei pra rever os registros fotográficos do período e fiquei meio incrédula em como se passaram seis meses e parece não ter acontecido nada, ao mesmo tempo que aconteceram coisas demais. 

Então para não perder o costume de achar beleza nas coisas comuns da minha vida, resolvi me esforçar para encontrar esses resquícios na minha galeria e posts — mesmo que nem todos sejam belos. 

Primeiro semestre de 2026

  • mantemos o ritual de não passar filtro solar do jeito certo
  • vimos que barreiras linguísticas não impedem que um churrasco seja divertido;  
  • resolvi mudar de área e me matriculei em análise e desenvolvimento de sistemas; deixar a formação em administração de lado e me jogar em novas aventuras tecnológicas. 
  • primeiro ano da sarinha em um colégio (saiu da creche para estudar mais perto da casa nova e começar, de fato, o processo de alfabetização);
  • testei reduzir consideravelmente minhas horas de sono por noite porque só tinha tempo para estudar de madrugada e quase fui com deus; não indico.
  • rolou uns b.o. de saúde e umas tristezas e fui descobrir em um chalé muito do bacana que se autocozinhar numa banheira à 38ºC por muito tempo pode dar enxaqueca; é gostoso (o banho) mas rola uns efeitos colaterais. 
  • ganhei um stitch gigante no meu aniversário; e fui genuinamente feliz nesse dia. 
  • me senti muito ousada e poderosa sim por conseguir realocar o repositório do entreblogs em uma madrugada, sendo que conhecia muito pouco do github;
  • uma série de roubos no loteamento em que moramos nos garantiu alguns dias sem dormir e muito estresse; dia intensos mas os roubos logo cessaram. 
  • rolou o tão esperado encontro com colegas de trabalho do Toni e mais uma vez barreiras linguísticas não me impediram de conversar com pessoas muito legais; a turma da TI é realmente tudo maluca, ou seja, muito divertidos. 
  • pedi meu desligamento do trabalho em prol da minha saúde mental e física, depois de quase 8 anos no mesmo lugar, e fechei o semestre em situação de: desempregada; tenho um carinho enorme por muitas questões que vivi lá mas também ciente de que muitas outras me levaram a beira de, se não ao, burnout. o desemprego no momento não me aflige porque de certa forma me organizei pra me dar esse luxo e enfim poder descansar a cabecinha. 
  • coletivo entreblogs cresceu e tem me proporcionado tanto ✨
  • tentei voltar com meus exercícios/musculação em casa mas acabei abrindo mão disso temporariamente;
  • testei receita nova de bolo de chocolate e foi sucesso;
  • vivi minha casinha e minha família; 
  • li meus livrinhos;
  • sara aceitou pela primeira vez assistir filmes que amamos e gostou (sinais, o hobbit, senhor dos anéis);
  • enfim comecei a assistir naruto por indicação imploração do toni e amei;
  • mantive meu blog vivíssimo.
▃▃▃▃▃▃▃

Olhando essa lista e mesmo relendo posts e revendo minha galeria de fotografias, parece que aconteceu pouca coisa em tanto tempo. Seis meses parece muita coisa pra mim. Só que em contra partida foram meses tão pesados, eu me senti tão drenada, cheguei a me sentir tão vazia que, porra, parece que eu vivi uma vida inteira nesse primeiro semestre. Ao mesmo tempo que eu olho registros e parece que não fiz e não aconteceu nada. 

Já comentei outras vezes que não gosto desse papo de aprender na dor mas no fim das contas, foi um período em que precisei aprender na dor porque ia me deixar consumir todinha se o esgotamento mental não começasse a criar raízes podres na minha saúde física também. 

É muito fácil negligenciar nossa saúde mental quando cuidar disso é caro e a vida urge, cheia de demandas, de outras coisas que parecem mais urgentes. A gente vai dando conta, até não dar mais. 

Ainda assim, não consigo dizer que foi um semestre ruim. 

Talvez ter vivido outras dores, tão problemáticas quanto se não mais, tenham me anestesiado a ponto de ter aprendido a ainda conseguir olhar para o todo com carinho. Não porque aprendi a ser melhor — isso eu acredito que só vou saber quando/se eu não repetir os mesmos erros no futuro —, mas por ter muitas outras coisas pelas quais ser grata.  

Apesar dos pesares, afinal a vida tem seus altos e baixos de vez em quando mesmo, sou muito feliz com a vida que conquistei. Nem todas as escolhas são acertadas, muitas são inconscientes porque no fundo são fruto daquele território conhecido mesmo que não necessariamente bom, mas muita coisa é consequência das boas escolhas do passado. 

Enfim, é isso. Entre mortos e feridos, salvou-se ainda o meu carinho pela minha vida comum. Feliz pelas minhas conquistas (criar coragem para decidir me desligar do trabalho por mim foi uma) e pelas relações que tenho nutrido (com a família, com as que o fuso horário não impede de existir). Podendo assim fechar mais um post com:

É, a vida presta.

Esse post faz parte da seleção de temas da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Veja mais em temas/#018.

10.7.26

Tenho pensado muito na minha menina. Não sei se é porque o aniversário dela de seis anos está por chegar nesses próximos dias, uma canceriana quase leonina seja lá o que isso possa significar aos entendedores de astrologia, ou porque ela tem me levado a loucura nesses últimos dias. Vai ver ela só está vivendo as grandes emoções do próprio inferno astral, sei lá. 

Minha vizinha ainda comentou certa vez, num desses dias em que achei que alguém chamaria o conselho tutelar: Sarinha é canceriana, ela sente muito as coisas e sente alto.  

Não é a toa que tenho comentado aqui um pouco o quão desafiador é educar um ser humano em desenvolvimento. Educar é difícil pra caralho. 

Só que dia desses tirei algumas fotografias dela que não saem da minha cabeça. Seja depois de um abraço apertado quando as coisas estão tranquilas ou depois das explosões emocionais de alguém que não aceita muito ser contrariada, essas fotografias me veem à cabeça. Olhando agora que foram fotografadas dia 4, no último sábado, parece que deu pra viver uma vida de emoções nessa semana. 

Nesse dia Toni parou para fazer a massa de pão e pizza, como faz toda semana. Na mesma hora Sara falou que queria ajudar e ele, por reflexo do cansaço ou sabe-se lá se gatilho da última retrucada dela, falou que não. Antes que aquilo virasse outros longos minutos de discussão, suficientemente calma no momento por não estar no olho do furacão, falei que deixasse ela ajudar, que desse um pedaço de massa e não se preocupasse com a roupa suja de farinha. 

Belo jeito de evitar o caos, mas nem sempre essa paz acompanhada de sabedoria apaziguadora me acontece. As vezes sou eu no olho do furacão sendo salva pela paz dele. 

A criança, pouco tempo depois já com vestígios de farinha no rosto e cabelo, me fez lembrar que as vezes criança só quer participar, quer ser útil, quer brincar junto dessa coisa de ser adulto. Tão divertido aos olhos deles, principalmente quando envolve fazer sujeira com as mãos. O que parece um grande problema quando você tem os minutos contados para algum compromisso, mas se carambolas for um final de semana tranquilo, pois que deixe fazer sujeira. 

Além disso ter garantido a calmaria do jantar porque, vale ressaltar, as vezes a frustração anterior vira gatilho para a frustração seguinte, ainda rendeu bons registros do momento e, arrisco dizer, boas memórias. 

Por alguma razão esses outros momentos de calmaria e gritaria da semana me levam novamente para esse dia. Quando percebo já estou com a galeria aberta no navegador pensando nas muitas coisinhas que fazem parte de quem é a minha menina. Esse furacão de emoções e vontades e opiniões, aprendendo a viver suas coisinhas enquanto os pais também estão aprendendo a equilibrar suas emoções, vontades e opiniões. 

Espero estarmos fazendo um bom trabalho. 

Ela parece feliz.

6.7.26

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. 

Tema, 07.2026 ✍🏻 Passatempo/Hobbies.

Quer participar? Acessar site do projeto 📂

Gosto desse tipo de post porque ter um passatempo é algo que pode mudar com o tempo ou te acompanhar por longos anos. Escrever sobre isso é não apenas marcar o espaço-tempo de algo, mas também uma forma de olhar o que permanece sendo nosso. Tempo, tempo, tempo. Não é a toa que a palavra se repete. 

Considerando que só esse blog existe desde 2007, posso dizer que blogar é um dos passatempos que persistiram conforme minha vida foi acontecendo — trabalho, faculdade, maternidade. É algo que já sofri com a ideia de precisar abandonar mas que nunca realmente aceitei de bom grado deixar de lado. Arrisco dizer, inclusive, que ele seria o passatempo chefe em todas as fases da minha vida em que ele fez parte por justamente ser o centralizador de tantos outros passatempos.

Porque além de sentar na frente do computador para ler blogs e escrever sobre as coisas da vida, é ele que me inspira a fotografar (com a câmera, o celular, a instax), a falar sobre minhas leituras, a compartilhar que, por mais difícil que seja encaixar isso na rotina, assistir filmes e séries é algo que gosto muito de fazer. 

Não é a toa que, pensando em como faria esse post, só precisei pegar a minha câmera e olhar ao meu redor. 

Nesse espaço-tempo em que me encontro, tenho aproveitado muito para passar horas e mais horas — que a gente nem vê passar, vale ressaltar — conversando com o Igor sobre o novo subprojeto do Entreblogs, um BEDA temático, carinhosamente chamado de: ⚔️ Dungeons & Blogs - Os Guardiões da Blogosfera. Passar essas horas trocando ideias para o projeto e praticando elas no GitHub — vivendo as letrinhas coloridas que tanto gosto — tem me feito um bem imenso. Tem sido um dos meus passatempos favoritos.

Spoiler? 👀

Quando não estou imersa no meu mundinho vulgo meu escritório, aproveito para ler meus livros físicos enquanto o sol ainda abraça o meu quarto. Uma tentativa de aproveitar momentos desconectada, no off... por mais que goste do que as telas me proporcionam. 

A leitura é um hábito e passatempo que faz só dois anos que consegui resgatar, depois de longos anos sem. Tento sempre encaixar ele no meu dia, seja um livro físico durante o dia ou meu kindle madrugada afora. 

Um outro passatempo que tem marcado muito essa fase da minha vida, tem sido apreciar momentos de calmaria com filhota e mozão: assistir Naruto Naturo enquanto pinto bobbie goods com Sarinha e Toni cozinha nossa próxima refeição. 

Sara e eu acompanhando a animação pela primeira vez, enquanto pratico minhas habilidade como pintora. Toni revendo, enquanto se diverte com os nossos palpites e reações. Além de ser um passatempo em família, tem sido um bom ritual pré almoço nos finais de semana. 

Há ainda os passatempos que sinto saudades de curtir e os que gostaria de me aventurar um dia, mas isso é papo para outro dia. 

Sábado a criança saiu catando grampos da área de serviço e foi aprontar suas coisas de criança no quarto. Alguns minutos depois, veio falar comigo. 

— Posso dormir na minha cabana hoje?
Deixei ela bem quentinha.
🥹👉🏻👈🏻

Tem feito dias bem frios por aqui e a criança é o que podemos chamar de uma destapadora crônica. Não importa o quão frio esteja, vou olhar ela no meio da madrugada e a querida estará dormindo feito um tatu bola completamente destapada. 

Sabendo qual seria o meu protesto, ela saiu catando todas as mantas da casa. Tanto para fazer de cama, quanto para fazer de coberta. Catou meu cachecol, catou lençol. Realmente precisava de muitos apetrechos para deixar a sua cabana fofa mas nada aquecida e nem confortável suficientemente preparada para manter protegida minha pequena tatu bola em mais uma noite fria. 

Ficou tão animada que parece ter gasto o resto do pico de energia do dia todinho na hora seguinte e, ainda cedo, se colocou para dormir enquanto me esperava no quarto. 

Finais de semana ela geralmente acorda primeiro e decide qual vítima ela tirará da cama cedo para acompanha-la até a sala. O alvo costuma ser o pai graçasadeus

Dessa vez, mesmo acordando cedo, ficou pintando suas coisinhas dentro da cabana até alguma alma adulta acordar nesta casa. Como acordei antes do pai, me deixou ficar de preguiça no quarto dela até decidir me convocar para dentro da cabana. 

Descobri que dentro era realmente quentinho, então pontos para a engenheira mirim. Durei uns 3min sentada até minhas pernas ficarem dormentes, infelizmente pouco confortável para alguém do meu tamanho. 

Como ficaríamos ali até o pai acordar para tomarmos café todos juntos, dei um jeito de deitar do lado dela. É quase a cabana dos Weasley, se você entrar na brincadeira. Agradeci por ela ainda não saber ler e assim pude ler um monster romance +18 muito bom sem traumatizar ninguém.

Jeito bom de começar o domingo. 

Notinhas

  1. Pretendo falar desse livro no próximo post de últimas leituras.
  2. Ela nos convenceu a repetir a dose nessa noite de domingo com a condição de que se for mais trabalhoso para se preparar para a escola — prometeu não rosnar pra mim logo cedo se realmente estiver acordada —, só poderá dormir na cabana nos dias de família (vulgo finais de semana e feriados). Depois trago um edit com o veredito. Torçam pela mini queen. 
Edit, manhã de segunda-feira: Cabana foi sucesso! A pequena saiu faz alguns minutos rumo à escola e ainda estou chocada que tivemos um total de 0 rosnadas para qualquer comando dado. O humor que a querida acordou, incrível. 

3.7.26

Os dias seguem frios e, agora, chuvosos também. 

Tenho intercalado variações de pijamas, moletons e mantas — as blusinhas térmicas sempre presentes. Muito café para aquecer o corpo (e as mãos *abraço na caneca*). 

Feliz de poder estar em casa em dias assim. 

Realmente, a inexistência de obrigações corporativas mesmo que temporárias fazem bem demais. Vou aproveitar enquanto as obrigações financeiras não começarem a protestar. 

Algumas coisinhas...

  • Rolou o primeiro encontro online do clubinho do livro do Entreblogs. Achei chique demais logo numa primeira edição de encontrinho termos a autora do livro participando, né Luly? 💅🏻
  • Depois do post saudoso sobre fotografar, criei vergonha na cara e tirei literalmente & metaforicamente a poeira da minha câmera. Foi uma limpeza bem rápida, só para lembrar da coisa toda, mas gostei do resultado. Na hora de passar para o computador ainda achei outros registros perdidos feitos na minha morada anterior. 
  • Igor e eu hiperfocadíssimos em inventar coisa para o Entreblogs. Aparentemente é impossível sossegar, então resolvemos cometer um BEDA ouso dizer épico. Louquíssima para fofocar a coisa toda quase explodindo de ansiedade mas estamos soltando as informações aos poucos. Preparados para a campanha? ⚔️
  • Resolvi criar um fotolog para o blog (ficou tão bonitinho) e, na saga de escolher as minhas fotografias favoritas, descobri que tinha quase 30mil itens na minha fototeca do celular — isso em um intervalo de cinco anos, aproximadamente. Fora o que eu tenha em outros drives que são de 2020 para trás. #desespelo 
  • Último evento social familiar (aniversário de uma das minhas sobrinhas) entram na pauta de: fazer filhos. Quem vai fazer o segundo, quem vai fazer o primeiro... aquele alvoroço de quem quer ver o circo pegar fogo na casa dos outros também. Sai de lá falando o que eu sempre falo: não, sem condições, vamos ficar só na Sarinha mesmo. Cheguei em casa pensando: será mesmo? Nota mental: silenciar urgentemente a voz na minha cabeça que aparentemente esqueceu como é ter um recém nascido. #panic  

e outras coisinhas... 

  • Retirei do menu a página Blogroll, até segunda ordem. Quero melhorar ela e ainda não sei o que pretendo fazer. 
  • Comecei a assistir The Boroughs (netflix) e estou gostando. É uma série de ficção científica e mistério criada pelos mesmos produtores de Stranger Things. Povo já apelidou de Stranger Things da terceira idade. #adoro
  • Finalizei A Canção dos Dragões Perdidos dia desses e estou em situação de: processando voadora emocional. Gostei tanto, mas tanto, que ainda não tenho coragem em transformar em palavrinhas no próximo apanhadão de últimas leituras
  • Também comecei a leitura de O Perfume e estou alucinada pra, assim que finalizar, reassistir ao filme. 
  • Estou com o meu leitor de feeds acumulado novamente e comentários pendentes de resposta por aqui por motivo de: muitas demandas pré jornada-campanha-beda do Entreblogs. #sori amigos, é por uma boa causa 🧙🏻‍♂️ 

Achei no cartão de memória da câmera... 

24.6.26

Novamente senti vontade de abrir a página de nova postagem do blogger e escrever coisas mesmo sem saber o que escrever. É um daqueles momentos em que, apesar da história do livro que estou lendo estar muito boa – adoro aventuras suicidas de reconquista de dragões selvagens com grandes chances de morte mas provavelmente sucesso porque, enfim, protagonista da história –, minha mente interrompe a leitura diversas vezes até que eu dê o que ela precisa. 

Como não sei exatamente o que escrever, mas sinto que preciso escrever, recorro ao velho hábito de abrir meu icloud fotos e ver as coisinhas que aconteceram nos últimos dias. Que bom que estou sempre registrando coisinhas. 

Aceitando a completa falta de controle sobre os meus dias, grata por estar em fase de viver um dia de cada vez sem muitas expectativas além de não me pressionar, não fui tão pega de surpresa quando em um dia tentava retomar uma rotina de exercícios e literalmente no outro procurava o termômetro pra medir a febre na minha filha. 

Nessas horas a gente só torce que seja virose e não bactéria. A virose geralmente damos conta sozinhos em casa, enquanto bactéria envolve ida estressante ao pronto atendimento e antibióticos. 

Mesmo já suspeitando de ser mais uma virose para a conta, não relaxamos por completo. É noite mal dormida porque a criança tosse a cada minuto e, quando não está tossindo, você está conferindo se ela está respirando. São as incontáveis vezes que você oferece algo para comer mas ela não quer nada ou, se quer, acha que vai sobreviver a bala e leite fermentado do Shrek. Mesmo sendo fã das suas porcarias, ela é uma criança que se alimenta muuuito bem, então quando o apetite dela some a gente fica preocupado. 

As birras são mais frequentes porque a criança está exausta, frustrada, entediada. Nessas horas deixamos as expectativas de lado e vivemos cada hora de cada vez. Muito colo, muito carinho, negociando umas colheradas de comida antes de ceder a tão desejada bala de iogurte.  

Roubei a caneca do Toni

Fizemos um bolo de chocolate absurdo de bom, bem macio. Pretendo trazer a receita para cá porque eu achei a nova técnica genial e deu muitíssimo certo. 

Apresentei Crepúsculo para a querida e ela simplesmente quis maratonar. Talvez eu tenha precisado explicar para ela, após cena do parto da Bella, que não eram assim que bebes nasciam. Meio que é mas meio que não é. 

Papai fez pão fresquinho para a semana e pizza. Uma mamãe bem alimentada cuida muito melhor da sua filha dodói. Grata por ter um companheiro funcional e que cozinha muito bem porque se eu tivesse que me preocupar em cozinhar durante esses dias provavelmente estaria desfalecida. 

Não é só cansaço físico, mas mental também. Preocupações e muuuita conversa para fazer as coisas acontecerem, isso meio que suga a nossa alma. Consegui lidar com quatro dias seguidos de interação sem intervalos — seu filho não quer saber se a sua bateria social acabou — & preocupações com a saúde da bonita antes de precisar encher uma taça de vinho (em plena segunda-feira). Vitória, sim, vitória. O respiro e breve anestesiamento de uma taça antes de encarar mais dois dias até a criança estar bem o suficiente para voltar a rotina de aulas. 

Uma tática nossa que costuma dar certo quando estamos nós duas muitíssimo desreguladas, too much emoções borbulhando, é de nos abraçarmos no meio da discussão. Jurava que eu era uma pessoa don't touch me até ela nascer. Geralmente sou eu que sugiro essa pausa antes de chegarmos num consenso, lembrando que a adulta da relação sou eu, mas as vezes é ela quem me cutuca muito braba por ter que me lembrar disso: tu não tá me dando abraço pra eu me acalmar!1!!! É muito aquele meme trends whatever que diz algo tipo tentando ensinar a minha filha a regular as próprias emoções enquanto também estou desregulada e sem saber como regular minhas próprias emoções. #desespelo

As pausas para pintar bobbie goods eram acompanhadas de Naruto, bolo e café. Geralmente ocorriam quando a febre baixava pela manhã e ela esquecia que estava doente. Breves picos de energia para brincar. Breves mesmo, as vezes duravam o tempo de eu montar a cabana-castelo. Já quando a febre começava a dar as caras, ela se aninhava no sofá comigo e eu aproveitava para ler enquanto ela assistia alguma animação até cochilar em mim. 

Erro ao abrir dose de energia. Arquivo corrompido. 

Final de semana, apesar do frio, o sol deu o ar da graça. Pleno meio dia e fomos nos aquecer no quintal. Ela com o brócolis dela ~ #respect ~ e eu com a minha mexerica. Queria mesmo era abrir um pacote de salgadinhos mas tenho uma imagem a zelar. Quase um desjejum Hobbit antes do almoço ficar pronto. Macetamos um belíssimo estrogonofe. 

Adoro esse filtro tolo.

Perdi as contas de quanta roupa de cama lavei. Foram dias intensos de trabalho para máquina de lavar e secar roupa. 

Livros foram lidos mas não finalizados (apenas o livro da Luly) porque resolvi cometer a loucura de ler vários ao mesmo tempo. Capítulos de um, capítulos de outro. 

Aceitei que o conteúdo e atividades da faculdade acumulariam, algo para eu resolver agora que enfim a pequena melhorou e foi para o colégio. 

Quando a atenção dela estava voltada para o pai e outras coisas além de mim, aproveitava para continuar a troca de ideias e testes com o Igor para as coisinhas que inventamos para o site do Entreblogs. Automatizações foram feitas e somos mais felizes agora. Slaaaay queen 💅🏻

Enfim, é mais um daqueles posts em que começo a escrever sem saber muito bem aonde vai dar. Comecei escrevendo ele ontem a noite, no quarto da Sara praticamente velando o sono da querida porque ela se destampa o tempo inteiro. Parei de escrever, deixando o texto incompleto mesmo para finalizar depois, quando minha cabecinha se deu por satisfeita e pude voltar a uma das minhas leituras. Não nego nem confirmo que fui dormir passava das 2 horas da madrugada. 

Finalizo esse post nessa manhã desnecessariamente fria de quarta-feira, bocejando muito porque acordei a criança era 6 horas da manhã, aliviada por ela ter melhorado e podermos voltar a nossa rotina. Todos por aqui meio que vivos mas a que custo depois de dias e noites imprevisíveis. Cada um para suas demandas meio a contragosto porque, arrisco dizer, ninguém realmente levanta motivado num frio de 5ºC.